Home
/
Notícias
/
Política
/
Oposição tenta salvar PEC da Imunidade no Senado limitando blindagem ao uso da palavra
Oposição tenta salvar PEC da Imunidade no Senado limitando blindagem ao uso da palavra
Por Redação
24/09/2025 às 10:00

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
A aprovação da PEC da Imunidade – que exige prévia autorização do Legislativo, com voto secreto, para processar criminalmente parlamentares – representou uma vitória do Centrão na Câmara, mas já encontra resistência no Senado. Apesar disso, senadores que veem perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a direita propõem um texto mais enxuto que dê maior proteção apenas para a fala dos parlamentares.
O MDB, que tem a maior bancada da Casa, com 12 senadores, anunciou que seus integrantes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) vão se posicionar pela inconstitucionalidade do texto e prometeu voto contrário no plenário. Sem o apoio do partido, dificilmente a PEC terá os 49 votos necessários para aprovação.
Em nota, líder Eduardo Braga (AM), afirma que a proposta implode a igualdade prevista na Constituição, cria “castas blindadas contra a Justiça” e representa “impunidade absoluta e um imenso retrocesso para a democracia e a transparência pública”.
O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), já declarou que a PEC “não passa de jeito nenhum” e atuará para barrar sua tramitação. Ele pautou a matéria para a sessão da próxima quarta-feira (24). Se for rejeitada na comissão, nem vai a votação no plenário.
O relator da proposta, Alessandro Vieira (MDB-PE), já adiantou que pretende apresentar um relatório pela rejeição. Segundo Vieira, a proposta é inoportuna, equivocada e não tem validade constitucional.
“Ela cria uma casta privilegiada que vai poder cometer qualquer tipo de crime na esfera federal, mas também na distrital e estadual. É literalmente uma PEC que protege bandido e ela não vai ter abrigo aqui no Senado”, declarou o senador à GloboNews.
Senadores tentam salvar a PEC com proposta mais enxuta
Apesar da resistência aberta no Senado, há tentativas de salvar a proposta.
O senador Sérgio Moro (União-SC) propôs uma mudança para que a autorização prévia seja exigida apenas para acusações relacionadas ao uso da palavra, exceto ameaça, e não para os demais crimes. A votação seria aberta, e não secreta.
“A opinião dos parlamentares precisa, sim, de maior proteção, mas impunidade para crimes comuns, como corrupção, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, jamais”, disse.
A emenda recebeu apoio de 12 senadores: Esperidião Amin (PP-SC), Ciro Nogueira (PP-PI), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Alan Rick (União-AC), Carlos Portinho (PL-RJ), Jorge Seif (PL-SC), Plínio Valério (PSDB-AM), Rogerio Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Marcio Bittar (PL-AC), Marcos Rogério (PL-RO), Professora Dorinha Seabra (União-TO) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na mesma linha de Moro, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), defende uma proteção mais restrita, em relação a "crimes de opinião". Para ele, essa limitação preservaria a liberdade de expressão e reforçaria a independência do Legislativo.
“Isso fortalece o Parlamento, a democracia e a liberdade de expressão. Democracias fortes são as que têm Parlamentos fortes. Nada mais da essência do Parlamento do que a livre manifestação do pensamento, seja qual for a orientação política”, afirmou Nogueira em publicação no X.
A estratégia busca amenizar críticas de que a PEC amplia privilégios e cria blindagem contra a Justiça. No entanto, o texto aprovado pela Câmara vai muito além.
Ele exige que a abertura de qualquer ação penal contra deputados ou senadores no STF tenha autorização prévia das respectivas Casas. Assim, mesmo diante de investigações da Polícia Federal ou denúncias da Procuradoria-Geral da República, caberia ao Congresso decidir se o processo pode ou não seguir para julgamento.
O mecanismo pode beneficiar diretamente parlamentares já investigados no Supremo, como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Elmar Nascimento (União-BA), Júnior Mano (PSB-CE) e o líder do governo, José Guimarães (PT-CE).
Informações da Gazeta Brasil
Relacionadas
Depoimento aponta que aliado de Geddel teria cobrado R$ 1 milhão de ex-candidato após eleições de 2024
18/04/2026 às 12:21
Por Henrique
Zé Cocá afirma que deixou prefeitura sem promessa de cargo e aposta em 'motivação' de ACM Neto
17/04/2026 às 07:04
Por Redação
Disputa interna na oposição: novos nomes para AL-BA geram desconforto em redutos eleitorais na Bahia
17/04/2026 às 06:36
Por Redação



