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Alcolumbre sinaliza impeachment cruzado de Moraes e Mendonça para conter pressão no Senado
Alcolumbre sinaliza impeachment cruzado de Moraes e Mendonça para conter pressão no Senado
Por Redação
05/09/2026 às 08:21

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a colegas do Congresso que uma eventual pressão considerada insustentável para que fosse aberto um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia levar também ao avanço de um pedido contra o ministro André Mendonça.
A possibilidade, descrita nos bastidores como um “impeachment cruzado”, teria contribuído para diminuir a tensão entre os senadores nos últimos dias. As informações foram divulgadas pela jornalista Ana Flor, da GloboNews, e repercutidas pelo Metro1.
A movimentação ocorre em meio ao aumento do conflito entre Moraes e Mendonça, que ganhou força após decisões e documentos relacionados às investigações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Moraes pede investigação contra Mendonça
Na quinta-feira (3), Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, um pedido para que André Mendonça fosse investigado. O ministro apontou possíveis indícios de crime de responsabilidade e outras irregularidades na atuação do colega.
Moraes acusou Mendonça de, entre outros pontos, ter interferido na condução de investigações, avançado de maneira considerada irregular em tratativas relacionadas a uma possível colaboração premiada de Vorcaro e direcionado apurações por supostos motivos pessoais e políticos.
O despacho também mencionou informações relacionadas ao próprio Moraes e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aumentando a repercussão política do episódio.
Fachin retira caso do inquérito das fake news
Na sexta-feira (4), Fachin decidiu retirar o pedido de Moraes contra Mendonça do âmbito do inquérito das fake news. O presidente do STF determinou que o caso passe a ser concentrado na Presidência da Corte.
Fachin também estabeleceu prazo de cinco dias para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentem manifestações sobre as acusações.
A decisão não representa, neste momento, uma conclusão sobre as acusações feitas por Moraes. O procedimento ainda está em fase de análise e coleta das manifestações dos envolvidos.
Relatório da PF aumentou tensão
A crise entre os ministros se intensificou depois que André Mendonça determinou, na terça-feira (1º), a retirada do sigilo de um relatório elaborado pela Polícia Federal.
O documento revelou mensagens e contatos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo os registros apresentados, o ex-dono do Banco Master teria procurado o ministro para tratar de assuntos relacionados à instituição e solicitado sua atuação junto a autoridades como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A divulgação do material provocou forte repercussão política e ampliou a pressão sobre o Senado, que tem competência constitucional para processar pedidos de impeachment de ministros do Supremo.
Possível reação de Alcolumbre
É nesse contexto que surgiu a sinalização atribuída a Alcolumbre. De acordo com a apuração, o presidente do Senado teria indicado que, se a pressão para abrir um processo contra Moraes ultrapassasse determinado limite, poderia permitir também o avanço de uma iniciativa semelhante contra Mendonça.
A estratégia funcionaria como uma forma de equilibrar as forças políticas no Senado e evitar que a Presidência da Casa fosse colocada diante de uma decisão unilateral envolvendo apenas um dos ministros.
O cenário também ganhou importância após os documentos da PF mencionarem o próprio Alcolumbre. Relatórios de inteligência encaminhados a Moraes chegaram a apontar o senador como possível “alvo estratégico”, embora os documentos tenham ressalvado que não possuem valor probatório ou caráter decisório.
Conflito envolve Banco Master e atuação do STF
A disputa entre os ministros ocorre em meio a diferentes investigações relacionadas ao Banco Master. O caso envolve Daniel Vorcaro, que foi preso e é alvo de investigações sobre possíveis irregularidades relacionadas à instituição financeira.
Mendonça passou a analisar documentos e informações que envolvem o caso, enquanto Moraes questionou a forma como o colega conduziu parte das apurações.
Ao apresentar o pedido contra Mendonça, Moraes afirmou haver suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade, quebra de imparcialidade e favorecimento de determinados grupos políticos. As acusações ainda serão analisadas e não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade do ministro.
Com Fachin assumindo a condução do procedimento e abrindo prazo para manifestações, a expectativa é de que o episódio continue sendo acompanhado pelo STF e pelo Senado. Ao mesmo tempo, a possibilidade de um “impeachment cruzado” acrescenta um componente político à crise institucional entre integrantes da Suprema Corte.
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