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Mendonça diz que celular de Vorcaro está com a PF e cópia dos dados segue “lacrada e intocada”
Mendonça diz que celular de Vorcaro está com a PF e cópia dos dados segue “lacrada e intocada”
Por Redação
12/09/2026 às 07:15

Foto: Luiz Augusto/STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o celular original de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, permanece sob custódia da Polícia Federal (PF). Segundo o magistrado, seu gabinete recebeu apenas uma cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho, armazenada em um HD criptografado e mantida em envelope lacrado.
A manifestação foi encaminhada ao presidente do Supremo, Edson Fachin, depois de o ministro Cristiano Zanin solicitar acesso à íntegra do material apreendido no celular de Vorcaro.
Mendonça afirmou que a cópia existente em seu gabinete permanece “lacrada e intocada até o presente momento”. O ministro disse ainda que, quando assumiu a relatoria dos processos relacionados ao Banco Master, autorizou que a Polícia Federal seguisse o fluxo normal de trabalho e determinou que os materiais originais permanecessem sob responsabilidade da corporação.
Mendonça cita preservação da cadeia de custódia
Ao explicar por que o aparelho original continua com a Polícia Federal, Mendonça afirmou que a decisão buscou preservar a cadeia de custódia do material apreendido.
O procedimento é importante para manter registrado todo o histórico de coleta, armazenamento e análise das provas digitais utilizadas em uma investigação.
Apesar de o aparelho permanecer com a PF, a corporação entregou ao gabinete do relator uma cópia de segurança do conteúdo extraído. Segundo Mendonça, os arquivos foram colocados em um HD criptografado, posteriormente guardado dentro de um envelope lacrado.
O ministro sustenta que não acessou essa cópia até agora.
Zanin pede acesso à íntegra do celular
O esclarecimento de Mendonça ocorreu depois de Cristiano Zanin solicitar acesso a todo o material extraído do aparelho de Vorcaro.
Zanin argumentou que precisa conhecer a íntegra dos dados para analisar adequadamente o processo que será discutido pelo plenário do Supremo na próxima terça-feira (15).
A sessão extraordinária terá entre seus principais temas um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens enviadas por Vorcaro a um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Os registros foram recuperados durante a perícia realizada no aparelho apreendido com o ex-banqueiro. Parte das mensagens passou a levantar questionamentos sobre a relação entre Vorcaro e Moraes e sobre o conhecimento que o empresário teria das investigações contra o Banco Master.
Zanin entende que todos os ministros que participarão do julgamento precisam ter condições iguais de examinar os elementos utilizados pela Polícia Federal.
Zanin reiterou pedido após resposta
A primeira resposta de Mendonça não encerrou a discussão.
Depois de ser informado de que uma cópia estava lacrada no gabinete do relator, Zanin reiterou o pedido de acesso. Segundo ele, o material deveria ser compartilhado com os demais integrantes do Supremo para que todos tivessem a mesma oportunidade de analisar as informações antes do julgamento.
Como alternativa, Zanin sugeriu que a própria Polícia Federal disponibilizasse uma cópia dos dados a cada gabinete dos ministros que participarão da análise do caso.
Até a manifestação de Mendonça, não havia confirmação de que a íntegra da mídia seria disponibilizada aos demais integrantes da Corte.
Julgamento está marcado para terça-feira
A discussão ganhou urgência devido à sessão extraordinária convocada para 15 de setembro.
O plenário deverá analisar a controvérsia envolvendo o relatório policial sobre as mensagens entre Vorcaro e Moraes. Entre as possibilidades em discussão está o prosseguimento de apurações envolvendo o ministro ou o acolhimento de questionamentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a validade do relatório.
A PGR questionou a forma como as informações foram produzidas e pediu a anulação do documento da PF que revelou os diálogos. A controvérsia se tornou um dos principais pontos da crise instalada no Supremo nas últimas semanas.
Mensagens de Vorcaro estão no centro da crise
O conteúdo recuperado pela Polícia Federal ganhou repercussão depois que vieram a público mensagens enviadas por Vorcaro ao contato atribuído a Alexandre de Moraes.
Entre os registros estão conversas realizadas nos dias que antecederam a prisão do banqueiro, em novembro de 2025. A PF considera que parte do material pode indicar que Vorcaro possuía informações antecipadas sobre movimentos da investigação que atingiria o Banco Master.
Documentos analisados pela corporação também apontam que pessoas ligadas ao grupo de Vorcaro podem ter obtido informações sobre procedimentos sigilosos antes da deflagração da Operação Compliance Zero. As circunstâncias e a eventual origem dessas informações permanecem sob investigação.
Um aspecto importante é que o material divulgado até agora não representa necessariamente a íntegra de todas as comunicações existentes no aparelho. Esse é justamente um dos argumentos utilizados por Zanin para defender o acesso completo à mídia antes de formar seu voto.
Fachin cobra transparência sobre caso Master
Paralelamente à discussão sobre o celular, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Mendonça analisasse pedidos relacionados à retirada do sigilo de documentos das investigações do Banco Master.
Mendonça posteriormente tornou públicos 38 documentos relacionados a diferentes frentes do caso, mantendo sob sigilo apenas informações cuja divulgação poderia, segundo a avaliação judicial, prejudicar diligências ainda em andamento.
O relator argumenta que a divulgação indiscriminada do conteúdo integral do celular de Vorcaro poderia comprometer outras investigações que utilizam informações extraídas do aparelho.
Assim, a disputa agora envolve dois interesses: de um lado, a preservação do sigilo de investigações em andamento; de outro, a reivindicação de integrantes do STF por acesso ao material que poderá influenciar diretamente o julgamento marcado para terça-feira.
Por enquanto, segundo Mendonça, o aparelho original permanece sob custódia da Polícia Federal, enquanto a cópia entregue ao seu gabinete continua criptografada, lacrada e sem ter sido acessada.
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