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Preso pela PF, deputado eleito Márcio Canella teria ligações com CV e milícias em Belford Roxo (RJ)
Preso pela PF, deputado eleito Márcio Canella teria ligações com CV e milícias em Belford Roxo (RJ)
Na decisão do ministro Alexandre de Moraes, Márcio Canella é apontado como um patrono político e articulador de alto escalão dessa organização criminosa e exercia um papel de ligação entre os integrantes do núcleo econômico, agentes públicos e estruturas
Por Redação
15/10/2026 às 11:21

Foto: Reprodução/Alerj
No relatório da Polícia Federal que embasou a operação desta quinta-feira (15), através de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, destacam que o deputado estadual eleito preso Márcio Canella atuava em Belford Roxo com diálogos entre milícias e Comando Vermelho no sentido de retirar barricadas em alguns locais da cidade para que a Prefeitura pudesse fazer obras públicas nesses locais.
Em contrapartida, ele informava a essas pessoas sobre operações ou mesmo, segundo descreve a operação, reduzir incursões na região onde estavam alguns desses criminosos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
Na decisão do ministro Alexandre de Moraes, Márcio Canella é apontado como um patrono político e articulador de alto escalão dessa organização criminosa e exercia um papel de ligação entre os integrantes do núcleo econômico, agentes públicos e estruturas políticas.
E segundo ainda a decisão, as investigações indicam que seria beneficiário recorrente de valores provenientes da atividade ilícita, ou seja, do dinheiro que vinha desses postos de combustíveis.
Marcos Amin, ex-secretário de Polícia Civil, segundo a própria decisão, confirma também a informação. Ele chegou a presidir o Detran do Rio de Janeiro, além de ter sido secretário de Estado de Polícia Civil. Segundo a PF, ele teria atuado como operador institucional da organização criminosa.
Então, ele propiciava uma proteção administrativa e policial a esse grupo que recebia recursos por intermédio de empresas vinculadas a familiares dele.
Há ainda o Glaucio Paz da Silva, alvo de busca e apreensão. Ele é delegado da Polícia Civil que foi sucessor do Marcos Amin na presidência do Detran. Investigações indicam o recebimento também de valores que são oriundos desse núcleo econômico, dos postos de combustíveis que são alvo da investigação de hoje.
A articulação de Márcio Canella, inclusive, segundo as investigações, envolvia a própria Alerj, através de um intermediário na Assembleia, para que o ex-prefeito de Belford Roxo, o deputado eleito Márcio Canella, fez essa atuação para que o Marcos Amin conseguisse fazer ascensão à Secretaria de Polícia Civil. Segundo o relatório já apresentado, houve uma intermédio político para que isso acontecesse.
No relatório da PF já descreve-se que houve um intermédio, inclusive, do Márcio Canella, de outros braços políticos desse grupo para que ele alçasse esse cargo durante o governo de Claudio Castro.
Operação da PF
Canella foi eleito com 197.178 votos no início do mês, sendo o segundo deputado mais votado do estado.
Nesta quinta (15), ele foi um dos presos na nova fase da Operação Unha e Carne. Também foi preso o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.
Essa é a oitava fase da Operação Unha e Carne, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro. O grupo investigado conta com a participação de agentes públicos e articulação político-institucional.
Na ação de hoje, policiais federais cumprem seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanha o cumprimento dos mandados contra os policiais civis investigados.
A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Desse total, 96 são postos de combustíveis utilizados para camuflar e legalizar recursos de origem criminosa.
De acordo com as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à Polícia Federal.
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros crimes que poderão surgir no decorrer das investigações.
A ação de hoje se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635. A operação foi tema da reunião realizada no último dia 6 de outubro entre a direção-geral da PF e o ministro Alexandre de Moraes, no STF.
Fonte: CBN
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