Home
/
Notícias
/
Política
/
‘Redenção rápida e injustificável do bolsonarismo’; analistas politicos avaliam próximos passos após 1ºturno
‘Redenção rápida e injustificável do bolsonarismo’; analistas politicos avaliam próximos passos após 1ºturno
Os comentaristas da CBN Malu Gaspar, Lauro Jardim e Vera Magalhães fazem um balanço dos números do 1º turno e as perspectivas para as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula no 2º turno. Acompanhe.
Por Redação
05/10/2026 às 09:59
Atualizado em 05/10/2026 às 11:27

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo e Marina Uezima/Brazil Photo Press/Agencia O Globo
Um dia depois do primeiro turno das eleições, o jornal da CBN reúne comentaristas políticos para fazer um balanço dos números do 1º turno e as perspectivas para as campanhas de Flávio Bolsolaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois vão para a disputa de 2º turno. Os comentaristas da CBN, Malu Gaspar, Lauro Jardim e Vera Magalhães, também fazem uma análise da onda bolsonarista baseada no antissistema e os reflexos do aumento da bancada do PL no Congresso.
Malu Gaspar falou sobre a disputa presidencial e destacou que 'Lula não está vendendo futuro, está falando muito do passado'. Comentarista explica que, do ponto de vista do Congresso, a onda de direita está baseada em um sentimento antissistema:
"Eu acho que está muito claro que houve um recado contra o STF nesse momento, uma espécie de uma indignação da população em relação ao que a gente viu no Supremo Tribunal Federal, no Judiciário nos últimos tempos, e isso fez, sim, diferença"
Vera Magalhães ressalta o peso que o STF teve nessa eleição e a redenção rápida e injustificável do bolsonarismo. Comentarista acrescenta que toda escolha democrática, legítima, tem consequências e vamos viver consequências dessa guinada:
"Me espanta o peso do bolsonarismo em 2026, apenas quatro anos depois do fim do governo Jair Bolsonaro e apenas um ano depois da condenação do Jair Bolsonaro e de vários integrantes da cúpula do seu governo, cúpula civil e cúpula militar, por tentativa de golpe de Estado. Eu acho que houve uma redenção rápida e injustificável (...) então eu acho que se o STF teve um peso, esse peso foi absolutamente desbalanceado em relação a todo o restante que cabe a um presidente da república, cabe ao Senado e cabe à Câmara dos Deputados.
Lauro Jardim destaca que a votação expressiva de Flávio Bolsonaro, em boa parte, se deve porque, na cabeça do eleitor, ele representa mudança. Já Lula representa continuidade. Lauro destaca que Flávio tem fragilidades evidentes: biografia rala, cheia de pontos complicado. Mas, nada disso, por enquanto, colou nele. O que se espera da campanha de Lula é tentar convencer o eleitor que Flávio não tem condições de governar o país:
"Flávio tem ali fragilidades evidentes, tem uma biografia muito rala, uma biografia cheia de pontos complicados, rachadinha, filme Dark Horse, etc. Ele é investigado pela polícia, agora, nada disso, por enquanto, colou nele, nada disso a população deu essa importância. Ela colocou de lado isso e o que se espera nesse momento da campanha do Lula é que ele vá, ao mesmo tempo que vai privilegiar mudanças, o que ele pode fazer ainda e tal, é bater e ir atrás de tentar convencer o eleitor que o Flávio não tem condições de governar. (...) Neste momento, eu acho que o que está contando é a fadiga de material do Lula. A população quer mudança e o Lula não representa essa mudança".
Estratégias das campanhas:
Malu Gaspar destaca o início de uma ampla revisão da campanha do PT. Eles acham que Lula deve descer do salto, vai precisar se expor mais e falar mais de futuro do que do passado, além de uma forte campanha de descontrução de Flávio Bolsonaro. Já do lado Flávio, a ideia é de que eles precisam do apoio dos candidatos que perderam, além do arsenal que está sendo montado contra Lula. Malu acredita que Flávio vai se expor menos, porque já saiu na frente.
"A campanha do Flávio é uma campanha de quem já está na frente, então vai se expor menos, e o Lula é uma campanha de quem precisa virar, e vai chamar o Flávio para o debate, vai ser curioso ver dois candidatos que não quiseram debater, fizeram de tudo que podiam para não debater no primeiro turno, sendo obrigados a se enfrentar cara a cara, vamos ver se o Flávio vai topar esse embate agora".
Vera Magalhães acredita que a campanha de Lula vai ter que passar por guinada de estratégias e de avaliação de erros. ‘Havia arrogância tremenda. Em algum momento, precisa descer a realidade’. Lula se furtou a discutir legado e futuro. ‘Realidade em que o eleitor deu voto de redenção do bolsonarismo. Isso é espantoso’. A estratégia do Flávio é jogar parado, jogar a favor do vento.
"A campanha Lula vai ter que realmente passar por uma guinada de estratégia, era bom que passasse por algum reconhecimento de erros, em vez de colocar a culpa no eleitor ou na imprensa, porque foi ele que achou que o Flávio Bolsonaro era um adversário fácil de bater, havia uma arrogância tremenda no PT. (...) Em algum momento precisa descer a realidade. Um presidente que se gaba de ter um contato direto, uma linha direta com o povo, estava muito desconectado do povo para chegar a essa conclusão no dia da eleição e ainda assim não fazer uma revisão do que está em jogo, porque é isso, não é que o legado do Jair Bolsonaro seja um legado de prosperidade, não é. E ele, Lula, se furtou a discutir legado e discutir futuro".
Lauro Jardim explica que, na campanha de segundo turno, tudo o que Flavio Bolsonaro vai querer é fugir dos debates, acrescido de todo um contexto favorável. Já Lula precisa de qualquer maneira confrontar e vencer o Flávio.
"Tudo que o Flávio Bolsonaro vai querer nesse momento é fugir dos debates, como ele fez no primeiro turno. Mas agora com o acrescido do fato de que ele saiu na frente, como disse a Vera, não só saiu na frente, como tem todo um contexto favorável a ele. Ele quer fugir de qualquer discussão. E o Lula, exatamente o contrário do que fez no primeiro turno, que achava que não precisava do debate, etc., ele precisa de qualquer maneira desse debate, de confrontar o Flávio e vencer o Flávio, porque também, em princípio, o Flávio é inexperiente em debate"
Governos de estados
Lauro Jardim destaca que o Rio de Janeiro sai da eleição com a situação mais indefinida. O TSE precisa definir se os votos de Garotinho contam ou não contam. Se contarem, tem segundo turno. Se não contarem, Douglas Ruas leva no primeiro turno. Lauro Jardim ressalta que:'estava escrito nas pedras do calçadão de Copacabana, que Douglas Ruas ia crescer. O bolsonarismo é muito forte no Rio de Janeiro, tem força na capital, mas tem muita força na região metropolitana, Baixada Fluminense e no interior do Estado. Para o comentarista, se tiver 2º turno, Paes sai numa situação parecida de Lula e com poucos elementos para virar o jogo.
"Se tivermos o segundo turno, o Eduardo Paes está numa situação muito parecida com a do Lula, ele vai precisar, está saindo atrás, vai precisar virar o jogo, e na minha opinião, com poucos elementos para virar o jogo".
Vera Magalhães, ao falar da campanha de Lula, cita que a tropa dos estados vem de derrota e que vai ser preciso umadose de humildade:
"A tropa que vem dos estados vem de uma derrota e de uma ressaca, então acho muito complicado recompor esse time em tão pouco tempo sem uma estratégia clara, porque ele mesmo se disse aturdido com o resultado que ele esperava ganhar ontem, então vai precisar de uma dose de humildade para reconhecer que o governo dele não é o que ele acha que é e para dizer para as pessoas porque a cerveja e a picanha não vieram e o que ele promete colocar no lugar"
Ouça a análise completa:
Fonte: CBN
Relacionadas
Análise: Lula terá grande dificuldade para virar o pleito contra Flávio no 2º turno
05/10/2026 às 18:08
Por Redação
Flávio Bolsonaro articula campanha com Tarcísio e Nikolas Ferreira para segundo turno
05/10/2026 às 17:54
Por Redação
Média de idade dos 10 deputados federais mais votados cai de 39 para menos de 32 anos
05/10/2026 às 17:11
Por Redação



