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Prefeitura do Rio exonera servidor suspeito de vazar operações do Procon-RJ ao grupo de Canella

Prefeitura do Rio exonera servidor suspeito de vazar operações do Procon-RJ ao grupo de Canella

Edvaldo Ferreira Borges é suspeito de repassar informações antecipadas sobre fiscalizações do Procon Carioca; investigação aponta vazamentos também no órgão estadual.

Por Redação

19/10/2026 às 09:28

Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil)

Foto: Júlia Passos/Alerj

A Prefeitura do Rio exonerou nesta segunda-feira (19) Edvaldo Ferreira Borges, conhecido como “Biscoito”, após a Polícia Federal apontar suspeitas de envolvimento dele em um esquema de vazamento de informações sobre fiscalizações de postos de combustíveis. A investigação faz parte da oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de controlar uma rede de postos, formar cartel e lavar dinheiro. O esquema teria participação até de Márcio Canella, deputado eleito pelo União Brasil e preso na última quinta-feira.

Edvaldo Ferreira Borges ocupava um cargo comissionado na Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, responsável pelo Procon Carioca. Segundo a representação da Polícia Federal, ele teria repassado informações sigilosas sobre operações de fiscalização a pessoas ligadas ao grupo investigado. A suspeita é de que os dados permitiam aos responsáveis pelos postos saber antecipadamente quando e onde os fiscais atuariam.

A investigação identificou comunicações entre o advogado Diogo Pacheco do Couto e Pablo Jukiá Félix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, apontado pela PF como operador de uma rede de postos de combustíveis. De acordo com os investigadores, o advogado transmitia a Pablo informações obtidas junto a servidores públicos sobre operações ainda não realizadas.

O advogado também teria enviado um documento com informações sobre o veículo utilizado pelos fiscais, o que, para a PF, indica possível monitoramento dos meios empregados pelo órgão.

A representação da PF aponta Edvaldo Ferreira Borges como um dos contatos que teriam permitido o acesso antecipado a essas informações.

Em nota, a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor afirmou que realizou 822 fiscalizações desde novembro de 2025, resultando na interdição de 31 postos que foram flagrados no ato do roubo de gasolina. A pasta disse ainda que não compactua com qualquer prática ilícita ou desvio de conduta no serviço público.

Informações também vinham de estrutura estadual

A investigação aponta que o esquema não se limitava ao Procon Carioca. Segundo a PF, informações sobre operações do Procon-RJ e da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) também chegavam antecipadamente a integrantes do grupo.

Um dos nomes citados é Luiz Ricardo Estevam Lima, conhecido como “Tchetcheco Trindade”, ligado ao projeto Balcão do Consumidor. De acordo com a representação, em 15 de abril Diogo informou Pablo sobre uma fiscalização do Procon prevista para o dia seguinte, em São Gonçalo.

A PF também relata outros episódios, em abril e maio, nos quais informações sobre fiscalizações teriam sido repassadas antes das operações. As suspeitas se baseiam em mensagens, documentos e registros de comunicação reunidos durante a investigação.

A PF ainda aponta suspeitas de proteção institucional ao grupo, atribuídas ao ex-secretário de Polícia Civil Marcus Vinicius Amim Fernandes, que ocupou anteriormente a presidência do Detran-RJ. Na representação, os investigadores descrevem Amim como alguém que teria garantido proteção policial à organização por meio de sua influência em estruturas públicas. Ele foi preso na operação.

A CBN tenta contato com as defesas dos investigados para uma posição sobre o caso.

Fonte: CBN

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