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Média de idade dos 10 deputados federais mais votados cai de 39 para menos de 32 anos
Média de idade dos 10 deputados federais mais votados cai de 39 para menos de 32 anos
Levantamento da CBN mostra queda de quase 20% na média de idade do topo da votação em relação a 2022, enquanto a média da Câmara como um todo segue perto dos 50 anos
Por Redação
05/10/2026 às 17:11

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
A média de idade dos dez deputados federais eleitos com as maiores votações nas Eleições 2026 é de menos de 32 anos. O número despencou quase 20% em relação ao ranking de 2022, quando os parlamentares mais bem votados já eram jovens, com uma média de 39 anos de idade. Os dados foram levantados pela CBN na base da Justiça Eleitoral.
Três nomes se repetiram nas duas listas: Nikolas Ferreira, do PL; Kim Kataguiri, então no União Brasil e hoje no Missão; e Tabata Amaral, do PSB, estiveram no Top 10 tanto em 2022 quanto em 2026 – e, por óbvio, envelheceram quatro anos entre as eleições.
Mas os demais eleitos puxaram os números para baixo. Entre os 10 deputados federais eleitos com mais votos, apenas uma tem mais de 40 anos: Julia Zanatta, do PL de Santa Catarina, que tem 41.
Já em 2022, cinco dos mais votados tinham 40 anos ou mais, e um deles tinha 66, elevando a média.
Apesar do rejuvenescimento no topo da votação, a média de idade na Câmara dos Deputados tem se mantido estável nas últimas eleições: em 2018 foi de 49 anos; em 2022, de 50 anos; e em 2027 deve ficar em quase 50.
O analista político Deividi Lira destacou esse fenômeno: "Não é necessariamente um rejuvenescimento da Câmara dos Deputados como um todo. Só que a gente enxerga um protagonismo nestas eleições de políticos que são mais jovens entre os grandes puxadores de voto", afirma. "Isso tem uma relação muito forte com a transformação da própria comunicação política e do formato de se fazer marketing político."
"Muitos desses parlamentares construíram uma presença digital muito consolidada. Eles não utilizam as redes sociais apenas durante a campanha, então o nível de produção de conteúdo diário é muito alto nas redes desses eleitos", diz Lira.
Segundo o analista, com isso a campanha "deixa de depender exclusivamente daquelas estruturas que o próprio partido oferece, do tempo de televisão que a Justiça Eleitoral oferece ou até mesmo de uma atuação territorial muito concentrada". Ele cita o caso de Nikolas Ferreira, que alcançou eleitores espalhados por todo o estado.
Fenômeno não é exclusivo da direita
Lira ressalta que a tendência não se restringe a um campo político. Entre os dez mais votados, há nomes jovens dos dois lados do espectro: Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e André Fernandes de um lado; Erika Hilton, Sâmia Bomfim e Tabata Amaral do outro.
"São políticos com posições ideológicas de campos diferentes, mas que acabam compartilhando uma característica. Eles compreenderam a lógica das redes sociais e construíram uma identidade política muito reconhecível para os seus eleitores, para a sua bolha", avalia.
Milhões de seguidores
A relevância da presença digital dos candidatos fica clara ao notar o número de seguidores que eles têm nas redes sociais. Outro levantamento feito pela reportagem na plataforma Plenário 2027 mostra que todos os 10 mais bem votados a deputado federal superam a marca de um milhão de seguidores no Instagram.
Nikolas Ferreira, o mais bem votado, também lidera em seguidores, com 22 milhões. Lucas Pavanato e Erika Hilton, do PL e do Psol de São Paulo respectivamente, têm 5 milhões cada. André Fernandes, do PL, tem 3 milhões; Julia Zanatta, também do PL, tem 1 milhão; e a outra metade da lista tem 2 milhões cada: Sâmia Bomfim, do Psol paulista, Ana Elisa, do PT mineiro, Kim Kataguiri, Tabata Amaral e Jeffrey Chiquini, do Novo do Paraná.
Para Lira, a votação recorde de Nikolas, a maior da história da Câmara, também deve pesar dentro da Casa. "É um político que todo mundo quer estar perto", afirma. Segundo ele, o desempenho nas urnas ajuda na articulação do deputado para ocupar a presidência ou outro cargo na mesa diretora de alguma comissão.
O que ainda pode mudar
Os números sobre a idade ainda podem mudar até a posse, já que a lista de eleitos só fica definitiva com a diplomação, prevista para até 19 de dezembro.
Até lá, pode haver retotalização pela Justiça Eleitoral caso alguma candidatura seja indeferida ou cassada. E mesmo depois da posse, a composição da Câmara pode mudar caso algum eleito saia para assumir outro cargo, mas o efeito é pequeno: substituir um deputado de 30 anos por um de 70, por exemplo, mexe a média dos 513 em menos de 0,1 ano.
Fonte: CBN
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