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Candidata a governadora é assassinada durante campanha no Peru; promotoria apura crime por encomenda
Candidata a governadora é assassinada durante campanha no Peru; promotoria apura crime por encomenda
Jornalista Susy Aponte disputava o governo regional de Áncash e havia relatado ameaças dias antes do crime; autoridades peruanas confirmaram detenções e investigam a motivação do assassinato.
Por Redação
21/09/2026 às 10:51
Atualizado em 21/09/2026 às 11:12

Foto: Reprodução
A jornalista e candidata ao governo regional de Áncash, Susy Aponte Polo, foi assassinada durante um ato de campanha realizado no sábado (19), na cidade de Caraz, no Peru. A Promotoria peruana passou a investigar o caso como possível sicariato, modalidade de homicídio por encomenda, enquanto busca identificar a motivação e eventuais envolvidos no crime.
Conhecida como "La China Polo", Aponte tinha 43 anos e concorria pelo movimento político Socios por Áncash nas eleições regionais marcadas para 4 de outubro. Ela também atuava como jornalista e administrava o portal informativo China Polo Dominical, no qual divulgava denúncias sobre supostas irregularidades e casos de corrupção envolvendo instituições públicas.
Outras pessoas ficaram feridas durante o ataque e foram encaminhadas para atendimento médico. As informações iniciais sobre o número de feridos divergiram entre as autoridades e veículos locais, variando de duas a cinco vítimas além da candidata.
Promotoria investiga possível crime por encomenda
A investigação ganhou novos desdobramentos neste domingo (20). O Ministério Público peruano informou que o caso passou a ser tratado como possível sicariato.
As autoridades trabalham para determinar não apenas quem participou diretamente do ataque, mas também se outras pessoas financiaram ou encomendaram o crime. Até o momento, a motivação não foi oficialmente estabelecida.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades peruanas, suspeitos foram detidos após o assassinato. Entre eles está um cidadão venezuelano apontado como possível autor material. O fiscal-geral do Peru, Tomás Gálvez, também informou que a apuração alcançou um suposto financiador e outra pessoa investigada por possível participação na logística do crime.
As responsabilidades individuais ainda estão sendo apuradas, e as detenções não representam condenação.
Candidata havia relatado ameaças
Um dos principais pontos analisados pelos investigadores são as declarações feitas por Susy Aponte antes de sua morte.
No dia 10 de setembro, nove dias antes do crime, a jornalista afirmou publicamente que estava recebendo ameaças. Segundo ela, ligações provenientes de unidades prisionais teriam alertado sobre um suposto plano contra sua vida.
Aponte chegou a atribuir publicamente as ameaças ao então chefe da Direção de Investigação Criminal da Polícia Nacional do Peru, Víctor Revoredo Farfán. A declaração feita pela candidata é uma acusação que ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades, e não há conclusão oficial estabelecendo relação entre o policial citado e o assassinato.
A investigação busca determinar se as ameaças relatadas anteriormente possuem relação com o crime.
Jornalista publicava denúncias
Além da candidatura política, Susy Aponte tinha atuação conhecida no jornalismo regional.
Por meio do China Polo Dominical, ela divulgava denúncias sobre supostos casos de corrupção e irregularidades em prefeituras e instituições públicas, incluindo a Polícia Nacional e o Ministério Público peruano.
Poucos dias antes de ser assassinada, em 15 de setembro, Aponte havia participado de um debate promovido pelo Júri Nacional de Eleições do Peru (JNE) com candidatos ao governo regional de Áncash.
O JNE condenou o assassinato e pediu uma investigação célere para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar os responsáveis.
Entidade cobra esclarecimento do assassinato
O Conselho da Imprensa Peruana também se manifestou e pediu que as autoridades esclareçam a motivação do homicídio.
A preocupação ocorre em meio a episódios recentes de violência contra profissionais da imprensa no país. Segundo dados policiais citados pela AFP, quatro jornalistas foram assassinados no Peru em 2025.
Agora, as autoridades peruanas tentam estabelecer se o assassinato de Susy Aponte está relacionado à atuação jornalística, à campanha eleitoral, às denúncias que fazia ou a outra motivação.
Com as eleições regionais previstas para 4 de outubro, o caso também provocou repercussão no cenário político peruano. As investigações continuam e deverão determinar as circunstâncias do crime e a eventual participação de outras pessoas.
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