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Espanha atribui onda migratória em Ceuta à desinformação e culpa grupos extremistas por crise na fronteira

Espanha atribui onda migratória em Ceuta à desinformação e culpa grupos extremistas por crise na fronteira

Por Redação

04/08/2026 às 06:22

Imagem de Espanha atribui onda migratória em Ceuta à desinformação e culpa grupos extremistas por crise na fronteira

Foto: Reuters/Folhapress

O governo da Espanha atribuiu a recente onda migratória registrada em Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África, a uma campanha coordenada de desinformação disseminada por grupos extremistas de direita nas redes sociais. Segundo o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, mensagens falsas convenceram milhares de pessoas no Marrocos de que seria fácil entrar em território espanhol e permanecer legalmente no país.

A crise migratória provocou uma das maiores pressões já registradas na fronteira de Ceuta. Milhares de migrantes tentaram chegar ao território espanhol por terra e pelo mar nos últimos dias, sobrecarregando os serviços de segurança e de acolhimento. A travessia também resultou em dezenas de mortes, principalmente durante tentativas de cruzar a fronteira a nado.

Governo aponta campanha organizada de desinformação

De acordo com Albares, a onda migratória foi impulsionada por uma "internacional reacionária", que teria espalhado informações falsas sobre mudanças nas regras migratórias da Espanha e do Espaço Schengen.

Entre os boatos divulgados nas redes sociais estavam mensagens afirmando que qualquer pessoa que conseguisse chegar a Ceuta teria direito automático à permanência na Espanha e, posteriormente, à livre circulação pela União Europeia. O governo espanhol afirma que essas informações são falsas.

Decisão judicial também alimentou rumores

As autoridades espanholas reconhecem que uma recente decisão do Supremo Tribunal da Espanha contribuiu para a disseminação dos boatos. A decisão limitou a possibilidade de devolução imediata de migrantes que entram em Ceuta pelo mar, o que acabou sendo distorcido nas redes sociais como uma suposta autorização para permanecer no país.

Segundo o governo, organizações criminosas especializadas no tráfico de pessoas aproveitaram essa interpretação equivocada para incentivar milhares de pessoas a tentar a travessia.

Espanha reforçou segurança na fronteira

Diante da crise, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez enviou reforços militares e ampliou o efetivo das forças de segurança em Ceuta. Espanha e Marrocos também firmaram um acordo para acelerar o retorno de migrantes em situação irregular e reforçar o controle da fronteira.

Segundo dados das autoridades espanholas, dezenas de milhares de pessoas já retornaram ao território marroquino após a operação conjunta dos dois países, embora centenas permaneçam sob atendimento das autoridades locais.

Crise reacende debate sobre imigração na Europa

A situação em Ceuta voltou a colocar a política migratória europeia no centro das discussões. Integrantes de governos e partidos conservadores defendem medidas mais rígidas para proteger as fronteiras externas da União Europeia, enquanto organizações humanitárias cobram maior proteção aos migrantes e investigações sobre as mortes registradas durante a travessia.

Ceuta e Melilla, os dois enclaves espanhóis localizados em território africano, são considerados há décadas uma das principais portas de entrada de migrantes que tentam alcançar a Europa, tornando-se frequentemente palco de crises humanitárias e disputas políticas entre Espanha, Marrocos e a União Europeia.

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