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Serra da Chapadinha mobiliza Alba: Hilton Coelho alerta para risco à água de Salvador e denuncia ameaças a ambientalistas
Serra da Chapadinha mobiliza Alba: Hilton Coelho alerta para risco à água de Salvador e denuncia ameaças a ambientalistas
Por Evilásio Júnior
03/06/2026 às 09:52

Foto: Evilásio Júnior
A disputa em torno da Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, ganhou novos contornos políticos na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
Em entrevista concedida às rádios Metropolitana, Feliz FM e CBN Salvador, o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) afirmou que já reuniu assinaturas suficientes para a criação de uma frente parlamentar mista em defesa da região e fez um alerta contundente: a área é responsável por cerca de 60% da água consumida em Salvador e por mais de 80 municípios baianos.
O parlamentar classificou a situação como "gravíssima" diante do avanço de projetos ligados à mineração e da escalada de conflitos denunciada por ambientalistas e moradores da região.
"É a água que sai da nossa torneira. A Serra da Chapadinha é uma região de recarga hídrica que garante 60% da água de Salvador e de mais 80 municípios. Imagine uma região responsável por 60% da nossa água ser envenenada porque um grupo econômico decidiu extrair minério de ferro dali", afirmou Hilton.
Frente parlamentar já reúne 24 assinaturas
De acordo com o deputado, a proposta já ultrapassou o número mínimo exigido para instalação da frente parlamentar.
Segundo Hilton, serão sete deputados titulares, além da participação de vereadores, prefeitos, representantes da sociedade civil organizada, pesquisadores e especialistas ambientais.
Entre os parlamentares que demonstraram apoio à iniciativa estão a presidente da Alba, Ivana Bastos (PSD), a vice-presidente Fátima Nunes (PT), o líder da oposição Tiago Correia (PSDB) e o líder do governo Rosemberg Pinto (PT).
"Nós conseguimos as assinaturas. Eram necessárias 21 e já temos 24. A ideia é construir uma frente parlamentar mista, com participação das lideranças sociais e ambientais que conhecem profundamente a realidade da Chapada Diamantina", explicou.
Ataque a ambientalistas acendeu alerta
A movimentação política ocorre após o episódio que ganhou repercussão nacional com os ambientalistas Alcione Corrêa e Marcos Fantin, proprietários da hospedaria Toca do Lobo, em Itaetê.
Conforme relatado pela reportagem da Folha de S. Paulo e citado por Hilton durante a entrevista, homens armados invadiram a propriedade do casal durante a madrugada, destruíram equipamentos e acusaram os ativistas de dificultar o "progresso" da região.
O deputado relacionou o fato à crescente pressão econômica sobre a Serra da Chapadinha.
"Eles foram amarrados, tiveram armas de grosso calibre apontadas para a cabeça e viram seus equipamentos serem queimados. Foi um recado para todos aqueles que se posicionam contra esse absurdo", afirmou.
Hilton informou ainda que já houve reuniões com representantes das secretaria estaduais de Segurança Pública e de Justiça e Direitos Humanos e do comando da Polícia Militar para acompanhar as investigações.
Pressão por decreto de proteção ambiental
Um dos principais objetivos da frente parlamentar será pressionar o governo estadual a criar, por decreto, o Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha (Revis).
A proposta ganhou força após a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) abrir consulta pública para discutir a criação da unidade de conservação.
Na avaliação do deputado, o mecanismo permitiria conciliar atividades produtivas com a preservação ambiental, bem como proteger nascentes, rios e comunidades tradicionais.
"O governo Jerônimo deve decretar o Refúgio de Vida Silvestre o mais rápido possível. É uma medida que preserva a região, garante a presença das populações locais e impede atividades que coloquem em risco esse patrimônio ambiental", defendeu.
Um patrimônio ambiental único
Ao longo da entrevista, Hilton destacou características que considera excepcionais da Serra da Chapadinha.
Segundo ele, estudos apontam a presença de formações geológicas raras, cavernas e até organismos associados a antigos ambientes marinhos, reforçando o valor científico e ambiental da área.
"Aquilo é um santuário. Temos elementos que remontam a períodos em que nosso território estava coberto pelo oceano. É um patrimônio que precisa ser preservado para as futuras gerações", disse.
Disputa vai além da mineração
Embora a mineração seja apontada como principal foco das preocupações, o deputado também mencionou interesses ligados à expansão imobiliária e ao turismo de luxo na região.
Para ele, a disputa pela Serra da Chapadinha envolve um conjunto de pressões econômicas sobre um dos territórios ambientalmente mais sensíveis da Bahia.
"Estamos falando de um dos lugares mais ricos do ponto de vista ambiental do estado. É preciso impedir que interesses privados se sobreponham ao direito coletivo à água e à preservação ambiental", concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
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