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Potencial mínimo de renovação das cinco maiores assembleias do país não chega a 20%; especialistas explicam motivos
Potencial mínimo de renovação das cinco maiores assembleias do país não chega a 20%; especialistas explicam motivos
O levantamento feito pela CBN leva em consideração quantos deputados abriram mão da reeleição, a grande maioria para disputar outros cargos.
Por Redação
29/09/2026 às 00:00

Foto: Pedro Bohnenberger/CBN
O potencial mínimo de renovação das cinco maiores Assembleias Legislativas do país não chega a 20% nas eleições deste ano. O levantamento foi feito pela CBN com base nas composições do legislativo em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. A renovação efetiva pode ser maior caso deputados que tentam a reeleição sejam derrotados nas urnas.
A Assembleia do Rio Grande do Sul apresenta o maior potencial de renovação. Das 55 cadeiras, 45 deputados tentam permanecer na Casa, e outros 10 buscam outros cargos, como de deputado federal, senador ou vice-governador. Com isso, pelos menos 18,2% da composição da assembleia gaúcha serão renovados.
O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro explica que a disputa pela reeleição traz vantagens competitivas para o candidato, o que explica a baixa renovação.
"Faz toda a diferença. É muito mais difícil você se eleger não tendo a máquina, não tendo uma posição consolidada, do que o contrário. Você tem poder, você tem recursos, você tem recursos humanos. De 2010 a 2022, por exemplo, em quatro eleições, a taxa média de renovação das Assembleias Legislativas foi de 48%. Ou seja, 52% continuam. A gente pode até usar uma expressão forte e dizer que é uma feudalização do universo eleitoral", afirma. *
A Assembleia Legislativa de São Paulo, a maior do país, é a segunda em potencial de renovação. Dos 94 deputados estaduais, 77 disputam novamente uma vaga na Assembleia. Pelo menos 17 cadeiras serão renovadas, o equivalente a 18,1%.
Muitas vezes a renovação vem com ressalvas. O deputado paulista Rafael Silva, do PSD, anunciou que deixará a vida pública após 32 anos. Mas ele tenta emplacar o filho, Rafael Silva Jr., numa cadeira na Alesp.
A doutora em Ciência Política Carolina de Paula diz que casos como esse exemplificam a perpetuação de políticos da mesma família.
“É quase como se o cargo fosse realmente uma herança, um patrimônio, muitas vezes passado de pai para filho ou então para o entorno, para a esposa. A gente tem muitos incentivos partidários, quando a pensa nos incentivos financeiros que os candidatos recebem dos partidos. Mas a gente tem também uma necessidade, para o nosso modelo de eleição, no sistema eleitoral de lista aberta, para a campanha individual. Acaba sendo mais fácil, você que tem uma família de políticos, que já é conhecida, que já tem uma base de apoios, conseguir fazer essa transmissão"
No Rio de Janeiro, a deputada estadual Lucinha, do PSD, não disputa a reeleição. O partido decidiu não lançar a candidatura após a Polícia Federal apontá-la como 'madrinha' da milícia, o que ela nega. No entanto, o filho da deputada, Junior da Lucinha, concorre no lugar da mãe.
A Assembleia Legislativa do Rio tem 70 deputados, e 59 deles tentam renovar o mandato.
Na Bahia, 53 dos 63 deputados estaduais buscam a reeleição.
Minas Gerais é o estado com o menor potencial mínimo de renovação, de pouco menos de 12%. Dos 77 parlamentares, 68 tentam permanecer na Assembleia mineira.
Fonte: CBN
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