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PF pediu prisão de Márcio Canella um mês antes das eleições; deputado foi eleito com 197 mil votos

PF pediu prisão de Márcio Canella um mês antes das eleições; deputado foi eleito com 197 mil votos

A representação foi apresentada à Justiça em 3 de setembro, e a PGR se manifestou sobre o caso em 14 de setembro. A decisão do ministro Alexandre de Moraes só foi proferida em 13 de outubro. Canella foi preso logo na sequência, em 15 de outubro.

Por Redação

16/10/2026 às 08:08

Atualizado em 16/10/2026 às 11:30

Ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil).

Foto: Reprodução/Alerj

A Polícia Federal pediu a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella mais de um mês antes do primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro. A representação foi apresentada à Justiça em 3 de setembro, e a Procuradoria-Geral da República se manifestou sobre o caso em 14 de setembro. A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, só foi proferida em 13 de outubro. Canella foi preso logo na sequência, em 15 de outubro, durante mais uma fase da Operação Unha e Carne.

Mesmo sob investigação, o político do União Brasil disputou as eleições e terminou como o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, com 197.178 votos. Agora, além dos desdobramentos criminais, o futuro político dele depende de uma ação que tramita no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o registro de sua candidatura.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio havia autorizado a candidatura de Canella, mas o Ministério Público Eleitoral recorreu ao TSE. No recurso, foram apresentados indícios reunidos pela Polícia Federal sobre o suposto envolvimento do político com organizações criminosas.

Cabe agora ao TSE decidir se mantém ou rejeita o registro. Caso a candidatura seja indeferida, os votos recebidos por Canella poderão ser anulados, o que pode exigir uma nova totalização dos resultados e alterar a composição da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Mesmo que a candidatura seja mantida, a prisão levanta dúvidas sobre os próximos passos do deputado eleito. Uma delas é se ele poderá ser diplomado enquanto estiver preso. Outra é como ficará o exercício do mandato caso tome posse, mas continue impedido de comparecer às sessões. O Regimento Interno da Alerj prevê consequências para deputados que ultrapassam o limite de faltas.

Canella foi preso na quarta-feira (15), junto com outras cinco pessoas, em uma nova fase da Operação Unha e Carne, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis no estado. Entre os presos também está Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa reunia empresários, políticos e agentes públicos e teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Os investigadores apontam que o setor de combustíveis era usado para movimentar grandes quantias em dinheiro e misturar receitas de origem legal e ilegal.

Ex-prefeito de Belford Roxo, Canella é apontado pela investigação como patrono e articulador político do grupo. Em julho deste ano, o deputado eleito já havia sido preso em flagrante por porte ilegal de arma durante outra fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, ele foi solto dias depois.

Fonte: CBN

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