Home

/

Notícias

/

Política

/

Vices: Alckmin ganha protagonismo; Gaspar fica no NE até final da campanha

Vices: Alckmin ganha protagonismo; Gaspar fica no NE até final da campanha

Com agendas próprias, os candidatos a vice-presidente tornaram-se figuras essenciais na busca por votos e apoios políticos.

Por Redação

17/10/2026 às 00:00

Geraldo Alckmin, Alfredo Gaspar e Julio Delgado

Foto: Júlio César Silva/MDIC, Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados, Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Nessa reta final da disputa presidencial no segundo turno, os candidatos a vice-presidente deixaram de ser meras figuras de bastidor para assumir um papel decisivo. Geraldo Alckmin, do PSB, e Alfredo Gaspar, do PL, operam em agendas paralelas aos cabeças de chapa, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A estratégia é conhecida há tempos: dividir para conquistar.

Enquanto os titulares mobilizam grandes comícios e as redes sociais, os vices viajam o país para dialogar com setores em que os Lula e Flávio enfrentam maior resistência ou precisam ampliar votação. É o que explica a cientista política da UFRJ, Mayra Goulart:

O vice ele tem duas funções uma de respeito à dinâmica da governabilidade caso o candidato seja eleito que é atrair mais um partido. Para além disso na dimensão eleitoral, em suma, o que o vice traz? Traz sua trajetória. Nessa trajetória ele tem uma base social uma identificação e traz suas relações pessoais e partidárias

Na chapa de Lula, Geraldo Alckmin atua como o principal fiador econômico e político da campanha. O vice-presidente cumpre uma rotina intensa de encontros com empresários, lideranças do agronegócio e executivos do mercado financeiro.

A relevância do político é tamanha que, durante uma reunião interna da cúpula do PT, a ex-senadora Kátia Abreu chegou a resumir o sentimento de pragmatismo da campanha com a frase: "menos Janja, mais Alckmin".

Paralelamente, o vice-presidente usa a bagagem política para negociar apoios, funcionando como um contraponto para atenuar o tom da polarização. À CBN, Alckmin destacou o esforço de campanha em diminuir a abstenção.

'A campanha é curta, segundo o turno são três semanas só. O Brasil é um continente, então a gente se divide, um vai para um lado, o outro vai para o outro. É buscar o voto, com humildade pedir o voto, conversar com quem não votou em nós, votou em outros candidatos e, então, fazer um apelo para as pessoas irem votar. Nós tivemos uma abstenção grande, mas acho que a gente pode avançar mais.

Do outro lado, Alfredo Gaspar cumpre missão semelhante para reforçar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, Gaspar dá eco à pauta do combate ao crime. Mas o grande trunfo é a interlocução que tem por ser uma liderança no Nordeste.

O candidato a vice lidera a articulação regional da campanha do PL para tentar reduzir a vantagem de Lula na região e abrir diálogo com prefeitos e governadores de centro-direita. Gaspar contou à nossa reportagem que o maior objetivo até a reta final é passar por todos os nove estados, com mais de uma agenda por dia.

'Estou tendo a honra de poder representar o presidente Flávio Bolsonaro em muitas agendas no Nordeste, levando suas propostas, dialogando com a população. O povo do Nordeste quer oportunidades e um novo futuro. E nós estamos trazendo propostas concretas para um futuro promissor, com oportunidades e pensando na população mais vulnerável, para que essas pessoas possam crescer, possam ir além do Bolsa Família. O povo está aberto para novas oportunidades.

As eleições de 2026 escancaram algo que se viu ganhar força pela primeira vez em 2022: candidatos a vice com capital político próprio. Algo muito diferente do cenário de disputas anteriores, como conta o cientista político Paulo Baía:

"O vice geralmente era alguém para não atrapalhar, alguém para compor um arranjo político. Ele e o vice em si não tinha protagonismo, e isso passou a ter um pouco em 2022 e muito agora em 2026. Tanto que passou a ter para presidente da república, mas para os governos dos estados [o vice] ainda não tem essa presença. Há uma novidade nos vices ganharem uma certa autonomia em relação ao presidente da República.

As agendas próprias de Alckmin e Gaspar mostram que, apesar de os holofotes estarem em Lula e Flávio, o papel dos vices deixou de ser meramente decorativo. Eles podem fazer diferença na reta final de uma disputa que caminha para ser uma das mais acirradas da história.

Fonte: CBN

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.