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'O Rio em cinco atos': HIV em transplantes, crise na Unimed, escolas a 42°C e um dos piores resultados no Ideb marcaram saúde e educação

'O Rio em cinco atos': HIV em transplantes, crise na Unimed, escolas a 42°C e um dos piores resultados no Ideb marcaram saúde e educação

Em 2024, um dos mais graves escândalos da saúde brasileira. Seis pacientes foram infectados pelo vírus HIV depois de receber órgãos de doadores contaminados no RJ Transplantes, do governo do estado.

Por Redação

25/09/2026 às 09:58

Laboratório é interditado após pacientes transplantados serem infectados com HIV

Foto: Foto: Leo Martins / Agencia O Globo

Em 2024, o Rio de Janeiro conheceu um dos mais graves escândalos da saúde brasileira. Seis pacientes foram infectados pelo vírus HIV depois de receber órgãos de doadores contaminados no RJ Transplantes, do governo do estado. Os transplantes ocorreram entre janeiro e maio, mas o caso só veio à tona em outubro. As investigações revelaram falhas causadas pelo corte de custos e laudos fraudulentos produzidos pelo laboratório PCS Saleme, contratado para realizar exames preventivos que autorizavam os transplantes.

O laboratório foi interditado, o contrato foi rescindido e a direção da Fundação Saúde renunciou aos cargos. O caso ainda teve consequências mais graves. Em março deste ano, uma das pacientes contaminadas morreu. Atualmente, seis pessoas respondem na Justiça por associação criminosa, lesão corporal e falsidade ideológica.

Outra pressão na rede de saúde foi provocada pelos acidentes com motocicletas. No Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, foram 3.078 vítimas de acidentes de moto atendidas somente nos primeiros seis meses de 2025. Metade dos pacientes precisou continuar o tratamento em unidades municipais, principalmente para fisioterapia e acompanhamento ortopédico, prolongando o impacto da emergência sobre outras partes da rede.

Na saúde suplementar, a crise mais grave foi a da Unimed Ferj. A operadora acumulou problemas financeiros e passou a enfrentar conflitos com hospitais e laboratórios por falta de pagamentos.

Em novembro de 2025, a Unimed do Brasil assumiu, por determinação da ANS, a gestão assistencial dos beneficiários da Unimed Ferj no Rio e em Duque de Caxias. Nos meses seguintes, foram firmados acordos com redes hospitalares e de laboratórios para tentar recompor a assistência.

Ainda houve uma mudança na forma como o poder público passou a lidar com uma ameaça que deixou de ser excepcional: o calor extremo. O tema ganhou mais visibilidade após a morte de Ana Clara Benevides, de 23 anos, em novembro de 2023. Ela sofreu uma parada cardiorrespiratória devido à exaustão térmica durante um show da cantora Taylor Swift, no Rio.

No estado, o governo adotou ferramentas para antecipar os efeitos das ondas de calor, reforçando atendimentos médicos e pontos de hidratação públicos.

O tema também afetou as discussões na área da educação. O Ministério Público do Rio relatou, ao longo de 2025, 52 episódios graves em colégios estaduais causados pelo calor. O relatório descreve ambientes insalubres em salas de aula que chegavam a 42 graus.

As escolas estaduais ainda lidaram com diversos fechamentos devido a operações policiais, que afetaram a rotina de alunos, especialmente dos estudantes de escolas públicas. Em 2023, uma reportagem especial da CBN revelou como o cenário impactava estudantes do ensino médio às vésperas do ENEM.

Na UERJ, uma grave crise marcou os últimos anos, com paralisações de professores e técnicos-administrativos, além de impasses orçamentários e reestruturações em auxílios estudantis. Em 2024, estudantes chegaram a ocupar a universidade. A Justiça determinou a desocupação, e a Polícia Militar foi acionada.

O próximo governante do Rio terá o desafio de recuperar o aprendizado dos alunos. Hoje, a rede estadual tem cerca de 600 mil estudantes. No Ideb, o ensino médio estadual do Rio é o segundo pior do país, com nota 3,7, à frente apenas da Bahia no ranking de aprendizagem.

Ouça os outros episódios da série:

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Fonte: CBN

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