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Independentemente de vaga em chapa, Otto Alencar descarta deixar aliança com PT e avisa: 'Vaidade, capricho e arrogância no poder são véspera do fracasso'
Independentemente de vaga em chapa, Otto Alencar descarta deixar aliança com PT e avisa: 'Vaidade, capricho e arrogância no poder são véspera do fracasso'
Por Redação
07/01/2026 às 14:13
Atualizado em 07/01/2026 às 14:15

Foto: Evilásio Júnior
O senador Otto Alencar (PSD), presidente estadual do partido na Bahia, concedeu uma das entrevistas mais duras e reveladoras dos últimos anos, ao comentar a formação da chapa governista para as eleições de 2026.
Em conversa com a CBN Salvador, o social-democrata reagiu às informações de bastidor que dão como definida a chapa ao Senado com os petistas Rui Costa e Jaques Wagner, descartou qualquer possibilidade de aproximação com ACM Neto e o bolsonarismo e reafirmou que o PSD permanecerá na aliança liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), independentemente de vaga na majoritária.
Otto negou ter sido oficialmente comunicado sobre qualquer definição, mas confirmou que a decisão final ficará para março, prazo em que se abre a janela partidária. Segundo ele, o governador Jerônimo tem legitimidade para conduzir o processo e presidir a própria sucessão, como fizeram Wagner e Rui em seus respectivos mandatos.
"A política não pode ser personalista. Não está em jogo apenas a reeleição de um senador, mas também a reeleição dos deputados estaduais e federais. É um grupo" afirmou.
O senador reconheceu que sempre defendeu a candidatura de Angelo Coronel à reeleição, mas deixou claro que haverá um momento de decisão "pragmática". Para Otto, não é aceitável transformar uma única candidatura na "moeda" de toda a composição política.
Vice-governadoria e decisão coletiva
Otto afirmou que não indicará nome para vice e que a discussão, se ocorrer, deverá ser conduzida diretamente com Angelo Coronel. Ele revelou que haverá uma reunião entre o senador, seu filho e deputado federal Diego Coronel e o ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa.
"Eu não indicarei vice, não. Essa posição, se for colocada, é para o Angelo. Ele que vai decidir se quer aceitar vice ou não. Eu não tenho indicado, não tenho nome para vice. Meu nome é Angelo Coronel [para o Senado], eu vou lutar por isso", reiterou.
De acordo com o dirigente, caso o grupo entenda que a vice deverá ser indicada ao PSD, ele não fará veto.
"Eu não tomo decisão sozinho. Se o PT formalizar a chapa, vou reunir prefeitos, deputados estaduais e federais para decidir em conjunto", explicou.
No entanto, o senador ressaltou que, para o seu partido, a prioridade absoluta é o fortalecimento do grupo e isso passa pelas eleições proporcionais.
"A Ivana Bastos, a Cláudia Oliveira, a Jusmari Oliveira, o Angelo Coronel Filho, Adolfo Menezes, Eduardo Alencar, Cafu Barreto, Ricardo Rodrigues, Alex da Piatã, todos eles são importantes. Tanto quanto é importante a eleição do Coronel, como é importante a eleição do Sérgio Brito, do Antônio Brito, que é um grande líder, como é importante também a eleição do Charles Fernandes, que agora é titular absoluto, como é importante do Gabriel Nunes, do Paulo Magalhães, de todos os federais. Nós temos nove estaduais e seis federais. Todos eles são tão importantes quanto é importante a eleição de Coronel. Nenhum pode ser desqualificado ou diminuído pelo outro", avaliou.
Crítica direta a Coronel e mágoa exposta
Em um dos momentos mais contundentes da entrevista, Otto revelou discordância com Angelo Coronel, que desqualificou a possibilidade de ser candidato a vice-governador.
"Ele disse que só aceita o Senado, que não aceita vice. Isso é uma arrogância. Eu fui vice-governador com muita honra. Ser vice-governador da Bahia é uma honra, não um demérito", disparou.
Otto lembrou que, como vice-governador, ajudou o próprio Coronel a se eleger deputado, a presidir a Assembleia Legislativa e, posteriormente, a chegar ao Senado.
"O poder não pode encher ninguém de vaidade. Vaidade, capricho e arrogância no poder são a véspera do fracasso", advertiu.
Apesar do tom duro, Otto disse manter uma relação pessoal correta com Coronel, mas deixou claro que não existe "dívida política" entre ambos e que decisões não podem ser tomadas com base em imposições individuais.
PSD fora do bolsonarismo e de ACM Neto
O presidente do PSD também foi categórico ao descartar qualquer possibilidade de candidatura avulsa ou aliança com a direita.
"Eu não tenho discurso para palanque bolsonarista. Não tenho discurso para palanque de direita. Não saio do meu caminho", declarou.
Otto afirmou que uma eventual candidatura independente de Angelo Coronel enterraria as chances eleitorais dos deputados estaduais e federais do partido, algo que ele não aceita conduzir.
Também foi taxativo ao ser questionado sobre uma possível candidatura do aliado na chapa de ACM Neto (União Brasil):
"Pelo PSD, não. O PSD fica na aliança. Com ACM Neto, zero chance. Totalmente descartado", avisou.
Defesa de Lula, autonomia e rejeição à anistia
O congressista ainda fez um longo resgate de sua trajetória e afirmou que sempre esteve alinhado ao projeto do presidente Lula, ainda que com independência.
"Votei a favor da taxação dos ricos, dos fundos offshore, das bets. Discordei de pontos específicos, mas sempre defendi a causa do presidente Lula", disse.
Ele também foi enfático ao rejeitar qualquer tipo de anistia aos envolvidos nos ataques à democracia.
"Não tem que diminuir pena para quem atentou contra o regime democrático, quem depredou patrimônio público ou ameaçou matar o presidente da República" afirmou, ao lembrar da sua própria atuação na resistência à ditadura militar.
Recado final
Ao final, Otto deixou claro que a discussão ainda está aberta, mas com limites bem definidos: sem personalismo, sem ruptura, sem bolsonarismo e com foco no projeto coletivo.
"A candidatura de Jerônimo é a prioridade. Isso não tem dúvida nenhuma. O resto será decidido com diálogo, pesquisa e responsabilidade política", concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
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