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Caso Master: STF bloqueia R$ 5,9 milhões em bens de Jaques Wagner e torna apartamento indisponível
Caso Master: STF bloqueia R$ 5,9 milhões em bens de Jaques Wagner e torna apartamento indisponível
Por Redação
12/09/2026 às 10:20

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 5,9 milhões em bens, direitos e valores do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A medida também tornou indisponível um apartamento de luxo localizado no Horto Florestal, em Salvador.
A decisão foi tomada em 19 de junho, durante os desdobramentos da Operação Compliance Zero, mas os detalhes ganharam nova repercussão após a retirada do sigilo de documentos relacionados às investigações.
A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master. Wagner foi alvo de buscas realizadas pela PF em junho. O senador nega ter recebido vantagens indevidas ou atuado em benefício da instituição financeira.
Apartamento de R$ 2,45 milhões entrou na mira da PF
Um dos principais pontos da investigação é um apartamento no empreendimento Poème Horto, no Horto Florestal, área nobre da capital baiana.
O imóvel investigado é a unidade 1702 e foi avaliado em aproximadamente R$ 2,455 milhões. Segundo a PF, mensagens recuperadas durante as investigações mostram que Wagner teria enviado, em novembro de 2024, informações sobre o apartamento ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Entre os dados enviados estavam o número da unidade, o preço e o contato de um representante da construtora responsável pelo empreendimento.
Para os investigadores, comunicações posteriores relacionadas à identificação do proprietário formal do imóvel reforçaram a suspeita de que terceiros poderiam ter sido utilizados na operação para ocultar a verdadeira titularidade ou a origem dos recursos. Essa interpretação, porém, é uma hipótese da investigação, ainda sujeita à apuração e ao contraditório.
Diante dos indícios apresentados, Mendonça determinou a indisponibilidade da unidade, abrangendo também eventuais direitos aquisitivos, cessões e promessas de compra e venda.
Wagner admite pedido, mas nega propina
Jaques Wagner já reconheceu publicamente que pediu a Augusto Lima que adquirisse o apartamento, mas apresentou uma versão diferente daquela considerada pela Polícia Federal.
Segundo o senador, a intenção era que o empresário comprasse temporariamente o imóvel para que posteriormente ele próprio fizesse o ressarcimento. Wagner rejeita a acusação de que o apartamento tenha sido oferecido como pagamento de vantagem indevida.
A defesa sustenta que o parlamentar não praticou irregularidades e afirma que os fatos serão esclarecidos durante a investigação.
Portanto, apesar de a PF trabalhar com a hipótese de que o imóvel estaria relacionado a uma vantagem indevida, não há condenação do senador no caso.
Transferência de R$ 3,5 milhões também é investigada
Outro eixo que contribuiu para a decisão de bloqueio envolve uma movimentação de R$ 3,5 milhões.
Segundo a investigação, o pagamento partiu da PKL One, empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima, para a BN Financeira, companhia associada ao núcleo familiar de Wagner. A transferência ocorreu em outubro de 2025, depois de o Banco Central barrar a operação de compra do Banco Master pelo BRB.
A PF analisa o contexto da movimentação e sua eventual relação com pessoas investigadas no caso Master.
Somados o valor do apartamento e a transferência de R$ 3,5 milhões, os montantes chegam a aproximadamente R$ 5,95 milhões, patamar que fundamentou a ordem de bloqueio patrimonial divulgada no caso.
PF também analisa viagens e ingressos
A investigação não se restringe às movimentações imobiliárias e financeiras.
Documentos da Polícia Federal também mencionam suposto uso gratuito de aeronaves ligadas a empresários investigados e o recebimento de ingressos para apresentações internacionais.
Os investigadores encontraram ainda comunicações entre Wagner e Augusto Lima envolvendo temas de interesse do Banco Master, entre eles questões relacionadas a crédito consignado, ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e à tentativa de aquisição do Master pelo BRB.
A PF busca determinar se existiu relação entre eventuais benefícios recebidos pelo senador e sua atuação política em assuntos de interesse do banco.
Wagner nega ter favorecido a instituição durante sua atuação no Senado.
Outros imóveis de Wagner já haviam sido atingidos
A ordem de indisponibilidade patrimonial já havia provocado efeitos sobre outras negociações imobiliárias do senador.
Em julho, vieram a público informações de que duas transações, envolvendo imóveis avaliados conjuntamente em R$ 25,8 milhões, não puderam ser concluídas nos cartórios devido ao bloqueio determinado pelo STF.
Uma delas envolvia um terreno de aproximadamente 51 mil metros quadrados na Região Metropolitana de Salvador, negociado por R$ 15,8 milhões. O pedido de registro foi protocolado no dia seguinte à operação da PF, mas a transferência não pôde ser finalizada diante da ordem judicial.
A defesa contestou a interpretação de que Wagner teria tentado se desfazer do terreno após a operação. Segundo os advogados, a negociação havia começado em 2024, com etapas formalizadas antes da ação policial e valores devidamente declarados.
Outra transação envolvia um apartamento de alto padrão em Salvador negociado por R$ 10 milhões. Embora o contrato e os pagamentos fossem anteriores à operação, o registro da transferência também foi atingido pela indisponibilidade.
Caso integra investigação sobre Banco Master
Jaques Wagner entrou formalmente na mira da Operação Compliance Zero em junho, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca em endereços relacionados ao senador em Salvador e Brasília.
Também foram realizadas buscas em endereços ligados a Augusto Lima e a outras pessoas investigadas.
A PF tenta esclarecer se houve pagamento de vantagens indevidas e se interesses do Banco Master foram defendidos em troca de benefícios.
O bloqueio patrimonial determinado por André Mendonça é uma medida cautelar destinada a preservar bens enquanto as suspeitas são investigadas. A decisão não representa condenação nem significa, por si só, que os valores ou imóveis tenham origem ilícita.
Wagner mantém a posição de que não recebeu propina do Banco Master e não atuou para favorecer a instituição no Senado. A investigação permanece em andamento.
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