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PF apreende quase R$ 1 milhão, carros e joias em operação que mira prefeito e deputado federal
PF apreende quase R$ 1 milhão, carros e joias em operação que mira prefeito e deputado federal
Operação Dinastia do Lago investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro em Coari, no Amazonas; prefeito Adail Pinheiro foi afastado do cargo por determinação do STF.
Por Redação
16/09/2026 às 18:38

Foto: Divulgação/PF
A Polícia Federal (PF) apreendeu cerca de R$ 990,5 mil em dinheiro vivo, além de dólares, euros, 21 veículos, relógios e joias, durante uma operação realizada nesta quarta-feira (16) no Amazonas. Entre os alvos estão o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), e o filho dele, o deputado federal Adail Filho (MDB-AM).
Batizada de Operação Dinastia do Lago, a ofensiva investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à administração municipal de Coari. Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e no município do interior amazonense.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Adail Pinheiro e servidores municipais foram afastados de suas funções. Já Adail Filho foi alvo de busca e apreensão, mas permanece no exercício do mandato de deputado federal.
Quase R$ 1 milhão em espécie
O balanço divulgado pela Polícia Federal aponta a apreensão de R$ 990.500 em espécie.
Desse total, R$ 637.750 foram encontrados em Coari, enquanto outros R$ 352.750 foram localizados em Manaus. Na capital amazonense, os agentes também apreenderam US$ 10 mil e € 1.255. Até a atualização mais recente, a PF não havia informado especificamente a quem pertenciam os valores encontrados.
A operação também resultou na apreensão de 21 veículos, sendo 11 em Manaus e dez em Coari.
Imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram ainda relógios, braceletes, colares, brincos e anéis recolhidos durante as buscas. O valor e a propriedade desses objetos não haviam sido detalhados oficialmente.
Investigação começou após apreensão de R$ 1,25 milhão
As investigações que resultaram na Operação Dinastia do Lago tiveram como ponto de partida a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo, em maio de 2025.
Na ocasião, três empresários transportavam a quantia durante uma viagem entre Manaus e Brasília. A partir do episódio, a Polícia Federal passou a aprofundar a apuração sobre possíveis movimentações financeiras relacionadas a agentes públicos e empresários.
Segundo a PF, as investigações passaram a apontar indícios de uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e outras pessoas.
A suspeita é de que o esquema envolveria direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras destinadas ao pagamento de vantagens indevidas e à ocultação da origem e dos destinatários finais dos recursos.
Prefeito de Coari é afastado
Além dos mandados de busca e apreensão, a decisão do STF determinou o afastamento de Adail Pinheiro da Prefeitura de Coari. Servidores municipais também foram afastados de suas funções.
A investigação apura, em tese, possíveis crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. A responsabilidade individual dos investigados ainda deverá ser definida no decorrer das apurações.
O deputado Adail Filho, por sua vez, foi alvo das buscas, mas não foi afastado do mandato parlamentar. Não há informação de prisão do deputado ou do prefeito no âmbito da operação divulgada nesta quarta-feira.
Defesa diz ter recebido operação "com surpresa"
Em nota, a defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmou ter recebido os mandados de busca e apreensão "com surpresa".
O advogado Fabricio de Melo Parente classificou o afastamento do prefeito como desnecessário e informou que pretende adotar as medidas jurídicas cabíveis depois de ter acesso integral ao conteúdo da investigação.
A defesa também ressaltou que o cumprimento de medidas cautelares não significa reconhecimento de culpa ou comprovação dos crimes investigados. Os advogados afirmaram ainda que seus clientes não teriam relação com os fatos que deram origem ao inquérito no Supremo.
As investigações da Operação Dinastia do Lago continuam. A Polícia Federal ainda poderá analisar documentos e outros materiais recolhidos durante as buscas para tentar esclarecer a origem dos valores e a eventual participação de cada investigado.
Até o momento, os fatos são tratados como suspeitas em investigação, e não há condenação dos políticos citados em razão dessa operação.
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