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Kiki Bispo cobra investigação sobre venda da Ebal e questiona passivo de R$ 92 milhões pago pelo Estado

Kiki Bispo cobra investigação sobre venda da Ebal e questiona passivo de R$ 92 milhões pago pelo Estado

Por Evilásio Júnior

20/07/2026 às 16:16

Imagem de Kiki Bispo cobra investigação sobre venda da Ebal e questiona passivo de R$ 92 milhões pago pelo Estado

Foto: Evilásio Júnior

O líder do governo Bruno Reis (União Brasil) na Câmara de Salvador, vereador Kiki Bispo, defendeu nesta segunda-feira (20) o aprofundamento das investigações sobre a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela extinta rede Cesta do Povo.

Em entrevista à CBN Salvador, o parlamentar afirmou que a negociação realizada em 2018 "não fecha a conta" e classificou como "inaceitável" o fato de o Estado continuar a pagar o passivo da empresa oito anos depois da venda.

A declaração ocorre após levantamento do Blog do Vila revelar, com base em dados do Portal Transparência Bahia, que o Governo do Estado já desembolsou R$ 92,56 milhões para quitar obrigações da antiga estatal, embora a empresa tenha sido vendida por apenas R$ 15 milhões.

"Continuar pagando ainda um passivo, eu não vejo isso como viável em negócio nenhum. Como é que você arremata uma rede de supermercados com um patrimônio enorme e o passivo continua com o Governo do Estado? É o povo da periferia pagando essa conta. Isso é inaceitável", afirmou.

"Só os imóveis já pagariam a venda" 

Durante a entrevista, Kiki Bispo colocou em dúvida o valor pago pela antiga estatal e citou imóveis da rede Cesta do Povo localizados em áreas valorizadas de Salvador.

Segundo ele, unidades como São Caetano, Castelo Branco, Ogunjá, Rio Vermelho, Sete Portas e outras possuíam patrimônio imobiliário suficiente para justificar um valor muito superior ao obtido na privatização.

"Só os ativos já pagariam essa merreca dos R$ 15 milhões, como disse o ex-ministro Rui Costa. Estou falando apenas do patrimônio, sem considerar equipamentos, estoque, marca ou operação", enumerou.

O vereador lembrou ainda críticas feitas na época pelo ex-deputado federal e empresário do setor supermercadista João Gualberto, que já questionava a negociação e classificava o preço da venda como incompatível com o patrimônio da empresa.

Críticas à Assembleia Legislativa 

Ao comentar a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Kiki afirmou que não acredita na instalação de uma investigação.

"Infelizmente, a Assembleia virou a Assembleia do Amém. Diz sim para tudo que o governador faz", lamentou.

Apesar disso, defendeu que os órgãos de controle aprofundem as apurações.

"Precisamos nos movimentar. Buscar informações no Tribunal de Contas, no Ministério Público e em todos os órgãos de fiscalização. A sociedade precisa tomar conhecimento do que aconteceu", declarou.

Credcesta e Operação Compliance Zero 

O líder do governo municipal também relacionou o caso à criação do Credcesta, modalidade de crédito consignado que sucedeu o antigo cartão de compras da Cesta do Povo destinado aos servidores estaduais.

Conforme Kiki, o programa deixou milhares de servidores endividados.

"O servidor recebia um cartão para comprar alimentos. De repente aquilo virou um negócio financeiro extremamente lucrativo para quem comprou e muito prejudicial para quem utilizou", criticou.

O vereador lembrou ainda que, em 2022, o então governador Rui Costa editou decreto para restringir a portabilidade dos contratos do Credcesta e manter a exclusividade do Banco Master como operador da modalidade.

As declarações ocorrem em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que voltou a colocar em evidência o empresário Augusto Lima, ligado ao Credcesta, e o senador Jaques Wagner (PT), secretário de Desenvolvimento Econômico durante o processo de desestatização da Ebal.

"Os números não fecham" 

Para Kiki Bispo, a coincidência entre os valores envolvidos em diferentes episódios recentes reforça a necessidade de novos esclarecimentos.

"Esses números de R$ 15 milhões na compra da Ebal e R$ 140 milhões naquele terreno... essa contabilidade não está fechando", comparou, sobre a venda do Centro de Convenções da Bahia, arrematado em leilão nesta segunda-feira (20) pelo Consórcio Pilar Incorporação e Construção Imobiliária, por R$ 134,8 milhões.

O vereador ressaltou que não cabe à Câmara Municipal investigar diretamente a privatização da empresa, mas afirmou que pretende buscar informações junto aos órgãos de controle para aprofundar o tema.

"A prova está nos documentos. O que precisamos agora é que tudo isso seja devidamente apurado", disse. 

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