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PL usou estratégia do PT para levar Douglas Ruas à liderança, diz marqueteiro

PL usou estratégia do PT para levar Douglas Ruas à liderança, diz marqueteiro

Paulo Vasconcelos atribui resultado às derrotas de Paes em Duque de Caxias e Nova Iguaçu

Por Redação

05/10/2026 às 11:55

Candidato ao governo do RJ, Douglas Ruas (PL).

Foto: Pedro Bohnenberger/CBN

O marqueteiro Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio, afirma que a estratégia que levou o candidato à liderança no primeiro turno reproduziu fórmulas tradicionalmente associadas ao PT.

"Douglas era a novidade da eleição. A defesa dos mais humildes, mais fracos. Usamos duas estratégias usadas sempre pelo PT: apresentar a novidade e construir a narrativa a partir da periferia, valorizando o povo", disse.

Ruas obteve 49,27% dos votos válidos. Se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantiver o indeferimento da candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), que teve 3% dos votos, essa votação será anulada e Ruas poderá ser eleito sem segundo turno. O PL trabalha com esse cenário, que não era previsto nem pelo partido. Segundo Vasconcelos e outras fontes da legenda, a expectativa era de que Ruas terminasse o primeiro turno na frente, mas com Eduardo Paes (PSD) logo atrás.

Para o marqueteiro, as derrotas de Paes em Duque de Caxias e Nova Iguaçu foram decisivas. Nas duas cidades, o prefeito do Rio tinha o apoio de lideranças que haviam apoiado Cláudio Castro e o PL em 2022.

"Os apoios do Paes não foram combinados com o eleitor. A família Reis estava com Cláudio Castro, Washington [Reis, ex-prefeito de Caxias] quase foi vice do Castro, Rogério Lisboa [ex-prefeito de Nova Iguaçu] era vice do Douglas. Essa mudança não foi compreendida pelo eleitor", afirma.

Foi uma eleição atípica. Com o governo do estado ocupado desde março pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, o Rio teve uma disputa sem candidato à reeleição e, portanto, sem uma oposição definida. A estratégia de Ruas foi apresentar Paes como se fosse o atual governador.

"Não tratamos o Eduardo como sucessor do Castro, mas colocamos ele na cadeira de governador, no sentido de ser corresponsável pelos problemas do estado. Sabíamos que existe um desconforto no eleitor com o Rio da capital, sempre em festa, e o Rio da Baixada, de São Gonçalo, do interior. Investimos nisso. A única cena do Douglas no Leblon, em Copacabana, foi para criticar a Zona Sul."

A campanha avalia que também se beneficiou do tom agressivo adotado por Paes.

"Desde o começo foi uma campanha pesada e forte contra um desconhecido, que era o Douglas. Preferimos não responder, só no TRE", diz Vasconcelos, em referência às ações apresentadas na Justiça Eleitoral. "Ele [Douglas] tinha um pedágio para pagar pela ligação com o Castro, que é mal avaliado, mas, fora isso, era a grande novidade."

Ruas também explorou as críticas ao uso de dinheiro público em shows como os de Madonna e Lady Gaga, em Copacabana, e à presença de Paes no Carnaval. O PSD reagiu com imagens de Ruas desfilando na Sapucaí e em camarotes, mas, segundo o marqueteiro, a resposta não teve o mesmo efeito.

"Ruas era desconhecido. E o eleitor sabe que Paes é festeiro. Isso colou", afirma Vasconcelos.

Fonte: CBN

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