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Venda de imóveis de Jaques Wagner é barrada após operação da PF e bloqueio do STF
Venda de imóveis de Jaques Wagner é barrada após operação da PF e bloqueio do STF
Por Evilásio Júnior
18/07/2026 às 12:12

Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado
A tentativa de venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) foi barrada por um cartório da Bahia um dia após o parlamentar ser alvo de uma operação da Polícia Federal. A medida ocorreu em cumprimento a uma ordem de bloqueio de bens expedida pelo ministro do STF André Mendonça.
Conforme documentos obtidos pelo Estadão, o petista protocolou a transação no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari em 19 de junho de 2026 — um dia após ser alvo da nona fase da Operação Compliance Zero. No entanto, o cartório registrou a indisponibilidade do bem e impediu a transferência de propriedade.
Além do terreno, o congressista também havia negociado a venda de um apartamento de luxo em Salvador, no Corredor da Vitória, por R$ 10 milhões. A transação, que já estava em fase de registro, também foi bloqueada após a decisão do STF.
Mesmo com os entraves, Wagner já teria recebido ao menos R$ 12 milhões relacionados aos negócios.
Negócio envolve área estratégica na RMS
O terreno negociado possui cerca de 51 mil m² e está localizado na Região Metropolitana de Salvador. A área foi vendida a uma empresa ligada ao Grupo City — conglomerado que controla a SAF do Esporte Clube Bahia — em parceria com incorporadoras do setor imobiliário.
A previsão é de que o espaço integre um novo empreendimento associado ao centro de treinamento da agremiação.
Em nota, a comunicação do Bahia informou que adquiriu terrenos de cinco proprietários diferentes e que a área de Wagner representa cerca de 4% do total, ao destacar que o bloqueio não compromete o projeto.
Forma de pagamento foi alterada
Inicialmente, o acordo previa o pagamento de R$ 15,8 milhões por meio de nota promissória com vencimento em 2029.
Posteriormente, houve mudança: Wagner teria solicitado R$ 2 milhões à vista — valor já pago — e o restante em lotes do futuro empreendimento imobiliário.
A tentativa de formalização da venda, no entanto, ocorreu já sob efeito da investigação federal, o que resultou no bloqueio imediato pelo cartório.
Investigação apura suposta propina
A operação da Polícia Federal investiga suspeitas de que Wagner teria solicitado vantagens indevidas ao empresário Augusto Lima, ligado ao Banco Master.
Entre os pontos apurados está a suposta aquisição de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador, que teria sido destinado à filha do senador.
O imóvel teria sido comprado por meio de uma empresa em nome de terceiros, com recursos de uma corretora investigada por participação em crimes financeiros.
Defesa nega irregularidades
Procurado, Wagner não comentou diretamente os negócios imobiliários. Em nota, a defesa, representada pelo advogado Pablo Domingues, afirmou que não há irregularidades.
“Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, declarou.
Venda anterior também foi bloqueada
A negociação do apartamento em Salvador havia sido fechada com o prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo (União Brasil), adversário político do PT. De acordo com o gestor, o acordo foi firmado ainda em 2025, com pagamentos concluídos em abril deste ano.
Araújo afirma ter agido de boa-fé e já solicitou ao STF o desbloqueio da transferência do imóvel, sob alegação de que a transação ocorreu antes da operação policial.
Contexto político
Após a operação, Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado. O petista segue como pré-candidato à reeleição na chapa encabeçada pelo governador Jerônimo Rodrigues.
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