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PF suspeita que Toffoli seja beneficiário final de fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro
PF suspeita que Toffoli seja beneficiário final de fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro
Por Redação
11/09/2026 às 08:02

Foto: Andressa Anholete/STF
A Polícia Federal (PF) levantou a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenha sido o beneficiário final de operações envolvendo R$ 35 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a estruturas financeiras relacionadas ao resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná.
As suspeitas constam de um relatório elaborado pela PF sobre as relações entre Vorcaro e Toffoli. Os investigadores analisaram mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro, documentos societários e movimentações financeiras envolvendo fundos e empresas que tiveram participação no empreendimento. As conclusões são tratadas como indícios e hipóteses investigativas, e não como comprovação de crime cometido pelo ministro.
PF rastreou R$ 35 milhões
Um dos principais elementos analisados pela Polícia Federal são conversas entre Vorcaro e seu cunhado, o empresário e pastor Fabiano Zettel, apontado nas apurações como responsável por organizar determinadas operações financeiras do ex-banqueiro.
As mensagens indicam que Vorcaro foi cobrado por pagamentos relacionados ao Tayayá e posteriormente autorizou repasses que, juntos, chegaram a R$ 35 milhões. Segundo informações já reveladas sobre a investigação, uma primeira parcela teria sido de R$ 20 milhões e outra de R$ 15 milhões.
A PF passou a investigar quem efetivamente teria se beneficiado desses recursos e qual seria a relação das operações com a antiga estrutura societária do resort.
O Tayayá tornou-se um dos principais pontos de interesse no caso Master porque empresas da família de Toffoli tiveram participação no empreendimento ao lado de um fundo conectado à rede de investimentos relacionada a Vorcaro.
Investigadores levantam hipótese sobre Toffoli
No relatório, os investigadores avaliam a possibilidade de Toffoli ter sido o beneficiário final das operações financeiras relacionadas aos R$ 35 milhões.
A suspeita decorre, entre outros elementos, das mensagens recuperadas pela PF e das relações societárias envolvendo o resort. A corporação elaborou um documento de aproximadamente 200 páginas sobre as conexões entre o ministro e o ex-controlador do Master e encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin, em fevereiro.
Naquele momento, os elementos apresentados não foram considerados suficientes para a abertura de uma investigação formal contra Toffoli. As revelações, porém, contribuíram para que o ministro deixasse a relatoria dos processos relacionados ao Banco Master.
A condução do caso passou posteriormente ao ministro André Mendonça.
PF cita possível encontro na casa do ministro
Outro elemento mencionado nas apurações é a possibilidade de ter ocorrido um encontro envolvendo pessoas ligadas ao caso em uma residência de Toffoli.
A Polícia Federal busca esclarecer o contexto de eventuais encontros e contatos entre o ministro, Vorcaro e pessoas relacionadas às operações investigadas. Esse tipo de informação é confrontado com registros financeiros, mensagens, agendas e outros documentos obtidos durante as investigações.
Até o momento, porém, a existência de contatos ou encontros, por si só, não comprova participação do ministro em eventual irregularidade. A apuração busca determinar se houve alguma relação entre esses contatos e as operações financeiras do Banco Master.
Resort colocou Toffoli no centro das apurações
As conexões envolvendo Toffoli ganharam repercussão no início de 2026, quando vieram à tona informações de que uma empresa ligada à família do ministro havia participado da sociedade do Tayayá Aqua Resort.
A empresa familiar Maridt chegou a controlar participação no empreendimento. Posteriormente, essa participação foi negociada com uma estrutura financeira ligada à rede de fundos associada a Daniel Vorcaro.
Toffoli confirmou anteriormente que fazia parte do quadro societário da Maridt ao lado de familiares. Segundo a versão apresentada pelo ministro a interlocutores, os recursos que recebeu tiveram origem justamente na venda da participação da empresa no resort, e não em qualquer pagamento irregular realizado pelo ex-banqueiro.
A Maridt era uma sociedade anônima, razão pela qual o nome do ministro não aparecia diretamente em consultas públicas comuns sobre a composição societária.
Toffoli nega irregularidades
Quando as primeiras informações sobre os repasses vieram a público, Toffoli afirmou a outros integrantes do Supremo que os pagamentos estavam relacionados a uma operação empresarial regular envolvendo sua participação na Maridt.
Em fevereiro, durante discussões internas no STF sobre sua permanência na relatoria do caso Master, o ministro apresentou documentos aos colegas e rejeitou as suspeitas envolvendo sua relação com Vorcaro.
Apesar de sustentar que não existia motivo jurídico para declarar sua suspeição, Toffoli acabou deixando a condução dos processos diante do desgaste provocado pelas revelações. O STF afirmou à época que a mudança de relatoria não significava reconhecimento de irregularidade e manteve válidas as decisões tomadas pelo magistrado.
Relações com Vorcaro seguem sob escrutínio
As informações sobre Toffoli integram um conjunto mais amplo de apurações relacionadas ao Banco Master e às relações mantidas por Daniel Vorcaro com integrantes do Judiciário e outras autoridades.
Nos últimos meses, documentos e mensagens recuperados pela Polícia Federal provocaram uma crise dentro do Supremo. Além das revelações envolvendo Toffoli, vieram a público informações relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, levando o presidente da Corte, Edson Fachin, a intervir na condução de procedimentos relacionados ao caso.
No caso específico de Toffoli, é importante destacar que as conclusões apresentadas pela PF sobre eventual condição de beneficiário final dos recursos são suspeitas investigativas que ainda precisam ser comprovadas. O ministro sustenta que os valores recebidos tiveram origem legítima na negociação de sua participação empresarial no resort Tayayá.
A análise das operações financeiras e das mensagens recuperadas pela Polícia Federal deverá continuar sendo utilizada para esclarecer o destino dos R$ 35 milhões e verificar se existe fundamento para novas medidas investigativas.
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