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Aliado de Flávio diz que brasão e título de 'presidente eleito' foram erros do ChatGPT: 'achamos muito engraçado'

Aliado de Flávio diz que brasão e título de 'presidente eleito' foram erros do ChatGPT: 'achamos muito engraçado'

Paulo Figueiredo diz que a versão final escreve 'verdadeiro líder' por 'precisão jurídica' e 'liderança que carrega um valor moral'.

Por Redação

29/10/2026 às 12:59

Flávio Flávio usa Brasão da República, com 'Estados Unidos do Brazil' escrito, em carta em que se autoproclama presidente

Foto: RICARDO ARDUENGO/AFP; Reprodução

O jornalista Paulo Figueiredo, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL), revelou que o brasão antigo com 'Brazil' e o título de 'presidente eleito' da carta de teor golpista divulgada nessa quarta-feira (28), foram por causa da inteligência artificial.

Ele disse que o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que compartilhou o texto nas redes sociais, 'pediu ao ChatGPT que inserisse o brasão da República. Por que o ChatGPT escolheu um brasão antigo da época em que Brasil se escrevia com Z, eu não sei'.

Ele completa que 'nós achamos muito engraçado'.

'O segundo erro foi que, ao gerar o documento, a IA acabou incluindo uma versão anterior do texto, em que o Flávio se apresentava como o verdadeiro "presidente eleito"', segue ele.

Paulo Figueiredo diz que a versão final escreve 'verdadeiro líder' por 'precisão jurídica' e 'liderança que carrega um valor moral'.

'Quando me mandaram a versão tida como final, perguntei se podia distribuir para a imprensa e me deram o ok. Assim o fiz e publiquei no meu X. Pouco depois percebemos os equívocos e corrigimos: primeiro o brasão, depois o texto. Para evitar conflito de versões, deixamos inclusive que o próprio Flávio tuitasse a versão corrigida. Nada demais', escreveu.

Flávio Bolsonaro em fotos publicadas nas redes sociais com Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem.

Reprodução/Redes Sociais

Um grupo de 10 advogados apresentou à Polícia Federal uma notícia de fato pedindo uma investigação sobre o uso do brasão da República em uma carta de teor golpista divulgada nessa quarta-feira (28) pelo senador Flávio Bolsonaro.

Inicialmente, o texto do político dizia que ele era o 'verdadeiro presidente eleito', usando o brasão antigo do país, escrito como 'Estados Unidos do Brazil'. Depois, o texto mudou para o brasão atual e cita ele como 'líder do Brasil'.

O pedido é assinado pelos advogados Reinaldo Santos de Almeida, do Rio de Janeiro, e Anderson Lopes, Ricardo Ueno, Caio Ferreira, Sean Kompier Abib, Marcos Rodolfo Araujo Sá, André Jorgetto, Eduardo Samoel Fonseca, Thais Cristina Tavares e Gilney Batista de Melo, de São Paulo.

Segundo a notícia, foram três versões da carta que circularam em menos de uma hora. Uma primeira trazia o brasão de 1889, nas seguintes sendo modificadas para os brasões atuais.

Os advogados defendem que a mudança do símbolo pode indicar 'uso indevido de sinal público para conferir aparência oficial a uma manifestação política particular'.

'O uso foi indevido sob qualquer ângulo: i.) a carta não é ato oficial de nenhum órgão da União, e muito menos da Presidência da República, cargo que o noticiado [Flávio Bolsonaro] não ocupa e nem ocupará; ii.) não se trata de papel de expediente do Senado Federal, nem o documento foi produzido no exercício da função parlamentar típica; e iii.) o símbolo foi associado à falsa qualidade de 'presidente eleito" e, na versão final, à de 'líder do Brasil', com o fim declarado de se apresentar perante a 'comunidade internacional' como titular de investidura estatal que não possui', diz um trecho da notícia de fato.

Eles pedem que sejam preservados arquivos e metadados, para entender quem produziu e divulgou as versões. Também pedem que a apuração do crime de uso indevido de símbolo identificador da Administração Pública.

Por fim, os advogados defendem que o caso seja submetido ao Supremo Tribunal Federal para abertura de um inquérito. E tentam entender se servidores ou canais do gabinete de Flávio estiveram envolvidos com o documento.

Flávio Bolsonaro (PL)

Bruno Peres/Agência Brasil

A carta com teor golpista publicada em duas versões por Flávio Bolsonaro gerou novo mal-estar entre aliados e partidos políticos que estiveram com ele no segundo turno das eleições.

No primeiro documento, ele se autointitulava como "verdadeiro presidente eleito" e usou o brasão antigo dos Estados Unidos do Brazil, com Z. Depois, em uma segunda versão, ele se autodenominou "líder do Brasil" e corrigiu o brasão para República Federativa do Brasil.

Na carta Flávio voltou a questionar o resultado das urnas, falou em uma suposta fraude eleitoral, se comparou ao jurista brasileiro Rui Barbosa, e ao general francês Charles de Gaulle e agradeceu aos presidentes Javier Milei e Donald Trump.

O senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha de Flávio, disse que houve um erro de confecção na carta de Flávio e que ele estava fazendo um desabafo. Ponderou, porém, que nem ele nem o PL podem afirmar que houve fraudes nas eleições.

Partidos como o União Brasil, o MDB e o PSD reagiram ao texto do parlamentar e lançaram notas reafirmando a legitimidade da vitória de Lula.

O governador reeleito de São Paulo Tarcísio de Freitas, que esteve com Flávio em todos os palanques do segundo turno, rebateu o conteúdo da carta ao dizer que é necessário respeitar urnas e seguir em frente.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, também veio à publico ressaltando que "as eleições transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais". Ele reforçou que eventuais questionamentos serão analisados e respondidos. Os ministros do Supremo Tribunal Federal prefiriram se manter em silêncio: o entendimento é que não vale a pena dar munição para uma crise criada pelo próprio candidato derrotado.

Depois de uma fuga secreta que durou dois dias, o senador Flávio Bolsonaro chegou a Miami com a família na manhã de quarta (28). Ele deixou o país apesar da proibição do STF e em descumprimento à decisão pelo recolhimento dos passaportes. Embora o passaporte diplomático tenha sido cancelado, Flávio entrou nos Estados Unidos utilizando o documento e recebeu autorização humanitária para ficar em solo americano.

Fonte: CBN

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