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Investigação da PF sobre medicamentos coloca ilha de luxo na Bahia no centro de disputa milionária

Investigação da PF sobre medicamentos coloca ilha de luxo na Bahia no centro de disputa milionária

Médico Gabriel Almeida devolveu cota de propriedade na Baía de Todos-os-Santos após operação que apura suposta produção irregular de medicamentos; ilha teria sido utilizada para treinamentos de profissionais de saúde

Por Redação

28/09/2026 às 06:27

Imagem de Investigação da PF sobre medicamentos coloca ilha de luxo na Bahia no centro de disputa milionária

Foto: Divulgação

Uma investigação da Polícia Federal sobre a suposta fabricação e comercialização irregular de medicamentos para emagrecimento voltou a colocar em evidência a Ilha de Carapituba, propriedade de luxo localizada na Baía de Todos-os-Santos, na Bahia.

O local, situado a cerca de 40 minutos de Salvador, possui mais de 5 mil metros quadrados e abriga uma mansão com sete suítes, piscina, spa, academia e píer privativo, além de uma lancha italiana de 62 pés.

A propriedade pertenceu integralmente ao empresário Marcelo Pessoa, sócio da Galápagos. Posteriormente, o imóvel passou a operar em um modelo de propriedade compartilhada, com cotas comercializadas pela Prime You, empresa especializada em ativos de alto padrão.

Entre os compradores estava o médico e influenciador Gabriel Almeida, conhecido nas redes sociais por conteúdos relacionados ao emagrecimento e que reúne mais de 750 mil seguidores.

Operação da PF investigou suposto esquema

Gabriel Almeida foi um dos alvos da Operação Slim, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar um grupo suspeito de manipular e comercializar irregularmente medicamentos à base de tirzepatida, princípio ativo utilizado no Mounjaro.

Segundo informações divulgadas pela PF à época, a investigação identificou indícios de produção em série, envase, rotulagem e distribuição de produtos em condições que, de acordo com os investigadores, não atendiam às exigências aplicáveis.

A operação contou com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de órgãos estaduais de vigilância sanitária. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em locais ligados aos investigados na Bahia, São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.

As suspeitas são objeto de investigação e não representam, por si só, uma condenação dos envolvidos.

Ilha teria sido usada para treinamentos

A Ilha de Carapituba também apareceu durante as apurações.

Segundo informações atribuídas à Polícia Federal e divulgadas posteriormente, o espaço teria sido utilizado para encontros e treinamentos de profissionais de saúde, além da apresentação de produtos relacionados aos medicamentos investigados.

Reportagens anteriores apontaram que a propriedade funcionava como local de encontros e experiências voltadas a profissionais da área médica.

A defesa de Gabriel Almeida reconheceu anteriormente a realização de reuniões no local, mas afirmou que o médico não seria responsável pela fabricação dos medicamentos investigados.

Médico devolveu cota da ilha

Meses depois da operação, Gabriel Almeida decidiu deixar o grupo de proprietários.

O médico confirmou que devolveu sua participação à Prime You em fevereiro de 2026. Segundo ele, a decisão ocorreu após perder o interesse em continuar frequentando a propriedade.

A saída passou a alimentar informações sobre uma possível divergência entre Almeida e Marcelo Pessoa. O médico, porém, nega que exista uma briga entre os dois e classificou os rumores de conflito como falsos.

Marcelo Pessoa não havia se manifestado sobre as informações até a publicação das reportagens consultadas.

Cota pode valer mais de R$ 20 milhões

Após a devolução, a participação na propriedade voltou a ser oferecida no mercado.

Segundo informações publicadas originalmente pela coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, e reproduzidas por outros veículos, o valor negociado pela cota poderia variar de R$ 22,5 milhões a R$ 26 milhões, dependendo das condições do negócio e da inclusão da lancha de 62 pés.

A propriedade compartilhada e seus negócios acabaram, assim, ganhando repercussão paralelamente à investigação da Polícia Federal.

O caso permanece cercado por duas questões distintas: de um lado, a investigação policial envolvendo a suposta produção irregular de medicamentos; de outro, as negociações privadas relacionadas às cotas da ilha.

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