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Bahia amarga 21º lugar em eficiência na gestão pública, aponta ranking da Folha

Bahia amarga 21º lugar em eficiência na gestão pública, aponta ranking da Folha

Estado tem o pior desempenho do Nordeste no levantamento e aparece na última posição do país em eficiência na Educação; na Segurança Pública, fica em penúltimo lugar

Por Redação

22/09/2026 às 10:54

Imagem de Bahia amarga 21º lugar em eficiência na gestão pública, aponta ranking da Folha

Foto: Camila Souza / GOVBA

A Bahia aparece entre os estados com menor eficiência na gestão pública do país, conforme a segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F), elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha.

O estado ficou na 21ª posição entre os 26 estados analisados, com nota 0,301, e teve o pior desempenho entre os estados do Nordeste. O Distrito Federal não participa do levantamento. 

O ranking mede a capacidade dos governos estaduais de transformar os recursos disponíveis em serviços públicos para a população. Para tanto, relaciona a Receita Corrente Líquida (RCL) per capita aos resultados obtidos em cinco áreas: Educação, Saúde, Infraestrutura, Segurança Pública e Finanças. A metodologia atribui peso dobrado aos indicadores de Educação e Saúde. 

Com índice inferior a 0,350, a Bahia é classificada na faixa de “ineficiente” pelo estudo. O estado ficou à frente apenas de Amazonas, Pará, Roraima, Acre e Amapá no ranking nacional e atrás de todas as demais unidades federativas nordestinas.

Bahia tem pior desempenho do país em Educação

O resultado mais negativo para a Bahia aparece na Educação. O estado recebeu nota 0,165, a menor entre os 26 estados avaliados pelo REE-F.

O indicador considera fatores como cobertura e atendimento escolar, desempenho dos estudantes e taxa de abandono, além de dados relacionados ao acesso ao ensino superior.

O resultado ocorre em um cenário no qual a Bahia também apresentou dificuldades em indicadores educacionais recentes. O resultado se soma aos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados em agosto pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O estudo aponta que a Bahia tem o pior desempenho do país entre os estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano. No Ensino Médio, apresenta a pior avaliação do Nordeste e fica à frente apenas do Rio de Janeiro no cenário nacional. Os fluminenses ocupam a 24ª posição no indicador de Educação do REE-F.

De acordo com os dados utilizados no ranking, a Bahia destina 16,9% do orçamento à Educação, mas registra taxa de abandono escolar de 6,6%. O levantamento aponta ainda que, em 2024, foram registrados 64,38 ingressantes no ensino superior por 100 mil habitantes.

Segurança Pública é outro ponto crítico

Na Segurança Pública, a Bahia aparece com o segundo pior resultado do país, à frente apenas do Acre.

Um dos principais parâmetros utilizados pelo ranking é a taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes. Em 2025, a Bahia registrou 36,8 mortes violentas por 100 mil habitantes, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública citados pela Folha. O estado teve a segunda maior taxa do país, atrás apenas do Amapá. 

O levantamento também aponta que menos de 10% do orçamento estadual foi destinado à Segurança Pública.

A situação da violência também aparece em outros levantamentos recentes. De acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado publicados pela Folha, mais da metade das escolas públicas de Salvador foi afetada por tiroteios em pelo menos dez dias letivos de 2025. 

Bahia fica atrás dos demais estados nordestinos

O desempenho baiano contrasta com o de outros estados da região. O Ceará aparece na segunda colocação nacional, com 0,665, enquanto o Piauí ocupa a quinta posição, com 0,596, e a Paraíba aparece em sexto, com 0,561.

Na outra ponta do Nordeste, Alagoas ficou em 17º lugar, com 0,368, e o Rio Grande do Norte, em 20º, com 0,303. A Bahia aparece logo depois, em 21º, com 0,301. 

No topo nacional estão Paraná, com 0,734, Ceará, com 0,665, e São Paulo, com 0,637. Santa Catarina e Piauí completam as cinco primeiras posições. 

Ranking não mede apenas quanto o estado arrecada

O REE-F procura justamente comparar os resultados obtidos pelos governos com os recursos disponíveis. Por isso, a posição no ranking não é determinada simplesmente pelo tamanho da receita estadual.

A própria análise da Folha destaca que a eficiência depende também de fatores como organização administrativa, continuidade de políticas públicas e coordenação entre diferentes níveis de governo.

O Ceará, por exemplo, aparece na segunda colocação nacional mesmo tendo a menor Receita Corrente Líquida per capita entre os estados analisados. 

Como funciona o ranking

O índice varia de 0 a 1, em que 1 é o nível máximo de eficiência. O estudo considera a relação entre a receita disponível por habitante e os resultados obtidos em Educação, Saúde, Infraestrutura, Segurança Pública e Finanças. Educação e Saúde têm peso dobrado na composição do resultado final. 

A segunda edição do levantamento utiliza dados atualizados de diferentes bases oficiais e exclui o Distrito Federal em razão de suas particularidades administrativas. 


Por: Evilásio Júnior

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