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Delator detalha repasses de US$ 12,3 milhões para fundo ligado a filme sobre Bolsonaro

Delator detalha repasses de US$ 12,3 milhões para fundo ligado a filme sobre Bolsonaro

Por Redação

10/09/2026 às 07:49

Imagem de Delator detalha repasses de US$ 12,3 milhões para fundo ligado a filme sobre Bolsonaro

Foto: Divulgação / Dark Horse / Redes Sociais via LinkedIn

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, detalhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma série de transferências que somaram US$ 12,333 milhões, cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025, para o Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos e ligado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o relato do empresário, foram realizadas sete operações entre janeiro e setembro de 2025, estruturadas como subscrições de cotas do fundo. As movimentações teriam sido feitas pela empresa Entre Investimentos a pedido de Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master.

A subscrição de cotas é uma operação pela qual um investidor aporta recursos em um fundo em troca de participação. No caso investigado, esse mecanismo teria sido utilizado para realizar os pagamentos ao Havengate.

Delator cita pedido de Flávio Bolsonaro

De acordo com a colaboração, Vorcaro teria informado que os recursos haviam sido solicitados pelo senador e atual candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A afirmação faz parte do relato do delator e está sujeita à verificação dos investigadores.

Freixo Júnior contou que foi procurado por Vorcaro entre o fim de 2024 e o início de 2025 para organizar as operações. O planejamento inicial, segundo ele, previa aproximadamente US$ 24 milhões, distribuídos em mais de dez subscrições que seriam realizadas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

O cronograma, entretanto, não teria sido concluído. Sete transações foram realizadas antes da primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025.

Operações chegaram a US$ 12,3 milhões

As transferências identificadas e relatadas pelo empresário chegaram a US$ 12,333 milhões. Reportagens anteriores já haviam apontado seis pagamentos realizados até maio de 2025 e uma nova transferência de aproximadamente US$ 1,66 milhão em setembro daquele ano.

Esse último pagamento ganhou relevância porque ocorreu depois do período que havia sido anteriormente apontado por Flávio Bolsonaro como o encerramento dos repasses de Vorcaro relacionados ao projeto. Questionado posteriormente sobre as movimentações, o senador afirmou que os esclarecimentos sobre as contas deveriam ser prestados pela produtora responsável pelo filme.

O delator também afirmou que, antes de cada nova subscrição, Vorcaro entrava em contato para autorizar a formalização e o respectivo pagamento. Freixo Júnior entregou às autoridades documentos relacionados às operações, incluindo comprovantes e comunicações sobre o fundo.

Fundo está sediado nos Estados Unidos

O Havengate Development Fund aparece nas investigações como uma das estruturas utilizadas para receber os recursos destinados ao projeto cinematográfico.

Segundo o relato de Freixo Júnior, no início de 2025 houve contato com Paulo Calixto, responsável pelo fundo, para formalizar a operação. Calixto também é apontado como advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Uma carta de compromisso teria sido assinada em janeiro daquele ano prevendo as diversas subscrições.

A Polícia Federal investiga o caminho percorrido pelo dinheiro e busca esclarecer se a totalidade dos recursos enviados ao Havengate foi efetivamente empregada na produção de Dark Horse. Também são apuradas outras possíveis destinações, mas não há conclusão definitiva sobre eventual desvio dos valores.

Delação foi homologada por Mendonça

O acordo de colaboração de Mineiro foi firmado com a PGR em agosto e posteriormente submetido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mendonça homologou o acordo nesta quarta-feira (9). Com isso, as declarações e os documentos apresentados pelo empresário podem ser formalmente utilizados nas investigações, desde que as informações sejam verificadas e corroboradas por outros elementos de prova.

A homologação de uma delação não significa que o STF tenha reconhecido como verdadeiras todas as acusações apresentadas pelo colaborador. Nessa etapa, são avaliadas questões como legalidade, regularidade e voluntariedade do acordo. O conteúdo relatado precisa ser confrontado com outras provas durante a investigação.

Caso Dark Horse está sob investigação

Os repasses para Dark Horse já vinham sendo investigados pelas autoridades. Em julho, Mendonça autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para apurar o caminho do dinheiro destinado ao projeto.

As investigações ganharam novos elementos com documentos financeiros, mensagens e agora com a colaboração de Freixo Júnior. A apuração busca esclarecer a origem, o percurso e a destinação final dos milhões de dólares movimentados.

O caso permanece em investigação, e as afirmações apresentadas na delação ainda dependem de comprovação independente para que possam eventualmente sustentar acusações formais contra os envolvidos.

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