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Professora Delliana defende desmilitarização da polícia, aborto legal e critica banalização de pedidos de impeachment
Professora Delliana defende desmilitarização da polícia, aborto legal e critica banalização de pedidos de impeachment
Por Evilásio Júnior
04/09/2026 às 11:51

Foto: Evilásio Júnior
A candidata ao Senado pela Bahia Delliana Ricelli (PSOL) defendeu, durante sabatina na CBN Salvador, uma ampla reformulação das políticas de segurança pública, com investimentos em inteligência, formação dos policiais, educação integral e prevenção.
Professora da rede estadual de ensino, ela também se posicionou a favor da desmilitarização das polícias, da ampliação do acesso ao aborto legal e seguro pelo SUS e do uso medicinal da cannabis. Em diferentes momentos da entrevista, a candidata ressaltou que problemas sociais, segurança pública, saúde e educação precisam ser tratados de forma integrada.
Na avaliação dela, o combate ao tráfico de drogas não pode se limitar às operações policiais nas periferias. “A gente precisa fazer grandes operações de inteligência. A gente não precisa, por exemplo, entrar e matar o vendedor a varejo da droga”, afirmou.
De acordo com a postulante, a falta de oportunidades facilita a cooptação de jovens pelo crime organizado. Ela defendeu a expansão da educação integral como uma das estratégias para reduzir a entrada de adolescentes no tráfico.
“Se esse estudante, se esse jovem, ele tem acesso a uma educação integral, ele vai ser uma presa mais difícil de ser captada pelo tráfico”, declarou.
Delliana reconheceu, entretanto, que educação não resolveria sozinha o problema da criminalidade. Para ela, é necessário combinar prevenção social com ações de inteligência e qualificação das forças de segurança.
Desmilitarização da polícia
Ao ser questionada sobre a proposta do candidato do PSOL ao governo da Bahia, Ronaldo Mansur, de desmilitarizar as polícias, Delliana afirmou ser favorável à mudança, mas ponderou que o processo precisa ser cuidadosamente planejado.
“Eu acredito que a gente precise fazer isso. Eu não sei se isso é uma coisa que dá pra fazer a curto prazo”, disse.
A candidata defendeu investimentos na formação dos policiais e destacou que a corporação deve ser vista como formada por trabalhadores que precisam de melhores condições para exercer a função.
“O policial é um trabalhador que segue ordens e regras”, considerou.
Delliana também citou a Ronda Maria da Penha como exemplo de uma atuação policial voltada para a proteção de mulheres vítimas de violência e defendeu maior integração entre as polícias Militar, Civil e Federal.
Crítica à superlotação dos presídios
A candidata também se posicionou contra a privatização de penitenciárias e defendeu uma mudança na lógica do sistema prisional brasileiro.
Segundo Delliana, a superlotação contribui para transformar as prisões em espaços de recrutamento e aperfeiçoamento da criminalidade.
“Se você prende uma pessoa, se você tem um processo de justiça baseado apenas na detenção e na punição, você não resolve a vida porque aquela pessoa, sem profissionalização, ela vai sair, ela vai reincidir”, declarou.
A candidata relatou experiências como professora em atividades educacionais no presídio de Itabuna e destacou que a educação e a profissionalização podem contribuir para a redução da reincidência.
Ela também criticou a morosidade da Justiça e afirmou que pessoas que ainda aguardam julgamento acabam, em razão da superlotação, convivendo com presos condenados por crimes graves.
Cannabis: foco no uso medicinal
Questionada sobre a legalização da maconha para uso recreativo, Delliana evitou defender uma liberação ampla e concentrou sua resposta na necessidade de ampliar o acesso da erva para fins terapêuticos.
“Eu acredito que a gente precisa avançar no uso medicinal da Cannabis”, afirmou.
A candidata citou casos de pessoas com problemas neurológicos e crianças com crises convulsivas que, segundo ela, podem apresentar melhora na qualidade de vida com medicamentos à base de cannabis.
Para Delliana, usuários de drogas não devem ser tratados da mesma maneira que traficantes e o consumo abusivo de substâncias precisa ser encarado também como uma questão de saúde pública.
“Eu não acho, por exemplo, que um usuário deve ser tratado como um traficante”, disse.
Ela também defendeu o fortalecimento dos CAPS e de políticas de redução de danos, além do acompanhamento das famílias de pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso abusivo de drogas.
Impeachment de ministros do STF
Em outro momento da sabatina, Delliana foi questionada sobre a atual pressão política em torno do Supremo Tribunal Federal (STF) e os pedidos de impeachment de ministros da Corte.
A candidata defendeu a independência entre os Poderes, mas afirmou que eventuais irregularidades precisam ser investigadas e julgadas dentro das regras institucionais.
“Eu acho que para o bom andamento da democracia, a tensão entre os três poderes é necessária”, afirmou.
Ela criticou, no entanto, o que considera uma banalização dos pedidos de impeachment.
“Não dá para a gente ficar assim: ‘ah, é impeachment, vamos impichar todo mundo’, porque quem é que vai restar nesse processo?”, questionou.
Para Delliana, o debate não pode se transformar em uma disputa de torcida política.
“A gente precisa ter um devido cuidado e ter coerência, ter decência no processo”, declarou.
Controle da atividade policial
A candidata também foi questionada sobre a proposta de investigação autônoma do Ministério Público em casos de mortes provocadas por agentes do Estado.
Delliana defendeu a responsabilização de policiais que cometam crimes, mas criticou a transferência de toda a responsabilidade pela violência para as forças de segurança.
“O policial é um trabalhador, e muitas vezes esse policial falha porque outras engrenagens falharam antes dele”, considerou.
Ela também chamou atenção para a violência sofrida por policiais durante as folgas e defendeu que o debate sobre segurança pública leve em consideração a proteção dos próprios agentes.
Mulheres na política
Uma das principais bandeiras da candidata é a ampliação da participação feminina nos espaços de poder. Delliana afirmou que as cotas eleitorais, embora importantes, não são suficientes para garantir maior presença das mulheres na política.
Para ela, é necessário enfrentar a divisão sexual do trabalho e as estruturas sociais que historicamente afastam as mulheres da vida pública.
“A gente precisa mudar a estrutura da sociedade”, declarou.
A candidata também defendeu uma distribuição mais efetiva dos recursos partidários para mulheres, especialmente para mulheres negras.
Na avaliação de Delliana, a representação política precisa refletir a diversidade da população brasileira.
“A fotografia do poder não foi feita para as mulheres”, afirmou.
Lei Maria da Penha e combate ao feminicídio
Ao responder qual seria sua primeira proposta voltada especificamente às mulheres caso fosse eleita, Delliana apontou o combate à violência e ao feminicídio.
A candidata defendeu mais recursos para garantir a efetividade da Lei Maria da Penha, além da ampliação da estrutura de atendimento às vítimas.
“A gente precisa garantir verbas e financiamento para que, de fato, essa Lei Maria da Penha seja operada”, afirmou.
Ela também defendeu a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e criticou a falta de atendimento em horários considerados mais críticos.
Delliana citou ainda a Casa da Mulher Brasileira, em Salvador, como uma estrutura que deveria ser ampliada para outras cidades baianas.
Aborto legal e seguro
A candidata declarou apoio à descriminalização do aborto e defendeu a ampliação do acesso ao procedimento seguro pelo SUS.
Ela destacou inicialmente a necessidade de garantir os casos que já são previstos pela legislação brasileira, como gestações decorrentes de estupro e situações de anencefalia.
“Eu acredito que, primeiro, antes de qualquer coisa, é garantir o que está previsto em lei agora”, afirmou.
Delliana também defendeu políticas de planejamento familiar e educação sexual como forma de prevenção de gestações não planejadas.
“A gente precisa educar para não engravidar, a gente precisa de fato garantir o aborto seguro legal para não morrer”, declarou.
Conforme a pessolista, mulheres pobres e negras são mais vulneráveis aos riscos decorrentes de procedimentos clandestinos.
Confira a sabatina na íntegra:
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