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Hamilton Assis critica Jerônimo e diz que PSOL não será 'puxadinho' do PT na Bahia

Hamilton Assis critica Jerônimo e diz que PSOL não será 'puxadinho' do PT na Bahia

Por Evilásio Júnior

14/05/2026 às 14:30

Imagem de Hamilton Assis critica Jerônimo e diz que PSOL não será 'puxadinho' do PT na Bahia

Foto: Evilásio Júnior

O vereador de Salvador Hamilton Assis (PSOL) subiu o tom contra os governos estadual e municipal ao analisar o cenário político da Bahia e os rumos da esquerda para as eleições deste ano. 

Em entrevista à CBN Salvador, o parlamentar defendeu a viabilidade de sua pré-candidatura a deputado federal, criticou a condução da segurança pública pelo governador Jerônimo Rodrigues, questionou a relação do PT com o PSOL e confirmou que seu partido não abrirá mão de manter candidatura própria ao Palácio de Ondina.

Durante a conversa, ele também fez críticas ao processo de janela partidária, classificou como “oportunismo” a aproximação de figuras tradicionais ao PSOL e defendeu que o partido preserve sua identidade política e programática.

“Os partidos menores acabam engolidos pelos tubarões”

Ao comentar a movimentação política em torno da janela partidária, Hamilton afirmou que muitos partidos têm sido usados apenas como instrumentos eleitorais.

“A movimentação se dá em um contexto onde não existe nenhuma relação programática. Existe apenas um interesse muito grande de acumular forças para garantir tempo de televisão e chapas reforçadas. Os partidos menores acabam ficando reféns, são engolidos pelos tubarões”, disparou.

Sem citar diretamente nomes, o vereador afirmou que o PSOL sofreu assédio de “figurões” interessados em usar a legenda para viabilizar projetos eleitorais.

“Tem gente que nunca teve identidade com a história do partido tentando abrir brechas para posicionar suas cavalinhas na disputa eleitoral. Isso é perigoso para a política”, afirmou.

Enquanto a ex-prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, tentou ingressar na sigla e se filiou ao MDB, o ex-gestor de Itabuna, Geraldo Simões, conseguiu efetivar o movimento por meio da executiva nacional do PSOL. Os dois ex-petistas também postulam uma cadeira na Câmara dos Deputados.

PSOL mantém candidatura própria e endurece discurso contra Jerônimo

Hamilton garantiu que o PSOL vai manter a candidatura de Ronaldo Mansur ao Governo da Bahia e descartou apoio antecipado à reeleição de Jerônimo no primeiro turno.

Segundo ele, pesou no distanciamento o fato de o governador ter ignorado compromissos assumidos com o partido após o apoio dado no segundo turno da eleição passada.

“Uma gota d’água fez diferença naquela vitória apertada. Depois disso, houve uma tentativa de ignorar a contribuição do PSOL”, afirmou.

O vereador também elevou o tom nas críticas à política de segurança pública do Estado.

“Depois de 20 anos de governo do PT, é preciso admitir que a política de enfrentamento ao crime organizado não surtiu efeito”, declarou.

Hamilton afirmou ainda que a Bahia vive uma crise marcada pela violência policial e pelo avanço das facções criminosas sobre as periferias.

“A população negra sofre dos dois lados: da violência policial e da ocupação do crime organizado nos territórios”, disse.

## “A polícia da Bahia é a que mais mata no Brasil”

O parlamentar também criticou a letalidade policial no estado e disse que o modelo atual de segurança pública fracassou.

“É a polícia que mais mata no Brasil, e muita gente inocente”, afirmou.

De acordo com Hamilton, o debate sobre segurança não pode ficar restrito à repressão policial e precisa envolver políticas sociais, urbanização das periferias e oportunidades para a juventude.

Críticas a Bruno Reis e ao plano municipal de segurança

Na entrevista, Hamilton também fez críticas à Prefeitura de Salvador e ao Plano Municipal de Segurança Pública aprovado recentemente pela Câmara.

Segundo ele, a gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil) excluiu movimentos sociais e pesquisadores do debate.

“A prefeitura privilegiou uma consultoria técnica e deixou de ouvir a sociedade civil. O conselho municipal nasceu praticamente decorativo”, criticou.

Na avaliação do vereador, a participação popular no conselho criado pela prefeitura ficou reduzida diante do peso dado a representantes do próprio poder público.

Mandato aprova projetos contra feminicídio e machismo

Hamilton comemorou a aprovação de dois projetos de autoria do mandato durante a sessão da Câmara desta quarta-feira (13).

Um deles cria medidas de proteção para órfãos de mulheres vítimas de feminicídio. O outro institui ações voltadas à promoção de masculinidades saudáveis nas escolas municipais.

“A ideia é combater desde cedo a lógica da masculinidade tóxica, da violência e da misoginia”, explicou.

O vereador afirmou que a educação precisa ter papel central na prevenção da violência de gênero.

“As crianças aprendem muito cedo uma ideia de masculinidade baseada na imposição e na violência. Isso precisa mudar”, pontuou.

PSOL aposta em crescimento e Hamilton projeta futuro político

Pré-candidato a deputado federal, Hamilton admitiu que o PSOL enfrenta dificuldades financeiras para competir com grandes estruturas partidárias, mas disse acreditar no crescimento da legenda.

“Tem deputado dizendo que vai gastar mais de R$ 10 milhões. Nós não vamos gastar nem 10% disso”, afirmou.

Mesmo assim, ele demonstrou confiança na força política do partido e não escondeu ambições maiores para o futuro.

“Quem sabe a gente não pode disputar a Prefeitura de Salvador? Eu sempre pensei grande”, declarou.

Hamilton relembrou ainda sua trajetória pessoal, marcada pela origem humilde no bairro da Liberdade, em Salvador, e pela participação como vice na chapa presidencial de **Plínio de Arruda Sampaio**, em 2010.

“Eu dizia à minha mãe que ainda seria presidente do Brasil porque não era justo viver em condições tão miseráveis”, contou.

Confira a entrevista na íntegra:

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