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Defesa de Flávio Bolsonaro pediu quatro vezes para caso Dark Horse ficar com André Mendonça
Defesa de Flávio Bolsonaro pediu quatro vezes para caso Dark Horse ficar com André Mendonça
Por Redação
12/09/2026 às 10:19

Foto: Charles Vieira/Divulgação Campanha
A defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez pelo menos quatro pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que as investigações relacionadas ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, fossem concentradas sob a relatoria do ministro André Mendonça.
Os requerimentos buscavam evitar que uma parte das apurações permanecesse sob responsabilidade do ministro Flávio Dino, que já conduzia no Supremo investigações relacionadas a possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
A estratégia dos advogados começou após o caso envolvendo o financiamento do longa-metragem se dividir em duas frentes no STF: uma relacionada aos recursos provenientes do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outra envolvendo a suspeita de utilização irregular de recursos públicos destinados por meio de emendas.
Defesa alegou risco de decisões conflitantes
Nos pedidos apresentados ao Supremo, os advogados de Flávio argumentaram que manter investigações relacionadas ao mesmo filme sob relatorias diferentes poderia gerar decisões conflitantes.
A defesa sustentou que André Mendonça já analisava procedimentos envolvendo Vorcaro e o Banco Master e, por isso, deveria concentrar também as demais apurações relacionadas ao financiamento de Dark Horse.
Os advogados também levantaram questionamentos sobre a distribuição dos procedimentos dentro da Corte e defenderam a existência de conexão entre os fatos.
O primeiro pedido relacionado diretamente ao financiamento privado do filme acabou sendo direcionado a Mendonça. Em junho, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que uma notícia-crime envolvendo o financiamento de Dark Horse fosse redistribuída ao ministro, seguindo entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da área técnica do Supremo de que havia conexão com outros procedimentos já sob sua responsabilidade.
Parte sobre emendas permaneceu com Dino
A situação foi diferente em relação às suspeitas envolvendo emendas parlamentares.
Flávio Dino já era relator de processos que apuravam possíveis irregularidades na destinação dessas verbas. Foi durante essa investigação que surgiram elementos relacionados a entidades e empresas vinculadas à produção de Dark Horse.
A defesa de Flávio Bolsonaro tentou fazer com que essa frente também fosse enviada para Mendonça. Em julho, os advogados chegaram a pedir diretamente a Fachin que retirasse de Dino a investigação sobre possíveis repasses irregulares de emendas para entidades relacionadas ao projeto cinematográfico.
A tentativa não prosperou integralmente, e a parte relacionada às emendas continuou sob responsabilidade de Dino.
Com isso, os dois ministros passaram a conduzir investigações diferentes que, apesar de terem Dark Horse como ponto em comum, analisam fontes distintas de financiamento e suspeitas diferentes.
Mendonça investiga repasses de Vorcaro
A investigação sob responsabilidade de André Mendonça se concentra principalmente nos recursos destinados ao filme pelo grupo relacionado a Daniel Vorcaro.
O próprio Flávio Bolsonaro foi incluído formalmente nessa investigação em 22 de julho. A apuração analisa o repasse de aproximadamente R$ 61 milhões para financiar a produção e a suspeita de que os valores tenham sido disponibilizados a pedido do senador.
A ligação entre Flávio e Vorcaro ganhou força após a divulgação de áudios em que o senador aparece solicitando recursos para a produção. Flávio não nega a autenticidade das gravações, mas afirma que não existe irregularidade em buscar investimentos privados para um projeto cinematográfico.
A PF também identificou contatos frequentes entre os dois durante o período dos aportes. Em 16 de setembro de 2025, por exemplo, Flávio telefonou para Vorcaro no mesmo dia em que foi identificada a última transferência da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, fundo nos Estados Unidos utilizado no financiamento do longa.
Os investigadores ressaltam que a coincidência entre a ligação e a transferência, isoladamente, não comprova que a conversa tenha provocado o envio do dinheiro.
Investigação de Dino mira recursos públicos
Já a frente conduzida por Flávio Dino investiga suspeitas relacionadas à destinação de emendas parlamentares.
Essa apuração ganhou repercussão nesta semana após uma operação da Polícia Federal atingir pessoas e empresas ligadas ao projeto. Entre os investigados nessa frente está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), um dos idealizadores do filme.
Os investigadores analisam se recursos públicos destinados inicialmente a projetos executados por entidades privadas podem ter circulado por diferentes empresas antes de chegar à produtora responsável por Dark Horse.
É justamente essa parte que a defesa de Flávio tentou levar para André Mendonça nos sucessivos pedidos apresentados ao Supremo.
Advogados fizeram quatro tentativas
Segundo informações reveladas nesta sexta-feira (12), foram pelo menos quatro manifestações da defesa tentando concentrar as investigações com Mendonça.
Os advogados sustentaram que a existência de procedimentos paralelos sobre o mesmo filme poderia prejudicar a segurança jurídica e provocar decisões contraditórias.
Apesar dos pedidos, o Supremo manteve a divisão conforme a origem das diferentes investigações. Mendonça permanece responsável pela frente relacionada ao Banco Master e aos aportes de Vorcaro, enquanto Dino continua à frente da apuração originada nas suspeitas envolvendo emendas parlamentares.
A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidades relacionadas ao financiamento do filme e sustenta que os aportes ligados a Vorcaro foram investimentos privados. O inquérito conduzido por Mendonça segue apurando a origem, o caminho e a destinação final dos recursos.
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