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Ângela Guimarães expõe barreiras raciais e de gênero na política e confirma plano de disputar a Câmara de Salvador em 2028

Ângela Guimarães expõe barreiras raciais e de gênero na política e confirma plano de disputar a Câmara de Salvador em 2028

Por Redação

06/02/2026 às 09:49

Atualizado em 06/02/2026 às 12:11

Imagem de Ângela Guimarães expõe barreiras raciais e de gênero na política e confirma plano de disputar a Câmara de Salvador em 2028

Secretária da Igualdade Racial diz que exclusão de mulheres negras é “regra histórica” nas estruturas partidárias e afirma: “Meu tempo é agora”

Reconhecida nos bastidores como um dos quadros mais preparados da esquerda baiana, a secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães (PCdoB), decidiu transformar em público o que por anos foi um incômodo silencioso: a dificuldade estrutural de mulheres negras acessarem cargos eletivos, mesmo quando reúnem currículo, trajetória política e densidade programática.

Em entrevista à CBN Salvador, a titular da Sepromi fez um diagnóstico direto — e pouco comum dentro da própria base progressista.

“O que acontece comigo não é exceção. É regra. É a forma como mulheres, especialmente negras, são tratadas nas estruturas de poder da política brasileira”, lamentou.

Filiada ao Partido Comunista do Brasil, com mais de duas décadas de experiência em gestão pública, passagem pelos governos federais de Dilma Rousseff e atuação histórica na formulação de políticas de juventude e igualdade racial, ela já colocou o nome à disposição para disputar eleições desde 2016 — mas nunca conseguiu viabilizar a candidatura.

Nem para vereadora, nem para deputada.

Agora, pela primeira vez, crava um horizonte: “Tenho vontade, sim, de ter mandato. Quero disputar a Câmara de Salvador em 2028.”

“As cúpulas reproduzem o racismo que dizem combater”

A secretária evitou personalizar a crítica, mas foi contundente ao falar do funcionamento interno dos partidos, inclusive os de esquerda.

Segundo ela, há um descompasso entre o discurso público de diversidade e as decisões reais de poder.

“Mesmo nos partidos progressistas, as barreiras de gênero e raça continuam lá. A gente fala muito de representatividade, mas quando chega a hora da caneta, as estruturas se fecham”, apontou.

Ela cita dados para ilustrar o cenário: a Assembleia Legislativa da Bahia elegeu 10 mulheres em 2018 e caiu para sete em 2022. Mulheres negras, então, são a exceção da exceção.

Para contextualizar, lembrou o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) como símbolo do medo que o sistema político ainda demonstra diante de lideranças negras em ascensão.

“Marielle despontou jovem, foi campeã de votos e virou ameaça real a estruturas muito enraizadas. O que aconteceu com ela é o extremo do que mulheres negras enfrentam todos os dias na política”, comparou.

Trajetória longa, espaço curto

Natural do Curuzu, formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, com estudos na Universidade Federal do Sul da Bahia, Ângela começou a militância ainda no movimento estudantil e participou da criação de políticas públicas que hoje são marcos nacionais, como o Estatuto da Juventude e ações afirmativas no serviço público.

Foi a primeira diretora de reparação racial de São Sebastião do Passé, secretária-adjunta nacional de Juventude e, hoje, comanda a política estadual de igualdade racial no governo Jerônimo Rodrigues (PT).

Mesmo assim, relata que segue “batendo no teto”.

“Quando se é homem branco, muitas vezes não se exige nada. Quando é mulher negra, pedem todos os requisitos — e quando você comprova, inventam outros”, criticou.

2028 no radar

Sem romper com o partido, Ângela diz que continuará a disputar espaço “por dentro”, mas sinaliza que não pretende mais adiar o projeto eleitoral.

A aposta é começar pela capital baiana.

“Eu tenho um amor muito grande por Salvador. Quero ajudar a cidade a enfrentar a desigualdade profunda que a gente vê crescer. Meu caminho é longo na política, mas meu tempo é agora”, avisou, ao citar o discurso de Mãe Stella de Oxóssi, ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, falecida em 2018, e que chegou a ocupar a cadeira 33 da Academia de Letras da Bahia, após ser eleita por unanimidade em 2013.

A frase, dita no fim da entrevista, resume a virada de postura: menos espera por convite, mais decisão própria.

 

Fonte: Blog do Vila

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