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Site da Ancine é alvo de ataque hacker com ofensas a nordestinos e ameaças a universidades públicas

Site da Ancine é alvo de ataque hacker com ofensas a nordestinos e ameaças a universidades públicas

Invasores alteraram a página oficial da agência federal, publicaram mensagens preconceituosas, acusações de fraude eleitoral e uma montagem com Flávio Bolsonaro e Júlia Zanatta. Autoria do ataque ainda é desconhecida.

Por Redação

13/10/2026 às 06:48

Imagem de Site da Ancine é alvo de ataque hacker com ofensas a nordestinos e ameaças a universidades públicas

Foto: Reprodução Site Ancine

O site oficial da Agência Nacional do Cinema (Ancine), órgão vinculado ao Ministério da Cultura, foi alvo de uma invasão hacker nesta segunda-feira (12). Durante o ataque, a página passou a exibir mensagens preconceituosas contra a população nordestina, ataques a universidades públicas e declarações de caráter político. O conteúdo foi retirado do ar após a identificação do problema pela equipe técnica da instituição.

Entre as mensagens publicadas pelos invasores estava a expressão ofensiva "nordestinos burros", além de referências à possibilidade de ataques contra instituições públicas de ensino superior. A página também apresentava críticas a pessoas identificadas como comunistas e alegações sem provas sobre possíveis fraudes nas eleições brasileiras.

Invasores utilizaram imagens de Flávio Bolsonaro e Júlia Zanatta

Além das mensagens, os responsáveis pela invasão publicaram uma montagem com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC).

Na imagem, Flávio aparecia utilizando óculos escuros e uma camisa da Seleção Brasileira, enquanto a parlamentar segurava um chicote. O material também continha referências à direita conservadora, aos Estados Unidos e a Israel.

Os invasores utilizaram o espaço para divulgar uma narrativa de possível manipulação eleitoral. Uma das mensagens afirmava que uma eventual derrota de Flávio Bolsonaro nas urnas seria resultado de uma suposta interferência da China no processo eleitoral brasileiro.

Não foram apresentadas provas que sustentassem a acusação. Também não existem informações públicas confirmadas que estabeleçam ligação entre os responsáveis pelo ataque e os políticos retratados na montagem.

Associação de servidores acionou equipe de tecnologia

A Associação das Servidoras e dos Servidores da Ancine (Aspac) informou que comunicou o problema à equipe responsável pela tecnologia da informação da agência assim que tomou conhecimento da invasão.

Em publicação nas redes sociais, a entidade confirmou que os profissionais foram acionados e conseguiram retirar as mensagens ofensivas da página.

Apesar da remoção do conteúdo, o portal continuava apresentando problemas de acesso durante a tarde de segunda-feira. Até as últimas atualizações das reportagens consultadas, a Ancine não havia divulgado esclarecimentos oficiais sobre a origem do ataque ou a extensão dos possíveis danos aos sistemas.

Ataque ocorre em meio a episódios de hostilidade contra nordestinos

A invasão aconteceu em um período de intensificação das discussões políticas após o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro.

Nos últimos dias, publicações ofensivas contra eleitores nordestinos ganharam repercussão nas redes sociais. Parte das mensagens relaciona o comportamento eleitoral da região a estereótipos preconceituosos sobre escolaridade, renda e programas sociais.

Um levantamento da Ativaweb DataLab, divulgado pelo UOL e repercutido pelo portal Alô Alô Bahia, identificou 32,8 milhões de menções relacionadas ao Nordeste e ao voto da região nas 72 horas posteriores à votação. Segundo a análise, aproximadamente 82,2% foram classificadas como críticas ou pejorativas.

O levantamento considera manifestações e interações nas plataformas digitais e não significa que 82,2% dos brasileiros tenham opiniões negativas sobre os nordestinos.

Universidades públicas também enfrentam ameaças

O episódio envolvendo a Ancine ocorre em um contexto de preocupação com ameaças direcionadas a instituições de ensino superior.

Universidades de diferentes estados registraram mensagens intimidatórias nas redes sociais, especialmente após manifestações estudantis relacionadas à disputa presidencial.

De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, episódios envolvendo instituições como a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) mobilizaram autoridades policiais, representantes do Ministério da Educação e órgãos de fiscalização.

As ocorrências são investigadas individualmente, e não há comprovação de que estejam relacionadas à invasão do portal da Ancine.

Responsáveis pelo ataque ainda não foram identificados

Até o momento das reportagens consultadas, não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre a identidade dos hackers ou sobre a motivação efetiva da invasão.

O conteúdo publicado indica que os responsáveis buscaram utilizar uma plataforma institucional do governo federal para disseminar mensagens de caráter político e preconceituoso.

Entretanto, a presença de imagens de lideranças partidárias e de manifestações favoráveis a determinados grupos políticos não comprova participação ou conhecimento prévio dessas pessoas sobre a invasão.

O episódio também levanta preocupações sobre a segurança digital de plataformas governamentais e a necessidade de proteção dos canais oficiais de comunicação dos órgãos públicos.

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