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Cabo do Exército é investigado por suspeita de fornecer munições ao tráfico em Salvador

Cabo do Exército é investigado por suspeita de fornecer munições ao tráfico em Salvador

Por Redação

14/09/2026 às 10:31

Imagem de Cabo do Exército é investigado por suspeita de fornecer munições ao tráfico em Salvador

Foto: Reprodução/TV Globo

Um cabo do Exército Brasileiro lotado em Salvador é investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de fornecimento de munições e outros materiais militares para integrantes do tráfico de drogas na capital baiana. A apuração é conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

O militar investigado é Deivison dos Santos Ferreira, integrante do 6º Batalhão de Polícia do Exército (BPE). Segundo os investigadores, ele teria negociado materiais de uso restrito com integrantes de organizações criminosas que atuam na Bahia.

A estimativa da investigação é de que aproximadamente mil munições de fuzil tenham sido negociadas pelo cabo com um dos grupos investigados. Também são apuradas suspeitas envolvendo outros materiais militares.

Investigação começou a partir de celulares apreendidos

As suspeitas contra o militar surgiram durante uma investigação mais ampla sobre o narcotráfico em Salvador.

Em abril, policiais localizaram um imóvel utilizado, segundo a apuração, para armazenar e preparar drogas no bairro de Itapuã. Celulares apreendidos durante a operação foram submetidos à análise e revelaram conversas que levaram os investigadores até o cabo do Exército.

Um dos aparelhos pertencia a um homem apontado pela polícia como responsável pela negociação e revenda de drogas e armamentos para organizações criminosas.

Foi a partir das conversas encontradas nesse telefone que os investigadores identificaram o suposto contato com o militar.

Segundo a apuração, informações pessoais compartilhadas nas próprias conversas contribuíram para que as autoridades chegassem à identidade do investigado.

Cerca de mil munições são investigadas

A Polícia Civil estima que, somente nas negociações relacionadas ao grupo investigado, aproximadamente mil munições tenham sido repassadas pelo militar.

A investigação agora tenta determinar a origem de todo o material e esclarecer de que maneira ele teria saído do controle militar e chegado às mãos dos criminosos.

Uma das linhas de investigação analisa a possibilidade de que parte do material tenha sido desviada durante atividades e treinamentos militares.

As autoridades também trabalham para identificar se outras pessoas podem ter participado do suposto esquema. Até o momento, porém, os investigadores evitam concluir que outros integrantes do Exército tenham participado das negociações.

Militar já estava preso

Nesta semana, uma grande operação das forças de segurança teve como alvo integrantes da organização criminosa investigada.

A ação mobilizou cerca de 250 agentes e resultou na prisão de 33 pessoas, segundo informações divulgadas sobre a investigação. Foram realizadas prisões em Salvador, na Região Metropolitana, no interior da Bahia e também em outros estados.

Um dos mandados tinha como alvo o cabo Deivison. O militar, no entanto, já estava preso preventivamente desde o mês anterior, por determinação da Justiça Militar, em outra investigação.

De acordo com o Comando da 6ª Região Militar, a prisão preventiva está relacionada a uma apuração sobre o desaparecimento de coletes balísticos.

O Exército informou que o militar permanece custodiado em uma unidade militar e à disposição da Justiça.

Polícia tenta descobrir extensão do suposto esquema

A descoberta das conversas abriu uma nova frente de investigação para esclarecer a dimensão do possível desvio de materiais militares.

Além de determinar a origem do material, as autoridades procuram identificar eventuais intermediários e outros participantes que possam ter contribuído para que itens sob controle militar chegassem a organizações criminosas.

A Polícia Civil e o Ministério Público também analisam diferentes conversas encontradas nos aparelhos apreendidos para reconstruir as negociações e verificar se o esquema teria atendido outros grupos criminosos.

Defesa nega acusações

A defesa de Deivison dos Santos Ferreira nega as acusações contra o militar.

Os advogados afirmaram que ele contesta as suspeitas levantadas durante a investigação e que os fatos serão esclarecidos no decorrer do processo. A defesa também trabalha para tentar reverter as prisões impostas ao cabo.

As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação. As autoridades continuam apurando a origem dos materiais, a eventual participação do militar e se outras pessoas tiveram envolvimento no caso.

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