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Pesquisa eleitoral registrada no TSE gera polêmica após críticas de especialistas durante programa da CBN Salvador

Pesquisa eleitoral registrada no TSE gera polêmica após críticas de especialistas durante programa da CBN Salvador

Por Henrique Spínola

22/05/2026 às 11:34

Imagem de Pesquisa eleitoral registrada no TSE gera polêmica após críticas de especialistas durante programa da CBN Salvador

Foto: Divulgação e Brenno Carvalho

Uma pesquisa eleitoral divulgada pelo instituto IPSENSUS Pesquisas e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BA-07247/2026 se tornou alvo de questionamentos públicos após declarações feitas ao vivo durante programação da Rádio CBN Salvador.

O levantamento apontou um cenário de empate técnico na disputa pelo Governo da Bahia entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT), com 42,2% das intenções de voto, e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), com 40,6%. Segundo o instituto, foram ouvidos 1.500 eleitores entre os dias 9 e 13 de maio, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Durante o debate na rádio, o radiodifusor André Spinola afirmou que pretende formalizar denúncia sobre a pesquisa após identificar, segundo ele, diversos indícios de inconsistência envolvendo a empresa responsável pelo levantamento.

Ao vivo, os integrantes do programa questionaram a estrutura do instituto e afirmaram ter encontrado dificuldades até mesmo para localizar informações básicas da empresa.

O comentarista Evilásio Júnior resumiu a desconfiança levantada durante o programa com uma frase que repercutiu entre os ouvintes:

“Tem cheiro de pesquisa fake, tem cara de pesquisa fake.”

Segundo os comunicadores, o site da empresa teria sido criado recentemente, apresentaria aparência considerada amadora e não possuiria redes sociais ativas. Também foi relatada dificuldade de contato com o instituto durante a transmissão ao vivo.

Outro ponto que gerou forte debate foi o valor declarado da pesquisa junto ao TSE: R$ 10 mil.

O deputado federal Marcelo Nilo afirmou que considera impossível realizar uma pesquisa presencial em diversos municípios da Bahia por esse valor.

“Sério? Uma pesquisa em mais de 80 municípios gasta no mínimo R$ 59 mil só de despesa”, declarou.

Marcelo Nilo detalhou ainda os custos operacionais envolvidos em um levantamento eleitoral de grande porte.

“Você tem combustível, aluguel de carro, pesquisadores, alimentação, hotel, coordenação. Uma pesquisa séria não consegue ser feita por R$ 10 mil”, afirmou.

O parlamentar também contestou os números divulgados pelo levantamento e afirmou acreditar que ACM Neto estaria liderando a corrida eleitoral com ampla vantagem.

“ACM Neto tem mais de 12% na frente de Jerônimo Rodrigues”, disse durante a entrevista.

Quem também participou do debate foi Ary Carlos Nascimento, especialista, pesquisador e estatístico baiano conhecido pela atuação no mercado de pesquisas eleitorais da Bahia. Ary reforçou os questionamentos sobre os custos apresentados pelo instituto.

“Só de gasolina você gasta mais de R$ 12 mil”, afirmou.

O especialista explicou que levantamentos estaduais exigem grande estrutura logística, incluindo deslocamentos, hospedagem, alimentação e equipes de entrevistadores.

Ary Carlos afirmou ainda que o orçamento apresentado pela pesquisa não seria compatível com a realidade do mercado.

“É impossível, não é difícil. É impossível”, declarou ao comentar o custo informado no registro do TSE.

Durante a entrevista, Ary também afirmou que a empresa responsável pelo levantamento teria sido criada recentemente e que não possuiria histórico conhecido de pesquisas registradas.

“A empresa não existe no mercado de pesquisas. Ela foi criada em janeiro e nunca registrou uma pesquisa”, disse.

Apesar das críticas feitas durante o programa, até o momento não há decisão da Justiça Eleitoral apontando irregularidade formal no levantamento divulgado pela IPSENSUS Pesquisas.

A empresa responsável pela pesquisa também não havia se pronunciado oficialmente sobre as declarações feitas durante o debate na Rádio CBN Salvador até a publicação desta matéria.

Confira a entrevista na íntegra: 

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