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Operação busca repatriar PDT na oposição, o dilema de Charles e novo bloco no PSD agitam bastidores
Operação busca repatriar PDT na oposição, o dilema de Charles e novo bloco no PSD agitam bastidores
Por Redação
09/03/2026 às 09:26

Foto: Divulgação
A sucessão de 2026 na Bahia começou a ganhar contornos mais definidos nos bastidores nesta semana. Entre tentativas de reorganizar partidos, deputados insatisfeitos e articulações silenciosas para montar chapas proporcionais competitivas, os movimentos revelam um cenário em que ninguém quer ficar fora do jogo — mas poucos sabem exatamente onde estarão quando a eleição chegar.
Nos corredores da política, uma operação envolve repatriar o PDT na oposição, as queixas públicas e privadas do deputado Charles Fernandes e a formação de um novo bloco dentro do PSD mostram que a disputa já começou muito antes do período eleitoral.
Operação para reorganizar o PDT
Uma movimentação política está em curso entre o Palácio Thomé de Souza e o PDT da Bahia.
A estratégia é para que a vice-prefeita Ana Paula Matos e o vereador Omarzinho Gordilho tentem convencer o presidente estadual do partido, o deputado federal Félix Mendonça Júnior, a liberar os vereadores Roberta Santana, Roberta Caires e Anderson Ninho para disputarem as eleições de 2026 como candidatos a deputado estadual e federal. Enquanto as duas primeiras não tinham planos de candidatura este ano, Ninho já tem feito contas.
O objetivo é manter os quadros na legenda, garantir a reeleição de Félix à Câmara e preservar os espaços ocupados por pedetistas na estrutura da Prefeitura de Salvador.
O movimento, porém, cria um problema para o grupo do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil): a necessidade de acomodar mais um partido competitivo na disputa proporcional.
Mesmo com a investida, aliados admitem que o PDT pode sofrer uma baixa relevante. A tendência é que o deputado federal Leo Prates deixe a sigla e migre para o Republicanos até o fim da janela partidária, em 4 de abril.
O episódio reforça a trajetória errática do PDT baiano nos últimos anos. O partido já foi base do PT, aliou-se a ACM Neto, fez campanha para ele em 2022, rompeu em 2024 e voltou ao campo petista no ano passado. Mesmo alinhado ao governo estadual hoje, segue sem cargos relevantes na estrutura administrativa de Jerônimo Rodrigues (PT).
Contatado pelo Blog do Vila, Félix disse desconhecer a operação e afirmou que o diálogo “não tem mais condições a essa altura, pelo menos comigo”. Segundo o parlamentar, um retorno ao grupo de Neto só aconteceria “se eu perder a direção do partido”.
Charles Fernandes e o dilema
Outro foco de tensão está dentro da própria base governista.
O deputado federal Charles Fernandes (PSD) tem confidenciado a aliados que vive o período mais difícil desde que assumiu o mandato como titular, após Otto Filho deixar a Câmara para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Segundo relatos feitos a interlocutores, o parlamentar afirma que tem “comido o pão que o diabo amassou” dentro da base aliada.
A insatisfação envolve principalmente a estrutura do gabinete. Dos R$ 132 mil destinados à equipe, cerca de R$ 55 mil teriam sido transferidos para o correligionário Antônio Brito, enquanto R$ 7 mil da verba de gabinete — originalmente de R$ 42 mil — teriam sido direcionados ao deputado Sergio Brito.
Para ter direito a emendas individuais, ameaçou ingressar na Justiça, mas o ex-titular do mandato recuou. As de bancada também teriam ficado com Brito.
Charles também reclama de isolamento político. Diz que não recebeu apoio do governo estadual e tampouco dos senadores Otto Alencar (PSD) e Angelo Coronel (PSD), que teriam concentrado esforços eleitorais em filhos e aliados mais próximos.
Mesmo assim, o deputado lembra que obteve 99.815 votos praticamente em carreira solo, quando ficou na primeira suplência do PSD.
O desgaste abriu espaço para o assédio do grupo de ACM Neto. Segundo interlocutores, a decisão sobre permanecer ou não na base do governador Jerônimo Rodrigues deve ser tomada nos próximos dias.
Ricardo Maia fica ou sai?
Outro nome citado como possível baixa na base governista é o deputado federal Ricardo Maia (MDB).
Nos bastidores, sua saída chegou a ser tratada como praticamente certa. Mas o ex-ministro Geddel Vieira Lima, principal liderança emedebista na Bahia, tratou de esfriar as especulações.
Segundo ele, “pelo menos até as 23h30 da última quinta-feira (5)”, o parlamentar teria garantido que permanece no MDB e aliado ao governador Jerônimo Rodrigues.
O partido trabalha com a meta de eleger três deputados federais em 2026:
* Jayme Vieira Lima
* Lúcia Rocha
* Ricardo Maia, que buscará a reeleição.
Na Assembleia Legislativa, o plano é dobrar a bancada atual. Hoje o MDB tem duas cadeiras e aposta na reeleição de Rogério Andrade e Matheus Ferreira, filho do vice-governador Geraldo Júnior, além de outros dois nomes ainda não revelados.
A “rabada dos sonhos” no PSD
Enquanto alguns avaliam sair da base, um grupo articula fazer o caminho inverso — desembarcar em bloco no PSD.
O deputado federal Raimundo Costa, hoje no Podemos, o ex-deputado Bebeto Galvão (PSB) e o ex-prefeito de Serrinha Adriano Lima decidiram ingressar juntos no partido liderado pelo senador Otto Alencar.
O trio tenta convencer o ex-deputado federal Luiz Argolo e o empresário Danilo Henrique a embarcarem no mesmo movimento.
Nos bastidores, o grupo passou a ser chamado de “a rabada dos sonhos”, pela expectativa de votos que poderia agregar à legenda.
A possível filiação coletiva, porém, provocou reação em outros partidos da base.
No MDB, dirigentes acusam o ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) de ter atuado para impedir a entrada de Raimundo Costa na sigla. Já no PSB, cresce o temor de que o partido consiga eleger apenas Lídice da Mata, sua presidente estadual.
O efeito colateral pode atingir até o deputado estadual Vítor Bonfim, que negociava deixar o PV para ingressar no PSB, mas agora avalia permanecer no Partido Verde.
Enquanto isso, o PSD observa o movimento com entusiasmo. Caso alcance cerca de 1,26 milhão de votos para deputado federal, a legenda poderia eleger até seis parlamentares e convencer Charles Fernandes a permanecer na agremiação.
Vereadores em compasso de espera
Na Câmara Municipal de Salvador, o cenário eleitoral também começa a se desenhar.
Algumas candidaturas já são tratadas como praticamente certas.
Devem disputar vaga na Assembleia Legislativa Marcelle Moraes (União Brasil) e André Fraga (PV).
Já para a Câmara dos Deputados, aparecem como nomes consolidados Duda Sanches (União), Cezar Leite (PL), Jorge Araújo (PP), Sandro Filho (PP), Silvio Humberto (PSB), Eliete Paraguaçu (PSOL) e Hamilton Assis.
Outros vereadores ainda fazem contas antes de decidir.
Cris Correia (PSDB), que cogita disputar vaga em Brasília, e os vereadores Paulo Magalhães Júnior (União), George Gordinho da Favela (PP), Ricardo Almeida (DC) e David Rios (MDB), que miram a Assembleia Legislativa, devem bater o martelo até o fim do mês.
A surpresa ficou por conta da retirada do nome do vereador Sidninho (PP) da disputa.
Mais um sinal de que, na política baiana, nem todo mundo que parecia pronto para entrar em campo está realmente disposto a jogar.
Fonte: Blog do Vila
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