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Lula defende SUS, educação integral e PEC da Segurança Pública em Sabatina do Ouvinte da CBN
Lula defende SUS, educação integral e PEC da Segurança Pública em Sabatina do Ouvinte da CBN
Candidato à reeleição à Presidência da República também respondeu a perguntas sobre ajuste fiscal e políticas para pessoas com deficiência.
Por Redação
01/10/2026 às 09:26

Foto: CBN
Ao longo desta semana, a CBN apresentou a Sabatina do Ouvinte, série em que candidatos à Presidência respondem a perguntas da audiência sobre temas que estão entre as principais preocupações dos brasileiros.
Eleições 2026: Ronaldo Caiado (PSD) participa da Sabatina do Ouvinte da CBN
Eleições 2026: Renan Santos (Missão) participa da Sabatina do Ouvinte da CBN
Foram convidados Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Todos concordaram com as regras da sabatina, mas o candidato Flávio Bolsonarnão enviou as respostas.
O presidente Lula, candidato à reeleição, é o entrevistado desta quinta-feira (1º).
Saúde
Ouvinte Jonatan pergunta: Apesar do SUS ser um programa muito elogiado no mundo inteiro pela sua universalidade, ele enfrenta alguns problemas estruturais, como espera prolongada por consultas, distribuição regional irregular de médicos, algumas regiões com muitos médicos, outras com escassez. Qual a proposta do seu governo para enfrentar esse problema, caso o senhor for eleito?
Lula: 'A verdade nua e crua é que o SUS é um programa extraordinariamente bom e ainda falta melhorar para atender as necessidades do povo. Mas é importante você lembrar que o Brasil é o único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes que tem um sistema universal de saúde pública. Agora veja, nunca se levou muito a sério.
Porque, veja, quem criou o SAMU fui eu, quem criou a Farmácia Popular fui eu, quem criou o Agora Tem Especialista fui eu. Quem criou os micro-ônibus para levar as pessoas doentes nas cidades fomos nós. Quem está agora fazendo as jamantas, 150 jamantas para percorrer o Brasil, cuidando dos danos das pessoas que moram no interior, fomos nós.
Quem criou o programa Brasil Sorridente fomos nós. Ou seja, nós aprovamos agora, tem mais especialistas aqui para cuidar de todas as doenças. Só para você ter ideia, a partir de agora, ao detectar o câncer e começar a tratar, não pode passar de 30 dias.
Eu tenho certeza, Jonathan, que o SUS vai ser reconhecido como o programa de saúde mais importante do mundo. Aqui, as pessoas antes morriam porque não tinham dinheiro para comprar remédio. Eu criei a Farmácia Popular para que ninguém morra por falta de remédio.
Por isso, o SUS está tendo sucesso agora. Depois de ser avacalhado há mais de 20 anos, o SUS agora começou a mostrar a que ele veio e para que ele veio. O SUS está vivendo o seu melhor momento.
E nós sabemos que ainda falta muito para que a gente possa acabar com qualquer tipo de fila.'
Ajuste fiscal
Ouvinte Bruno pergunta: Por que a dificuldade em admitir que o país precisa de um ajuste fiscal? E por que não propor um ajuste nas contas em geral?
Lula: 'O dado concreto é que eu sou o único presidente da história do Brasil que fez superávit primário durante os oito anos que eu fui presidente da República.
Não só aqui do Brasil, mas de todos o G20. Eu fui o único presidente a fazer superávit, porque eu aprendi com a dona Lindu, que é uma mulher analfabeta, que a gente não pode gastar aquilo que a gente não tem e a gente não pode fazer dívida mais do que a gente ganha. Por isso, as contas têm que estar equilibradas.
Agora, quando a economia não cresce, você tem o ajuste natural das coisas. No momento da inflação e reposição, você vai tendo que vai aumentando a dívida com relação ao PIB. Nós herdamos esse país com déficit de 2,8%.
Nós já entregamos esse ano com um orçamento de 0,1% de superávit. Portanto, pode ficar certo que eu aprendi há muito tempo atrás, sabe, tomar conta das contas, não permitir que se gaste demais e não gastar dinheiro em coisa que não vale a pena, não é comigo. Eu cuido das contas desse país, vou cuidar, porque, quanto mais as contas estiverem corretas, mais o povo vai sair ganhando.
O que eu não posso fazer é fazer ajuste fiscal prejudicando o pobre. O pobre não será prejudicado enquanto eu vou poder dar época, mas o ajuste fiscal vai ter sempre, porque é necessário.'
Educação
Ouvinte Ana Paula pergunta: Eu cresci ouvindo que o caminho é a educação. E entra governo, sai governo, e eu tenho a impressão de que isso é só um discurso. Como é que, no seu ponto de vista, a educação é a saída?
Lula: 'Eu continuo achando que a educação é a melhor e única saída para que a gente eleve o padrão de vida do povo brasileiro e o padrão de vida do Brasil, para correr lado a lado com outros países do mundo. Não existe nenhum exemplo de país que conseguiu crescer e ficar rico sem antes investir na educação. Por isso, eu tenho orgulho de ser o presidente da República que mais fez universidades, que mais fez institutos federais, que vão fazer com que todas as escolas brasileiras sejam de tempo integral.
Eu acredito que o Brasil tem que qualificar a nossa juventude. Nós temos que formar todo tipo de especialista para tratar com inteligência artificial, para tratar com essa coisa de minerais críticos e terras raras, para fazer a revolução energética, como a Dilma está fazendo, para fazer bateria de carro elétrico, para fazer celular, para fazer chips. Tudo isso, a juventude brasileira tem que estar preparada.
Por isso, eu continuo afirmando: tenho orgulho de ser o presidente que mais fez universidades, que mais fez institutos federais. E quero ter o orgulho de ser o presidente que vai ter 100% das escolas de tempo integral, do ensino fundamental ao ensino médio.
Nós vamos transformar o país em um país de alto grau de conhecimento, porque o Brasil tem que exportar inteligência e conhecimento, e não só commodities.'
Políticas públicas para pessoas com deficiência
Ouvinte Paula pergunta: Qual é o plano de governo pessoas com deficiência?
Lula: 'Ainda em 2004, no meu primeiro mandato, assinamos o decreto de acessibilidade. Foi uma virada de chave para o reconhecimento de direitos das pessoas com deficiência. Em 2023, no primeiro ano deste mandato, lançamos o novo Viver Sem Limites.
São 95 ações executadas por 12 ministérios, com o objetivo de eliminar as inúmeras barreiras, físicas ou não, que dificultam a vida das pessoas com deficiência no trabalho, na escola, na rua, nos espaços de lazer. O investimento previsto é de R$ 6,5 bilhões, e 64% das ações estão concluídas ou em andamento. Atualmente, são 3,7 milhões de pessoas com deficiência que recebem o BPC, que garante renda de vida mais digna.
Aliás, é também por causa do BPC que defendo a vinculação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo. Mais importante, retomamos a política nacional de educação especial inclusiva. Reeditamos vários decretopara aprimorar o acesso das pessoas com deficiência à educação.
Já distribuímos 1.510 ônibus escolares acessíveis desde o início do mandato. E, em 2023, lançamos a política nacional de educação bilíngue de surdo. Por isso, as coisas estão acontecendo.'
Segurança pública
Ouvinte Jadson pergunta: O senhor defende a aprovação de uma PEC para dar mais poder à União na segurança e promete criar um Ministério da Segurança Pública. No entanto, muitos governadores criticam essa medida como uma invasão da autonomia dos estados. Como o senhor pretende convencer os governadores estaduais a cooperarem? E, na prática, qual será a meta de redução de homicídios e roubos se esse novo ministério sair do papel?
Lula: 'Eu tenho que mudar a Constituição, porque, em 1988, a Constituição definiu que a responsabilidade da polícia militar e da polícia civil era da responsabilidade dos estados. E o governo federal tem a polícia federal, tem a polícia rodoviária federal e tem a polícia penal. O governo federal não pode se meter em crime que acontece nos estados.
É preciso a autorização do estado. Então, nós estamos querendo mudar a Constituição para criar um sistema único de segurança pública que funcione, que envolva a União, os estados e o município, definindo o papel de cada um na sua atuação. Na verdade, os governadores não querem que o governo federal se meta na segurança pública, porque aquilo é um braço de poder.
Mas nós temos consciência que, se a gente não tiver unificado a prefeitura, o governo do estado e o governo federal, a gente não consegue derrotar o crime organizado. Quando a Constituição foi aprovada, em 1988, era um tipo de bandidagem. Mas agora o crime organizado virou uma empresa multinacional.
Quem participa do crime organizado é político, é empresário, é ministro, é jogador de bola, é juiz, sabe? Tem um monte de gente de autoridade que participa do crime organizado, e virou uma empresa multinacional. Então, nós precisamos trabalhar mais unificados para a gente poder vencer isso.
E é por isso que eu vou aprovar a PEC e vamos cuidar da segurança pública nos estados.
Acompanhe a sabatina completa:
Fonte: CBN
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