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Quando nova escala 6x1 entra em vigor após aprovação no Congresso Nacional? Entenda

Quando nova escala 6x1 entra em vigor após aprovação no Congresso Nacional? Entenda

O texto aprovado nessa quarta-feira (14) proíbe expressamente cortes no salário nominal ou proporcional, inclusive sobre pisos das categorias, e não reduz a jornada de quem já trabalha 40 horas ou menos.

Por Redação

15/10/2026 às 06:17

Atualizado em 15/10/2026 às 10:53

Carteira de trabalho

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Após aprovação quase por unanimidade no Senado, a PEC que acaba com a escala 6x1 começa a avançar para a promulgação, que deve ocorrer na próxima semana no Congresso.

A nova regra trabalhista entrará em vigor dois meses após a publicação da emenda, quando a jornada cairá de 44 para 42 horas semanais. Dessa forma, a expectativa é que comece a valer no início de 2027.

O texto que garante duas folgas semanais sem redução de salário foi aprovado em dois turnos, por 75 votos a favor e apenas 1 contrário, do senador Hamilton Mourão, do Republicanos do Rio Grande do Sul.

Quatorze meses após o texto ser promulgado, a carga máxima atingirá em definitivo 40 horas semanais.

O presidente Lula acompanhou a votação no Palácio da Alvorada e festejou a vitória, que tem amplo apoio popular e pode resultar em ganhos eleitorais.

O texto aprovado nessa quarta-feira (14) proíbe expressamente cortes no salário nominal ou proporcional, inclusive sobre pisos das categorias, e não reduz a jornada de quem já trabalha 40 horas ou menos.

O descanso semanal remunerado passa de um para dois dias a partir do segundo mês de publicação da emenda, extinguindo o regime tradicional de seis dias de atividade por um de folga.

Um dos descansos deve ser concedido preferencialmente aos domingos, mas a ausência de obrigatoriedade sobre dias fixos permite negociações de escalas.

Trabalhadores que já cumprem carga igual ou inferior a 40 horas também passam a ter direito às duas folgas semanais.

A transição entre os limites de quarenta e duas e 40 horas semanais dependerá da negociação direta entre sindicatos e empresas.

Os acordos coletivos poderão autorizar expedientes diários superiores a oito horas, desde que as duas folgas semanais sejam preservadas.

A regra estabelece exceção para trabalhadores com diploma de nível superior que ganhem acima de R$ 21.188.

Para os prestadores de serviço terceirizados que atendem a órgãos da administração pública, a redução da carga horária fica condicionada à formalização de aditivos contratuais em até 12 meses, visando ao reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

Atividades ininterruptas e serviços essenciais, como hospitais, segurança privada, transportes e coleta de lixo, poderão utilizar regimes de compensação negociados em convenção coletiva, como a escala 12x36.

A regra exige que o trabalhador atinja, na média do mês, dois dias de repouso por semana, permitindo o acúmulo de folgas, com a exigência de ao menos um dia de descanso a cada sete trabalhados.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que deixou por meses a proposta na gaveta, disse que o tema exige responsabilidade.

Autora de um dos textos da PEC, a deputada Erika Hilton, do PSOL, celebrou a vitória histórica.

O senador Paulo Paim, do PT, acredita que o avanço vai se traduzir em mais qualidade de vida aos trabalhadores.

Flávio Bolsonaro pretende mudar

O senador Flávio Bolsonaro registrou presença na sessão por volta das 20h30. Após passar meses atacando o texto, o candidato votou remotamente a favor da PEC, mas já pensa em retomar o projeto que prevê a jornada com base em horas trabalhadas, como admitiu o líder do PL, Sóstenes Cavalcante.

O senador Marcos Pontes, do PL, disse que o fim da escala 6x1 vai aumentar o custo das empresas.

Repercussão nas empresas

Plenário do Senado durante sessão sobre o fim da escala 6x1

Ton Molina/Agência Senado

Entidades empresariais fizeram duras críticas à aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1.

A Confederação Nacional da Indústria classificou a medida como preocupante e alertou para o risco de demissões, repasse de custos ao consumidor e aceleração da inflação.

A Fiesp afirmou que o tema exigia debate fora do calendário eleitoral e criticou o que chamou de "decisão açodada" e "PEC boca de urna".

O setor de alimentação fora de casa também manifestou forte preocupação com a nova regra de duas folgas semanais.

Para o presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Paulo Solmucci, a aprovação da PEC foi uma tragédia socioeconômica anunciada.

A gerente trabalhista da Federação das Indústrias de Minas Gerais, Fernanda Ribas, também criticou a redução da jornada de trabalho.

Por outro lado, a CEO do Coffeelab, Isabela Raposeiras, ponderou que a redução da escala é uma medida “justa” para os trabalhadores e contribui para a diminuição dos gastos das companhias.

Fonte: CBN

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