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Girão anuncia envio à PF de documentos sobre Cesta do Povo, espera 'tensão' em julgamento sobre Moraes e cobra reação da direita
Girão anuncia envio à PF de documentos sobre Cesta do Povo, espera 'tensão' em julgamento sobre Moraes e cobra reação da direita
Senador afirma que CPI do Banco Master já tem 53 assinaturas e critica ausência de Wagner, Otto e Coronel; Flávio Bolsonaro também não está entre signatários
Por Evilásio Júnior
14/09/2026 às 13:19

Foto: Evilásio Júnior
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), afirmou nesta segunda-feira (14), em entrevista à CBN Salvador, que vai encaminhar à Polícia Federal documentos relacionados à venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela antiga rede Cesta do Povo, para que a operação seja investigada.
De acordo com o parlamentar, o material recebido inclui decretos e informações sobre a criação e a operação do Credcesta, cartão consignado que fazia parte dos ativos negociados na desestatização da empresa baiana. Girão afirmou que já encaminhou os documentos ao próprio jurídico para preparar um ofício à PF.
“Eu estou com os decretos aqui e as informações e já encaminhei para o meu chefe de jurídico para fazer um ofício para a Polícia Federal, citando a matéria do Jornal Nacional, de que o governo não encaminhou os documentos. Eu vou encaminhar”, afirmou.
A declaração ocorre após uma reportagem da TV Globo apontar que o Governo da Bahia ainda não teria enviado à Polícia Federal toda a documentação solicitada pelos investigadores sobre o Credcesta.
A PF apura, no âmbito da Operação Compliance Zero, a relação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Conforme documentos da investigação, o petista teria sido beneficiário de vantagens econômicas indevidas.
Entre os elementos citados pela PF estão um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e uma transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador. A investigação também aponta viagens em aeronave de Augusto Lima e outros benefícios. Wagner nega irregularidades e afirma não ser réu nem ter sido denunciado no caso.
Venda da Ebal por R$ 15 milhões entra no radar
A conexão apontada por Girão está na origem do Credcesta.
Em abril de 2018, após dois leilões sem interessados, o Governo da Bahia vendeu o controle da Ebal por R$ 15 milhões à NGV Empreendimentos e Participações, única interessada na terceira tentativa de venda.
O negócio incluía a participação acionária da estatal, os fundos de comércio das lojas da Cesta do Povo, o direito de exploração da marca e o programa Credcesta, que posteriormente passou a integrar o ecossistema de negócios associado ao Banco Master.
Para Girão, a apuração sobre a antiga estatal pode ajudar a esclarecer a origem de negócios que posteriormente se conectaram às operações de Daniel Vorcaro.
Girão cobra CPI e diz que nenhum senador baiano assinou
O candidato a vice-presidente também voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master.
Segundo Girão, o requerimento chegou a 53 assinaturas, número que ele considera suficiente para a criação da comissão, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não deu andamento ao pedido.
“Quantas assinaturas nós conseguimos? 53 assinaturas. Acabei de passar o nome de cada um que assinou a CPI do Banco Master. Mas o Davi Alcolumbre matou no peito e disse que não abre”, apontou.
A lista reúne parlamentares de diferentes partidos e campos políticos. Entre os signatários estão nomes como Luiz Carlos Heinze (PP), Marcos Rogério (PL), Damares Alves (Republicanos), Leila Barros (PDT), Alessandro Vieira (MDB), Paulo Paim (PT), Renan Calheiros (MDB), Tereza Cristina (PP), Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (MDB), Sérgio Moro (União) e Fabiano Contarato (PT).
Girão chamou atenção, porém, para a ausência dos três senadores da Bahia.
“Nenhum assinou a CPI do Banco Master. Isso é importante as pessoas saberem. O Jaques Wagner, o Otto Alencar e o Angelo Coronel”, listou.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República e integrante da oposição ao governo Lula, também não assinou o requerimento.
A ausência de parlamentares de diferentes grupos políticos, segundo Girão, reforçaria a necessidade de pressão pela instalação da CPI.
Crise no STF chega ao plenário nesta terça-feira
Girão ainda classificou o atual momento do Supremo Tribunal Federal como uma “crise institucional sem precedentes”, mas o principal alvo de suas declarações foi o julgamento marcado para esta terça-feira (15).
O plenário do STF vai analisar se deve ser aberta uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes a partir de mensagens trocadas entre ele e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os elementos sob análise estão mensagens em que o dono do Master teria procurado Moraes para tratar de assuntos relacionados a investigações da Polícia Federal, além de outros contatos entre o ministro e o empresário. A apuração também envolve informações sobre um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes.
A sessão de terça-feira não vai analisar, ao mesmo tempo, o caso de André Mendonça.
O presidente do STF, Edson Fachin, rejeitou o pedido para que os dois procedimentos fossem julgados conjuntamente. A apuração sobre Mendonça foi marcada para 23 de setembro.
A separação dos processos é um dos pontos destacados por Girão, que elogiou parcialmente a decisão de Fachin.
“Mendonça tinha que ser julgado não, rapaz. Mendonça é um ministro técnico, é um ministro independente, é um ministro ético. Que está revelando a podridão. Esse é o crime dele? Revelar a podridão lá dentro do Supremo?”, questionou.
O senador também criticou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino, ao questionar a atuação dos ministros e suas relações políticas anteriores.
A crise interna do STF se agravou nos últimos dias com o embate entre Moraes e Mendonça sobre o acesso e a divulgação de informações apreendidas no celular de Daniel Vorcaro. Ministros como Zanin e Gilmar Mendes defenderam acesso ao conteúdo integral do aparelho, enquanto Mendonça sustentou que a abertura indiscriminada dos dados poderia comprometer investigações em andamento.
Para Girão, o julgamento desta terça-feira poderá ter impacto político relevante.
Girão vê espaço para terceira via na eleição presidencial
Na avaliação do senador, a crise entre o STF e o Banco Master pode ampliar o espaço para candidaturas que não estejam diretamente vinculadas à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
“As pessoas têm que sair desse Ba-Vi. Porque o que está acontecendo, e é ótimo tanto para o Flávio como para o Lula, que fica esse negócio de emoção, de emoção, que ninguém coloque razão nessa história. Então eu acho que existe vida inteligente fora dessa polarização, que já fez muito mal ao país”, afirmou.
Girão defendeu a candidatura de Romeu Zema e disse que o principal desafio da campanha é ganhar tempo para apresentar ao eleitor o desempenho do ex-governador de Minas Gerais.
“O que está faltando para a campanha do Zema é tempo para mostrar o trabalho que ele fez. Por isso que a gente está se desdobrando. Ele para um lugar, eu para outro. Nós estamos no peito e na raça aí, tentando mostrar isso para o brasileiro de bem”, declarou.
Entre as propostas defendidas pela chapa, Girão citou redução de impostos, endurecimento das políticas de segurança pública, oposição à liberação da maconha, defesa das escolas cívico-militares e medidas contra as apostas esportivas.
Quaest mostra Flávio a cinco pontos de Lula no primeiro turno
A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (14) mostra Lula na liderança do primeiro turno, com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31%. Augusto Cury aparece com 8%, Renan Santos e Ronaldo Caiado têm 4% cada, e Romeu Zema registra 1%. Indecisos somam 10%, enquanto 7% afirmam que votarão em branco, nulo ou não votarão. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026.
No segundo turno, entretanto, Flávio aparece numericamente à frente de Lula pela primeira vez nos levantamentos do instituto: 42% contra 40%. A diferença está dentro da margem de erro, portanto configura empate técnico. Na pesquisa anterior, os dois apareciam empatados em 41%.
Para Girão, o resultado reforça a percepção de que o cenário eleitoral ainda está aberto.
“Eu acredito que a semana final é aquela semana. Então, é bom que toda essa ebulição esteja acontecendo para as pessoas formarem aí a sua opinião com relação ao que está acontecendo”, afirmou.
O senador citou ainda o histórico eleitoral próprio para relativizar pesquisas divulgadas semanas antes da votação.
“Se dependesse de pesquisa, eu não estava aqui conversando com vocês enquanto senador da República. Porque eu estava em quarto lugar, na véspera da eleição”, lembrou.
Para ele, o eleitor deve utilizar o primeiro turno para escolher entre as candidaturas disponíveis, e não apenas para votar contra determinado candidato.
“Primeiro turno é para a gente escolher aquele melhor. E eu acho que o Zema tem uma história para mostrar para a população de sucesso na administração pública e pode crescer nessa reta final”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
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