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Delação do ex-dono da Reag cita Wagner e ACM Neto em investigação sobre Banco Master
Delação do ex-dono da Reag cita Wagner e ACM Neto em investigação sobre Banco Master
Por Evilásio Júnior
27/08/2026 às 07:08

Foto: Angelo Pontes / GOVBA
Uma proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República pelo empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, colocou novamente os nomes do senador Jaques Wagner (PT) e do candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) no radar das investigações relacionadas ao Banco Master.
A informação foi divulgada nesta quarta-feira (26) pela colunista Natália Portinari, do UOL. Conforme a reportagem, Mansur entregou à PGR uma proposta com 17 anexos, nos quais detalha suspeitas de crimes financeiros. O acordo ainda passa por ajustes finais e não foi formalmente assinado.
Apesar das citações a políticos, o principal alvo da colaboração é Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Mansur afirma que a Reag prestava serviços ao banco desde 2019 e relata operações que, segundo ele, teriam utilizado fundos de investimento para movimentar recursos por meio de empresas de fachada, beneficiários ocultos e estruturas offshore.
Wagner é citado por ingressos para show de Taylor Swift
No caso de Jaques Wagner, a proposta de delação menciona a compra de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, realizado em São Paulo, em 2023. Segundo informações divulgadas pelo UOL, os ingressos, avaliados em cerca de R$ 63,3 mil, teriam sido adquiridos por João Carlos Mansur a pedido de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, e posteriormente destinados ao senador baiano.
Augusto Lima também é um dos nomes ligados à negociação que resultou na compra da antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede Cesta do Povo. A operação ocorreu em 2018, quando Wagner ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, durante o governo de Rui Costa (PT).
A menção a Wagner na proposta de delação ocorre pouco mais de dois meses depois de o senador ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho. A operação investiga supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Em endereços ligados ao senador, em Brasília e na Bahia, os agentes apreenderam cerca de 55 mil dólares, 33 mil euros e 13 relógios.
Na representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal apontou indícios de que Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas de integrantes ligados ao Banco Master, especialmente de Augusto Lima. Entre os benefícios investigados estão o uso de jatos particulares, ingressos para shows internacionais, pagamentos destinados a uma empresa ligada à família do senador e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões.
A PF também investiga se o imóvel teria sido adquirido por meio de estruturas societárias e financeiras ligadas ao grupo investigado.
Procurado pelo UOL, Wagner afirmou que a compra dos ingressos ocorreu a partir de um pedido pessoal feito a um amigo para ajudá-lo a conseguir as entradas. O senador também declarou que não conhece João Carlos Mansur e nunca manteve relação com a Reag.
ACM Neto aparece em fundo de investimentos
Já ACM Neto é citado em outro contexto. De acordo com a reportagem, o ex-prefeito de Salvador é proprietário exclusivo do fundo Seattle 95, que foi administrado pela Reag até 2025.
O fundo teria aplicado aproximadamente R$ 4,8 milhões no Structure, fundo de empréstimos consignados originados pelo Banco Master. A aplicação teria ocorrido em quatro operações entre novembro de 2021 e julho de 2025.
Ainda segundo o UOL, ACM Neto realizou dez aportes que somaram R$ 7,92 milhões no Seattle 95. O patrimônio do fundo chegou a R$ 11,94 milhões em outubro do ano passado, o que representa um ganho de aproximadamente R$ 4 milhões.
Em resposta à reportagem, Neto afirmou ser cotista do fundo e disse que os recursos utilizados eram próprios, de origem declarada e lícita. De acordo com ele, a Reag foi contratada para administrar os recursos em conformidade com as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e a rentabilidade obtida foi compatível com o mercado.
Delação ainda precisa ser formalizada
A proposta apresentada por Mansur ainda não representa uma delação premiada homologada pela Justiça. O acordo precisa ser formalizado e, posteriormente, poderá ser submetido à análise do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pelo caso.
Segundo o UOL, Mansur se comprometeu a pagar R$ 40 milhões em multas e apresentou documentos que, segundo ele, podem ajudar as autoridades a rastrear recursos e identificar empresas e fundos utilizados nas operações investigadas.
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