Home

/

Notícias

/

Política

/

Flávio Bolsonaro diz ao NY Times que vai contestar legalmente vitória de Lula e nega ajuda em fuga: 'Levarei para o túmulo'

Flávio Bolsonaro diz ao NY Times que vai contestar legalmente vitória de Lula e nega ajuda em fuga: 'Levarei para o túmulo'

O candidato derrotado nas eleições presidenciais falou com o jornal americano, afirmando que 'levará para o túmulo' detalhes sobre como fugiu do Brasil

Por Redação

05/11/2026 às 14:43

Flávio Bolsonaro dá entrevista ao NY Times e diz que 'levará para o túmulo' resposta sobre como fugiu do Brasil.

Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro, senador e candidato derrotado na eleição de 25 de outubro, deu entrevista ao jornal americano The New York Times, afirmando que "levará para o túmulo" a resposta sobre como fugiu do Brasil após o resultado da votação. O material foi publicado nesta quinta-feira (5), com o veículo destacando que Flávio "insiste em alegações infundadas de fraude eleitoral e planeja influenciar a política do país à distância, mesmo que seu partido (PL) não esteja contestando os resultados".

Esta foi a primeira entrevista desde que o senador fugiu na semana passada. Ao NYT, em conversa de 75 minutos segundo o veículo, Flávio afirmou que realizou a viagem secreta inteiramente por conta própria:

"Foi tudo obra minha, não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo. Como cheguei até aqui, levarei isso para o túmulo comigo."

O jornal explica, porém, que o jato que levou Flávio Bolsonaro até Miami foi providenciado por um funcionário da Casa Branca e sua entrada nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Trump, segundo autoridades americanas. Ele também passou pelo Equador e pela Argentina, onde um dos principais assessores do presidente argentino o encontrou em um aeroporto.

Flávio Bolsonaro afirmou ser inocente, mas que se tivesse permanecido no Brasil, "o desfecho final seria prisão”, e voltou a criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Ele disse que decidiu que preferia deixar o Brasil a arriscar ser preso, e que tomou a decisão apenas na manhã seguinte à derrota nas eleições presidenciais brasileiras.

O jornal lembrou que o senador "enfrenta diversas investigações relacionadas à lavagem de dinheiro e corrupção no Brasil, e fugiu após as autoridades brasileiras ordenarem a entrega de seus passaportes".

Flávio Bolsonaro ainda declarou que buscará contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça que as chances de sucesso são mínimas.

Na semana passada, o senador divulgou uma carta de teor golpista com acusações infundadas, onde inicialmente se chamava de "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e depois alterou para "líder". No entanto, Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) já descartaram a possibilidade de anulação do segundo turno e garantiram a seguridade do processo eleitoral.

Na entrevista ao NYT, Flávio "ampliou drasticamente suas alegações de fraude, por vezes ecoando as teorias da conspiração que seu pai outrora propagava sobre as urnas eletrônicas do Brasil, um sistema que especialistas internacionais consideram um dos mais seguros do mundo", diz o texto publicado pela jornalista Ana Ionova.

Ao jornal, Flávio também disse que planeja mobilizar aliados no Brasil para defender sua agenda, incluindo a redução da maioridade penal e a busca por anistia para seu pai e os condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro.

Ainda de acordo com o NYT, Flávio criticou os gastos do governo durante a campanha, alegando que isso deu a Lula uma vantagem injusta, e também se colocou contra o movimento digital que ajudou a impulsionar o presidente.

Flávio Bolsonaro não culpou Donald Trump por não contestar a eleição brasileira -- o presidente americano afirmou apenas que o pleito "pareceu fraudado", mas que gostava de Lula. "Ele não tomou partido, o que é a coisa certa a fazer", disse, agradecendo a Trump por permitir que ele permanecesse nos Estados Unidos.

Encontro com Jair após derrota eleitoral

Jair e Flávio Bolsonaro, em junho de 2019

Valter Campanato/Agência Brasil

O senador também relatou ao jornal como foi o dia seguinte de sua derrota nas urnas, quando visitou o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentar dar um golpe de Estado no Brasil.

Flávio disse que, na manhã da visita, as autoridades o abordaram quando ele saía da casa de Jair para lhe dizer que tinha 24 horas para entregar seus passaportes.

"Ele olhou nos meus olhos e disse: 'Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?'", recordou. “Eu disse: 'Pai, eu já sei'”, acrescentou. “'E estou preparado, sei o que tenho que fazer.' Virei as costas e fui embora.”

De acordo com o senador, Jair Bolsonaro estava "com lágrimas nos olhos" quando o chamou para um canto antes de se separarem para conversar sobre o futuro, mas que não foi discutido nenhum plano de fuga.

Destino da família em solo americano

Flávio Bolsonaro e familiares chegando nos Estados Unidos.

RICARDO ARDUENGO/AFP

Flávio declarou ao jornal que ainda não tem certeza em qual região sua família irá se estabelecer, mas que devem se adaptar em solo americano, o que ele "espera que seja temporário".

Eduardo Bolsonaro mora no Texas e recentemente obteve um green card, mas após a vitória democrata no estado, Paulo Figueiredo, um dos aliados próximos, apresentou a Flórida como uma base natural para a família.

"Preciso seguir em frente com a minha vida nos Estados Unidos, pelo menos por enquanto", disse. Mas não descartou voltar ao Brasil e participar de um próximo pleito eleitoral: "Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente."

Fonte: CBN

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.