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João Roma diz que proposta de Flávio Bolsonaro amplia proteção do Bolsa Família: 'Não é para acabar em dois anos'

João Roma diz que proposta de Flávio Bolsonaro amplia proteção do Bolsa Família: 'Não é para acabar em dois anos'

Em entrevista à CBN Salvador, presidente do PL na Bahia afirmou ainda que possível retorno a ministério não foi tratado nas conversas com o candidato

Por Redação

20/10/2026 às 14:18

Imagem de João Roma diz que proposta de Flávio Bolsonaro amplia proteção do Bolsa Família: 'Não é para acabar em dois anos'

Foto: Max Haack / Divulgação

O presidente do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania João Roma defendeu, em entrevista à CBN Salvador, nesta terça-feira (20), a proposta da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para ampliar a proteção oferecida aos beneficiários do Bolsa Família que conseguirem emprego com carteira assinada. 

De acordo com o dirigente, a iniciativa prevê a manutenção do benefício por pelo menos dois anos, além de um pagamento adicional de R$ 200, e o retorno automático ao programa caso a nova trajetória profissional não dê certo.

Roma afirmou que a medida não significa o encerramento do benefício após dois anos, mas uma tentativa de estimular a entrada no mercado de trabalho sem que as famílias precisem abrir mão imediatamente da assistência social.

“Não quer dizer que é um tempo de duração de dois anos para acabar o Bolsa Família. Longe disso”, declarou.

A proposta foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, em entrevista à CBN Salvador. Roma afirmou que a iniciativa representa uma mudança na forma de conciliar o recebimento do benefício com a conquista de uma nova fonte de renda.

“Significa que a pessoa tem a possibilidade de, mesmo estando recebendo o benefício do Bolsa Família, conseguir um emprego de carteira assinada. Diferente de hoje, que, se isso acontecer, a pessoa perde o Bolsa Família”, disse.

Na sequência, Roma detalhou o mecanismo defendido pela campanha. “A pessoa assinando a carteira recebe mais um benefício de R$ 200 por mês e a garantia de passar, no mínimo, mais dois anos no programa Bolsa Família. E, vindo a sair de lá e alguma coisa der errado na sua trajetória, que ela consiga retornar de imediato ao programa Bolsa Família”, afirmou.

Ex-ministro compara proposta com regras atuais

Durante a entrevista, Roma argumentou que a possibilidade de continuar recebendo o benefício após conseguir emprego formal daria mais segurança às famílias que buscam melhorar de vida. Ele também criticou as regras atuais de transição e retorno ao programa.

“Quando a pessoa, com muito custo, consegue uma oportunidade de trabalho, especialmente nessas regiões, a pessoa perde o benefício do Bolsa Família. Ainda tem uma carência depois de quase três anos para poder retornar ao programa”, declarou.

O ex-ministro defendeu que a política social seja acompanhada de medidas de qualificação profissional, acesso ao crédito e aproximação entre trabalhadores e empresas. Para ele, a combinação dos instrumentos pode facilitar a entrada no mercado de trabalho e ampliar a renda familiar.

“É uma forma de, além de você dar o suporte para a família que está necessitada, que precisa ter o programa para a sua subsistência, você dá a oportunidade de estimular essa pessoa para que ela possa melhorar de vida”, afirmou.

Roma chamou a estratégia de “rampa de ascensão social” e disse que o processo depende de diferentes condições, como infraestrutura, educação, capacitação e oportunidades de emprego.

“São uma série de quesitos que são necessários para que a pessoa consiga melhorar de vida”, explicou.

Roma defende legado do Auxílio Brasil

Ao falar sobre sua passagem pelo Ministério da Cidadania, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Roma destacou a reformulação do programa de transferência de renda que deu origem ao Auxílio Brasil. Segundo ele, o valor mínimo do benefício passou a R$ 600, enquanto algumas famílias recebiam valores maiores, conforme as regras aplicáveis à época.

“Quando nós conseguimos reestruturar o programa, na época que eu era ministro, e que, inclusive, ampliamos o valor, nós conseguimos colocar outros avanços”, afirmou.

O ex-ministro também sustentou que a política social deve ser acompanhada de responsabilidade fiscal. De acordo com o presidente do PL na Bahia, a ampliação do benefício no governo Bolsonaro foi viabilizada por mudanças orçamentárias e pela redução de despesas em outras áreas.

Roma criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que o debate sobre programas sociais tem sido utilizado politicamente durante a campanha eleitoral. 

Plano de Flávio prevê corte de ministérios e redução de despesas

Questionado sobre as principais propostas do plano de governo de Flávio Bolsonaro, Roma defendeu a redução de gastos públicos e a reorganização da estrutura administrativa federal, em que o candidato promete cortar pelo menos dez ministérios.

“É fundamental que a gente tenha sim um novo equilíbrio da nossa República para que o Brasil possa andar com leveza”, declarou.

O dirigente afirmou que os cortes deveriam atingir despesas que considera excessivas, e não serviços essenciais ou programas sociais.

“O tesouraço é essencial para equilibrar as contas da nação, mas, pelo contrário, justamente são as coisas essenciais do nosso Estado. E não os penduricalhos, não as mordomias”, disse.

Roma também relacionou a responsabilidade fiscal ao custo de vida, ao argumentar que o equilíbrio das contas públicas pode contribuir para reduzir a pressão sobre juros, impostos e preços. 

João Roma descarta negociação para voltar a ministério

Durante a entrevista, Roma também foi indagado sobre a possibilidade de voltar a ocupar um ministério em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O presidente do PL na Bahia afirmou que o assunto não foi tratado nas reuniões com o candidato.

“Nas conversas que tivemos ali, não foi tratado sobre cargos, até porque você não pode tratar de coisas hipotéticas”, declarou.

Ele disse que pretende continuar a atuar politicamente independentemente de ocupar um cargo público. O ex-ministro ressaltou que sua disposição para trabalhar em favor da população não depende de uma eventual nomeação.

“Independente do resultado da eleição, a minha vocação, a minha vontade de servir, melhorar a vida das pessoas mais necessitadas, não vai mudar um milímetro”, afirmou.

Roma acrescentou que espera contribuir para um eventual governo, mas ressaltou que a escolha de integrantes da equipe caberá ao presidente eleito.

Ex-ministro critica situação da Bahia

Na entrevista, Roma também fez críticas à administração estadual, especialmente nas áreas de educação, segurança pública e infraestrutura. Ele citou obras como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), o Porto Sul e a Ponte Salvador-Itaparica, que, em sua avaliação, ainda não entregaram os resultados esperados.

O dirigente também criticou a situação da educação baiana e afirmou que a criação de oportunidades de emprego depende de investimentos em infraestrutura e qualificação profissional.

Ao abordar a relação entre o governo estadual e as prefeituras, Roma acusou a administração de adotar critérios políticos na distribuição de benefícios e recursos. 

Por: Blog do Vila

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