Alcolumbre vai analisar voto remoto de Flávio Bolsonaro após viagem aos EUA
Líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, apresentou duas questões de ordem para questionar a ausência de comunicação oficial da viagem e pedir a anulação de voto do parlamentar.
Por Redação
05/11/2026 às 08:35

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que vai analisar a situação do senador Flávio Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos mas participou remotamente de votações no Senado. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, apresentou duas questões de ordem para questionar a ausência de comunicação oficial da viagem e pedir a anulação do voto do parlamentar na sessão que deliberação sobre a PEC da Segurança Pública. Alcolumbre disse que a mesa vai analisar o caso.
Randolfe cobrou esclarecimentos sobre o cumprimento do Regimento Interno do Senado. O artigo 39 estabelece que os parlamentares devem comunicar à Presidência da Casa quando se ausentarem do país, informando o período da viagem.
O senador também questionou a participação de Flávio na sessão de terça-feira, quando o parlamentar registrou presença e votou remotamente, mesmo estando em território americano. Randolfe pediu que o voto seja anulado caso fique constatado que o senador deixou o Brasil sem cumprir os procedimentos regimentais.
'A presença aqui, sem ter comunicado à mesa da Casa e sem ter tido autorização desse plenário. Grave, presidente. O senador Flávio Bolsonaro votou no tema colocado. Eu não quero censurar e vetar voto de ninguém. Ele diz que pediu exílio em uma ditadura, mas ele quer, de lá dos Estados Unidos, participar dos debates do parlamento dessa ditadura. Que caso curioso e inusitado'.
Ao responder, Alcolumbre explicou que Flávio conseguiu participar da sessão porque os trabalhos foram realizados em formato semipresencial, modalidade que permite aos senadores registrar presença e votar pelo aplicativo do Senado. O presidente da Casa, no entanto, afirmou que vai consultar a assessoria técnica e a Mesa Diretora para definir o encaminhamento das questões apresentadas.
'O senador Flávio Bolsonaro teve condições de votar no dia de ontem por um único motivo, que em todas as sessões convocadas semi-presencial, os nossos colegas senadores podem votar pelo aplicativo do telefone celular, e também registrar presença'.
Nos bastidores, no entanto, Alcolumbre não deve impor restrições a Flávio Bolsonaro. Segundo a jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, Alcolumbre não quer entrar em rota de colisão com o PL, já que deve disputar a presidência do Senado contra Rogério Marinho no ano que vem. O atual presidente conta com votos dissidentes do próprio PL para se eleger e, portanto, não deve criar empecilhos para a atuação de Flávio.
O senador também seguirá recebendo salário, a não ser que haja uma decisão da Justiça em sentido contrário. São pouco mais de 46 mil reais por mês. O mandato de Flávio se encerra em 31 de janeiro de 2027. Depois disso, ele ficará sem cargo público pela primeira vez em 24 anos.
Fonte: CBN
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