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Coordenador do Atlas da Violência diz que PEC da Segurança Pública terá 'longa estrada' até mudar combate ao crime no país

Coordenador do Atlas da Violência diz que PEC da Segurança Pública terá 'longa estrada' até mudar combate ao crime no país

Para Daniel Cerqueira, do Ipea, texto aprovado pelo Senado é “nota 10” no mérito, mas efeito no curto prazo será pequeno.

Por Redação

04/11/2026 às 12:14

Votação da PEC da Segurança Pública no Senado

Foto: Ton Molina/Agência Senado

Para Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência e pesquisador do Ipea, a PEC da Segurança Pública ainda terá uma longa estrada até mudar a realidade do combate ao crime no Brasil. Em conversa com a coluna, Cerqueira afirmou que a proposta acerta no conteúdo, mas que os resultados vão depender de uma negociação demorada entre União, estados e municípios. “A PEC, no mérito, é nota 10, mas precisa trilhar um longo caminho”, disse.

O Senado aprovou a PEC 18/2025 nesta terça-feira (3), em dois turnos, com 73 e 75 votos favoráveis e nenhum contrário. O texto segue para promulgação. A redução da maioridade penal ficou de fora: as emendas sobre o tema vão tramitar como uma proposta separada.

O principal ponto da PEC, segundo Cerqueira, é levar à Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que existia apenas por lei desde 2018 (Lei 13.675). Com isso, a União passa a ter papel de coordenação. Na avaliação do pesquisador, porém, tudo vai precisar ser discutido com estados e municípios, ponto a ponto. “Vamos percorrer uma longa estrada”, afirmou.

Cerqueira compara o momento ao do Sistema Único de Saúde. O SUS nasceu com a Constituição de 1988, depois de décadas de debate, e só foi regulamentado em 1990. Para ele, o efeito da PEC no curto prazo não deve ser grande, e parte do que ela prevê poderia ser feito pelo Ministério da Justiça mesmo sem mudar a Constituição. “A PEC não vai salvar tudo. A PEC abre a possibilidade de avançar”, disse. Segundo o pesquisador, governadores e prefeitos precisam entrar no processo.

Sem dados confiáveis

Um dos obstáculos apontados por Cerqueira é a falta de informação. Segundo ele, o Estado brasileiro não tem uma base de dados de qualidade sobre crimes. O Sinesp, sistema do Ministério da Justiça, depende do que os estados enviam: muitos não mandam os números de homicídios, e cada um registra de um jeito. O resultado, de acordo com o pesquisador, é que o ministério contabiliza menos mortes do que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública consegue medir.

“Samba de uma nota só”

A PEC também endurece regras para integrantes de facções e milícias, com previsão de cumprimento de pena em presídios de segurança máxima, confisco de bens e restrição à saída temporária, a chamada saidinha. Para Cerqueira, o endurecimento de penas é o “samba de uma nota só” da política de segurança desde os anos 1980: leis mais duras, aumento de penas e mais tempo de prisão antes da progressão de regime.

A restrição à saidinha, segundo ele, tem apelo popular, mas quase nenhum efeito prático. E o encarceramento em massa continua.

Fonte: CBN

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