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Bastidores do PT expõem tensão entre Rui Costa e Wagner em meio ao caso Master

Bastidores do PT expõem tensão entre Rui Costa e Wagner em meio ao caso Master

Coluna do Correio relata que aliados percebem Rui mais concentrado na própria candidatura ao Senado, enquanto declarações de Jerônimo Rodrigues sobre o caso Banco Master também provocaram repercussão na campanha de Jaques Wagner.

Por Redação

18/09/2026 às 11:27

Imagem de Bastidores do PT expõem tensão entre Rui Costa e Wagner em meio ao caso Master

Foto: Divulgação

A campanha do PT na Bahia chega à reta final das eleições de 2026 em meio a relatos de tensão nos bastidores envolvendo Rui Costa, Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues. Embora os candidatos mantenham publicamente o discurso de unidade, informações publicadas nesta sexta-feira (18) pela coluna Pombo Correio, do jornal Correio, apontam divergências na estratégia adotada após o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.

Segundo a coluna, aliados do grupo avaliam que Rui Costa passou a priorizar de maneira mais direta sua própria candidatura ao Senado, enquanto Jaques Wagner enfrenta o desgaste provocado pelas informações que surgiram nas investigações sobre o Master. Essa avaliação é atribuída a interlocutores ouvidos pelo veículo e não representa uma confirmação de rompimento entre os dois petistas.

Publicamente, a campanha continua apresentando Rui e Wagner juntos. Em atos e programas eleitorais recentes, os dois aparecem defendendo propostas comuns e associando suas candidaturas ao projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Jerônimo Rodrigues.

Caso Master aumenta pressão sobre Wagner

O pano de fundo das divergências relatadas é o caso Banco Master, que ganhou espaço na campanha baiana depois da divulgação de informações obtidas pela Polícia Federal.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada no último sábado (12) informou que investigadores encontraram mensagens envolvendo operadores do Master e pessoas ligadas a Wagner sobre uma negociação imobiliária destinada à filha do senador. Wagner confirmou a existência da negociação, afirmando que pretendia ajudar a filha, mas o episódio passou a integrar o material analisado pela PF.

As investigações relacionadas ao Banco Master ainda estão em andamento. Menções em mensagens ou documentos apreendidos não significam, por si só, comprovação de crime, e eventuais responsabilidades dependem da análise das autoridades e do Poder Judiciário.

Nesta quinta-feira (17), outro desdobramento chegou à Procuradoria-Geral da República. A Federação União Progressista apresentou uma representação pedindo que a PGR avalie solicitar ao STF o afastamento do secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, enteado de Wagner, enquanto são apuradas suspeitas relacionadas ao caso Master. Trata-se de um pedido apresentado por adversários políticos, e não de uma decisão de afastamento.

Coluna aponta mudança de postura de Rui

De acordo com o relato publicado pelo Correio, integrantes do PT passaram a perceber uma mudança na postura de Rui Costa diante do desgaste enfrentado por Wagner.

A coluna afirma que, segundo interlocutores, Rui estaria concentrado em assegurar seu próprio desempenho eleitoral e não demonstraria disposição para assumir sozinho o custo político da defesa do companheiro de chapa no caso Master.

Essa interpretação contrasta com o discurso público adotado pela chapa. No início de setembro, Wagner afirmou durante um comício em Itapetinga que as candidaturas dos dois ao Senado formavam uma campanha única, vinculada também às candidaturas de Lula e Jerônimo.

Programas eleitorais recentes igualmente mantiveram os dois lado a lado. Em uma das peças exibidas nesta semana, Rui e Wagner apresentaram conjuntamente propostas para a saúde e defenderam a ampliação de hospitais e policlínicas na Bahia.

Até o momento, portanto, os relatos sobre distanciamento dizem respeito aos bastidores e à estratégia eleitoral atribuída a aliados, enquanto a comunicação oficial continua projetando unidade.

Declarações de Jerônimo também repercutem

A coluna do Correio também aponta que declarações do governador Jerônimo Rodrigues sobre as investigações tiveram repercussão interna.

O episódio é tratado pelo veículo como um "sincericídio", expressão opinativa utilizada pela coluna para interpretar o impacto político das falas do governador. Essa caracterização deve ser entendida como uma análise do colunista, e não como um fato estabelecido.

O cenário adiciona uma dificuldade à estratégia petista de apresentar uma chapa integrada na Bahia, especialmente porque Rui Costa e Jaques Wagner concorrem simultaneamente às duas vagas disponíveis para o Senado.

Pesquisas mostram disputa pelas duas vagas

Levantamentos recentes mostram Rui e Wagner entre os principais nomes da disputa, mas com percentuais diferentes conforme a metodologia e o instituto responsável.

Pesquisa AtlasIntel/A Tarde divulgada em 3 de setembro registrou Rui Costa com 28,2% e Jaques Wagner com 23,7%. Foram entrevistadas 1.804 pessoas entre 28 de agosto e 2 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Já o levantamento Séculus/CBN Salvador, divulgado na quarta-feira (16), registrou Rui com 20,46% na primeira opção de voto, enquanto Wagner apareceu com 18,24%. Como o eleitor escolherá dois senadores neste ano, a pesquisa também apresentou uma segunda opção de voto.

Os levantamentos representam fotografias das intenções de voto nos períodos em que foram realizados e não determinam o resultado da eleição.

Campanha mantém imagem pública de unidade

Apesar das informações sobre divergências internas, não houve anúncio público de rompimento entre Rui Costa e Jaques Wagner.

Nesta semana, os dois continuaram participando da mesma estratégia de comunicação. Um programa eleitoral exibido na segunda-feira (14), por exemplo, reuniu Rui e Wagner para destacar obras realizadas durante governos do PT em Salvador e defender a continuidade da parceria com Lula e Jerônimo.

Na quarta-feira (16), outra peça conjunta voltou a apresentar os dois candidatos defendendo propostas para a saúde.

Assim, a situação apresenta duas dimensões distintas: publicamente, a chapa mantém o discurso de unidade; nos bastidores, a coluna do Correio relata que aliados identificam diferenças de estratégia entre Rui e Wagner, especialmente depois do impacto político das investigações envolvendo o Banco Master.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a forma como os candidatos administrarão esses episódios passa a integrar a reta final da campanha pelas duas vagas da Bahia no Senado.

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