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João Roma defende reforço de programas sociais, critica governos do PT e projeta atuação alinhada a Flávio Bolsonaro no Senado

João Roma defende reforço de programas sociais, critica governos do PT e projeta atuação alinhada a Flávio Bolsonaro no Senado

Por Evilásio Júnior

08/09/2026 às 14:43

Imagem de João Roma defende reforço de programas sociais, critica governos do PT e projeta atuação alinhada a Flávio Bolsonaro no Senado

Foto: Max Haack / Divulgação

Candidato ao Senado pelo PL, o ex-ministro da Cidadania João Roma afirmou, durante sabatina realizada pela CBN Salvador, que pretende concentrar sua atuação no fortalecimento de programas sociais caso seja eleito. O postulante também fez duras críticas aos governos do PT na Bahia e declarou que pretende atuar no Senado ao lado de Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência da República.

Ao ser questionado sobre sua principal bandeira e qual mudança gostaria de deixar como marca de um eventual mandato, o presidente estadual do PL citou sua passagem pelo Ministério da Cidadania e a reformulação do antigo Bolsa Família para o Auxílio Brasil.

Segundo ele, sua prioridade será aperfeiçoar programas de transferência de renda, mas com mecanismos que estimulem os beneficiários a ingressar no mercado de trabalho.

"A causa que eu vou me dedicar no Senado da República é realmente poder aperfeiçoar os programas sociais. Fortalecer uma rede de suporte e de apoio para que a gente possa ter um Brasil de mãos dadas", afirmou.

Roma destacou a criação, durante sua gestão no governo federal, do chamado auxílio inclusão social. De acordo com ele, a proposta permitia que beneficiários que conseguissem emprego com carteira assinada continuassem a receber o benefício por determinado período, além de um valor adicional.

O candidato criticou o atual modelo do Bolsa Família e afirmou que o governo federal teria abandonado mecanismos criados durante sua passagem pelo Ministério da Cidadania.

Oposição a Lula

Questionado se, caso eleito, faria uma oposição sistemática a um eventual novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou se poderia apoiar projetos do Executivo considerados importantes para a Bahia, Roma desconsiderou a possibilidade de reeleição do petista.

"Como senador da República, eu quero sim poder estar ao lado de Flávio Bolsonaro para fazer as transformações que o Brasil precisa", declarou.

Na avaliação de Roma, os governos do PT na Bahia acumulam duas décadas de promessas não cumpridas.

O candidato citou os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, seus concorrentes ao Senado, além do atual governador Jerônimo Rodrigues, e afirmou que a população demonstra insatisfação com o grupo político que administra o estado há cerca de 20 anos.

"O grande erro deles é, certamente, achar que o baiano é besta. [...] O cidadão baiano, muitas vezes, lá na sua humildade, ele pode ser tudo. Mas ele não é besta", afirmou.

Roma também disse perceber um "sentimento de mudança" em suas viagens pelo interior da Bahia.

Auxílio Bahia

Uma das propostas apresentadas pelo candidato é a criação do Auxílio Bahia, com complemento mensal de R$ 200 para beneficiários do Bolsa Família no estado.

Questionado sobre o custo da medida — que poderia ultrapassar R$ 450 milhões por mês, ao se considerar mais de dois milhões de beneficiários — Roma afirmou que os recursos seriam provenientes do orçamento estadual.

"Isso na minha proposta, desde a outra eleição, que eu já havia falado isso, é justamente com recursos do Estado", explicou.

O candidato também defendeu outras políticas sociais previstas no programa de governo de ACM Neto, como a ampliação do Pé-de-Meia e ações voltadas para mães atípicas e pessoas com deficiência.

Auxílio Educação

Roma também defendeu a criação de um Auxílio Educação, com pagamento de R$ 500 em dezembro para famílias com crianças matriculadas em escolas municipais.

Conforme o candidato, a proposta deve ser pensada também em âmbito nacional. Ele afirmou que o objetivo é ampliar mecanismos de estímulo à permanência e ao desempenho dos estudantes.

Roma criticou a chamada aprovação automática nas escolas e defendeu maior valorização dos professores, além de investimentos em esporte e alimentação escolar.

Reforma tributária e investimentos

Durante a sabatina, o candidato também respondeu a uma pergunta do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb)Carlos Henrique Passos, sobre os impactos da reforma tributária na capacidade dos estados nordestinos de atrair investimentos.

Roma defendeu a ampliação dos prazos dos incentivos fiscais destinados à região e afirmou que cinco anos seriam insuficientes para garantir segurança aos grandes investimentos industriais.

"Esses prazos de cinco anos são prazos exíguos. São precisos, obviamente, prazos maiores, porque o investimento, às vezes, cinco anos é uma parte do planejamento da implantação de uma grande indústria", afirmou.

Para Roma, entretanto, a questão tributária não é o único obstáculo para a atração de empresas.

Ele citou problemas de infraestrutura e segurança jurídica e comparou o ambiente brasileiro ao de países como o Paraguai, que, segundo o candidato, oferece condições mais favoráveis para investimentos.

IPVA zero para motos

Outra proposta defendida por João Roma é a isenção do IPVA para motocicletas de até 170 cilindradas.

O postulante afirmou que a medida teria impacto reduzido sobre a arrecadação estadual e beneficiaria principalmente trabalhadores que utilizam motocicletas como instrumento de trabalho.

"Quem tem uma moto até 170 cilindradas, raramente é com exclusividade para uma opção de lazer. [...] Essas pessoas utilizam essa moto como ferramenta de trabalho, como complemento de renda para suas famílias", disse.

Roma afirmou que pretende trabalhar, caso eleito, para que a medida seja adotada também na Bahia.

Passe livre para pessoas em extrema pobreza

Na área de mobilidade, Roma defendeu a criação de um passe livre social para pessoas em situação de extrema pobreza cadastradas no CadÚnico.

Segundo ele, a gratuidade teria como objetivo permitir que pessoas em situação de vulnerabilidade possam se deslocar para procurar emprego, entregar currículos e realizar atividades que possam melhorar sua renda.

O candidato reconheceu que o financiamento teria de envolver União, estados e municípios.

"Nesse caso tem que haver uma conjugação orçamentária", afirmou.

Segurança pública

A segurança pública também foi um dos principais pontos abordados durante a sabatina.

Roma defendeu uma combinação de leis mais rígidas, fortalecimento das forças policiais e maior atuação do Estado no combate ao crime organizado.

O candidato criticou a situação da segurança na Bahia e afirmou que a violência também produz impactos econômicos para a população.

"Você tem que ter o respaldo da polícia para trabalhar, você tem que ter leis mais duras sim", declarou.

Roma também defendeu maior controle sobre as saídas temporárias de presos e afirmou que é necessário acompanhar de forma mais rigorosa os detentos que deixam temporariamente o sistema prisional.

Críticas ao Judiciário e defesa de segurança jurídica

Ao responder sobre medidas para destravar a economia e gerar empregos, Roma apontou a segurança jurídica e a estabilidade institucional como prioridades.

O candidato criticou decisões do Supremo Tribunal Federal e afirmou que alguns ministros da Corte estariam agindo com interesses próprios.

"Nós precisamos sim ter serenidade, ter estabilidade institucional, porque quando você começa a ter passionalismo, pessoas agindo de acordo com seus próprios interesses, [...] isso prejudica o desenvolvimento do país", afirmou.

Para Roma, o Congresso precisa trabalhar pela construção de regras mais claras e previsíveis para empresários e investidores.

Alinhamento com ACM Neto e Flávio Bolsonaro

Questionado sobre a divisão da oposição baiana em relação à disputa presidencial — já que ACM Neto e o candidato a vice, Zé Cocá, manifestam apoio a Ronaldo Caiado (PSD), enquanto Roma e o senador Angelo Coronel (Republicanos) defendem Flávio Bolsonaro — o candidato afirmou que as diferentes posições nacionais não impedem a união em torno da disputa estadual.

"Eu com clareza defendo a candidatura de Flávio Bolsonaro, 22, para a Presidência da República", reafirmou, ao pontuar que o objetivo da oposição é priorizar, inicialmente, a mudança no comando do governo do Estado.

"É fundamental que nesse primeiro turno a gente esteja de mão dada para transformar a Bahia", declarou.

A tendência apontada nas últimas pesquisas é de uma disputa nacional em segundo turno, ao contrário do estado, que deve eleger o próximo governador já em 4 de outubro.

Confira a sabatina completa: 

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