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Câmara aprova fim da escala 6x1 com apoio de baianos, mas proposta ainda enfrenta incertezas no Senado
Câmara aprova fim da escala 6x1 com apoio de baianos, mas proposta ainda enfrenta incertezas no Senado
Por Henrique Spínola
28/05/2026 às 07:22

Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e abre caminho para o fim da escala 6x1 no país. A votação contou com participação decisiva de parlamentares baianos, incluindo o relator da matéria, o deputado federal Leo Prates (Republicanos).
Os três deputados da Bahia que integravam a comissão especial da PEC votaram favoravelmente ao texto-base: Leo Prates, Lídice da Mata (PSB) e José Rocha (União Brasil). No primeiro turno, a proposta foi aprovada por 472 votos a 22. Já no segundo, o placar foi de 461 votos favoráveis contra 19 contrários.
Entre os parlamentares baianos ausentes nas votações estavam Adolfo Viana (PSDB-BA) e João Carlos Bacelar (PL-BA). No segundo turno, também não participou da votação o deputado Jorge Araújo (PP-BA), que alegou ao Blog do Vila ter se "passado" porque a votação passou "rápido demais". Todos os demais chancelaram a medida.
O que muda com a PEC
A proposta altera o trecho da Constituição Federal que trata dos direitos trabalhistas e estabelece que a duração do trabalho normal não poderá ultrapassar oito horas diárias e 40 horas semanais.
A implementação será gradual. Conforme o texto aprovado:
- as primeiras duas horas da redução da jornada deverão ser aplicadas em até dois meses após a promulgação da PEC;
- as duas horas restantes deverão ser implementadas em até 12 meses depois da primeira etapa.
Já o fim da escala 6x1, que garante ao menos duas folgas semanais — preferencialmente aos domingos —, passará a valer 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.
O texto também mantém a possibilidade de compensação de horários e flexibilização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas.
Pressão sobre sindicatos e empresas
Um dos principais pontos de debate durante a tramitação foi justamente o período de transição. Setores empresariais e confederações patronais pressionaram por mais tempo para adaptação às novas regras.
O governo federal, que inicialmente resistia à criação de uma transição prolongada, acabou fechando acordo para permitir a implantação gradual da redução da carga horária.
O relatório apresentado por Leo Prates ainda determina que, 60 dias após a promulgação da PEC, acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras perderão automaticamente a validade. A medida foi interpretada como uma forma de pressionar sindicatos e empregadores a renegociarem os contratos de trabalho.
Profissionais de alta renda ficarão fora
A regra, no entanto, não será universal. A PEC exclui trabalhadores com diploma de nível superior que recebam acima de duas vezes e meia o teto do INSS — atualmente cerca de R$ 21,1 mil.
Para o grupo, não haverá obrigatoriedade de controle de jornada ou aplicação das novas regras trabalhistas. O argumento utilizado pelos defensores da exceção é o de evitar a “pejotização” e garantir maior liberdade contratual para profissionais de alta renda.
Senado ainda não definiu quando votará texto
Apesar da ampla aprovação na Câmara, a proposta ainda terá um caminho delicado no Senado Federal. Até o momento, o presidente da Casa, **Davi Alcolumbre** (União-AP), não se posicionou publicamente sobre a PEC e ainda não há data definida para análise da matéria.
Nos bastidores, interlocutores do comando do Senado afirmam que a tramitação não deverá ocorrer em ritmo acelerado, mesmo diante do forte apelo popular da proposta. O entendimento é que o Senado não pode atuar apenas como uma “casa revisora automática” das decisões da Câmara e precisa discutir o texto com mais profundidade.
Também ainda não foi decidido se a PEC passará por uma comissão especial específica ou se seguirá o rito tradicional pelas comissões temáticas antes de ir ao plenário.
Com a aproximação do recesso parlamentar e o clima eleitoral já tomando conta de Brasília, parlamentares admitem reservadamente que a proposta pode perder a prioridade nas próximas semanas.
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