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Caso Dark Horse: PF aponta “circuito fechado” entre empresas para ocultar recursos de emendas

Caso Dark Horse: PF aponta “circuito fechado” entre empresas para ocultar recursos de emendas

Por Redação

11/09/2026 às 06:36

Imagem de Caso Dark Horse: PF aponta “circuito fechado” entre empresas para ocultar recursos de emendas

Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) identificou um suposto “circuito financeiro fechado” envolvendo empresas e entidades investigadas por possível desvio de recursos de emendas parlamentares. Parte do dinheiro sob apuração teria percorrido diferentes empresas antes de chegar à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As suspeitas fazem parte da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up e presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB).

A investigação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações. As suspeitas ainda estão sendo investigadas e não representam condenação dos envolvidos.

PF rastreia caminho de R$ 700 mil

Um dos principais pontos da investigação envolve o Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Gama. Segundo a PF, o instituto recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas por Mário Frias.

Parte desses recursos deveria financiar um projeto educacional voltado ao letramento digital e ao empreendedorismo. Dentro desse projeto, aproximadamente R$ 700 mil foram pagos pelo ICB a duas organizações ligadas ao empresário Heric Fabiano Dias e a Dayvid Moreira Medeiros.

A Dinâmica Editora recebeu R$ 400 mil, enquanto o Instituto Super Poder Educacional recebeu outros R$ 300 mil.

O que chamou a atenção dos investigadores aconteceu posteriormente. A NTT Brasil Ltda., outra empresa administrada por Heric Dias, realizou uma transferência única de R$ 750 mil para a Go Up Entertainment.

Para a PF, a proximidade entre os valores é relevante para a investigação. Os policiais analisam a hipótese de que dinheiro público destinado inicialmente ao ICB tenha circulado por empresas relacionadas antes de chegar à produtora responsável por Dark Horse.

A PF ressalva, porém, que os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil transferidos pela NTT tenham origem direta nos R$ 700 mil pagos pelo instituto. As coincidências de valores, vínculos empresariais e datas são tratadas como indícios que precisam ser aprofundados.

Investigadores falam em “circuito financeiro fechado”

Ao analisar o conjunto das operações, a Polícia Federal afirmou que as movimentações não seriam compatíveis, em sua avaliação, com relações comerciais independentes e economicamente justificadas.

Segundo os investigadores, a circulação entre o parlamentar, a entidade executora, empresas contratadas e outras organizações beneficiárias apresentaria características de um “circuito financeiro fechado”, no qual valores circulam, são fragmentados e posteriormente reintroduzidos entre integrantes de um mesmo núcleo.

A investigação também encontrou outros movimentos financeiros considerados relevantes envolvendo a Go Up.

Mário Frias transferiu R$ 645 mil à produtora

Além dos R$ 750 mil enviados pela NTT Brasil, a Polícia Federal identificou R$ 645,4 mil transferidos diretamente por Mário Frias à Go Up Entertainment em um intervalo inferior a 60 dias.

Os investigadores questionam a origem dos valores considerando os rendimentos mensais atribuídos ao deputado, de aproximadamente R$ 44 mil.

Frias contesta as suspeitas. O parlamentar classificou a investigação como uma “cortina de fumaça” e afirmou que suas emendas foram destinadas a projetos sociais, incluindo iniciativas de letramento digital e atividades voltadas a crianças e jovens.

Produtora movimentou R$ 19 milhões

Outro ponto que chamou a atenção da PF foi a movimentação financeira da Go Up justamente durante o período de produção de Dark Horse.

Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a produtora movimentou aproximadamente R$ 19 milhões, sendo cerca de R$ 9 milhões em entradas e R$ 10 milhões em saídas.

As gravações do filme aconteceram em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, período que coincide parcialmente com as movimentações consideradas atípicas.

Entre as despesas identificadas aparecem aproximadamente R$ 906,7 mil com hospedagem e outros R$ 653 mil com alimentação, além de pagamentos para empresas do setor audiovisual.

A PF considera a coincidência temporal relevante para esclarecer se recursos públicos eventualmente desviados podem ter sido utilizados para custear despesas relacionadas à produção cinematográfica.

Outros aportes também estão sob análise

Os documentos analisados pelos investigadores mostram ainda outros repasses expressivos à Go Up.

O publicitário Marcello Lopes, que trabalhou na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, transferiu R$ 1 milhão para a produtora em dezembro de 2025. Lopes confirmou o pagamento e afirmou que o valor correspondia a um investimento particular no filme, realizado após um pedido de Mário Frias.

Relatórios financeiros também apontaram outros remetentes relevantes durante o período analisado, incluindo a Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões, e a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,61 milhões.

Operação cumpriu 49 mandados

A Operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

A PF afirma investigar uma possível organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado recursos de emendas para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação suficiente da efetiva prestação dos serviços.

Dino também determinou a suspensão de pagamentos provenientes de contratos públicos envolvendo entidades e empresas investigadas, salvo autorização específica do relator. Entre as empresas citadas está justamente a Go Up Entertainment.

Karina Gama nega irregularidades. Mário Frias também rejeita as acusações e sustenta que os recursos das emendas foram destinados aos projetos previstos. As suspeitas apresentadas pela PF continuam sob investigação e dependerão da análise das provas reunidas durante a operação.

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