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André Mendonça autorizou PF a monitorar localização e registros telefônicos de Jaques Wagner por suspeita de vazamento

André Mendonça autorizou PF a monitorar localização e registros telefônicos de Jaques Wagner por suspeita de vazamento

Por Redação

31/07/2026 às 18:25

Imagem de André Mendonça autorizou PF a monitorar localização e registros telefônicos de Jaques Wagner por suspeita de vazamento

Foto: SCO / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a Polícia Federal (PF) a monitorar, por dez dias, a localização aproximada do celular e os registros de chamadas do senador Jaques Wagner (PT-BA). A medida foi tomada no âmbito da Operação Compliance Zero, após a PF apontar risco de vazamento de informações sigilosas relacionadas à investigação sobre supostas fraudes envolvendo o antigo Banco Master.

A decisão foi assinada em 17 de junho e teve o sigilo retirado nesta semana. O monitoramento autorizado incluiu o acesso a dados de localização por meio das estações rádio-base (ERBs), histórico de chamadas, identificação dos aparelhos utilizados e outros metadados. O ministro, no entanto, negou o pedido de interceptação do conteúdo de ligações, mensagens de texto ou conversas em aplicativos.

Suspeita de vazamento motivou a autorização

Segundo a decisão, a Polícia Federal identificou indícios de que investigados poderiam ter tido acesso antecipado às diligências da operação. Um dos fatos considerados relevantes foi o pedido de audiência feito por um investigado ao gabinete do ministro André Mendonça no mesmo dia em que os pedidos da PF chegaram ao STF.

Além disso, investigadores apontaram que pessoas envolvidas no caso utilizariam encontros presenciais, chamadas telefônicas e mensagens temporárias para dificultar a produção de provas, aumentando o risco de comprometimento da investigação.

O que a PF investiga

Jaques Wagner é investigado em um inquérito que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionadas ao antigo Banco Master.

De acordo com a Polícia Federal, há suspeitas de que o senador tenha recebido vantagens indevidas por meio de pessoas próximas e empresas ligadas ao seu núcleo familiar. Entre os fatos investigados estão negociações envolvendo um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, além da suposta atuação em pautas de interesse da instituição financeira no Congresso Nacional. Ressalta-se que essas suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.

Defesa nega irregularidades

Até o momento, Jaques Wagner nega qualquer participação em irregularidades e afirma não ter cometido ilícitos. A reportagem do Bahia Notícias informou que procurou o senador após a divulgação da decisão, mas não obteve retorno antes da publicação. Em manifestações anteriores, o parlamentar rejeitou as acusações apresentadas pela investigação.

Medida não significa condenação

Especialistas em Direito ressaltam que o monitoramento autorizado pelo STF é uma medida cautelar de investigação e não representa um reconhecimento de culpa. O acesso concedido limitou-se a dados técnicos de conexão e localização, preservando o sigilo do conteúdo das comunicações.

A investigação prossegue sob responsabilidade da Polícia Federal, cabendo ao Ministério Público e ao Judiciário avaliar, ao final da apuração, se haverá oferecimento de denúncia e eventual ação penal.

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