Home
/
Notícias
/
Brasil
/
Pesquisa identifica tumores e deformidades em peixes 11 anos após desastre de Mariana
Pesquisa identifica tumores e deformidades em peixes 11 anos após desastre de Mariana
Estudos identificaram alterações na vida aquática da Bacia do Rio Doce e substâncias acima dos limites estabelecidos pela Anvisa.
Por Redação
05/11/2026 às 16:17

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Onze anos depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, a recuperação do ecossistema aquático na Bacia do Rio Doce ainda enfrenta desafios. Pesquisas coordenadas pela Ufes identificaram deformidades em larvas de peixes, ovos inviáveis, tumores e alterações na composição das espécies. Também foram encontrados contaminantes acima dos limites estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em algumas amostras analisadas.
Os dados foram apresentados pela universidade à CBN e ao g1. Apesar da redução gradual dos indicadores de contaminação ambiental ao longo dos últimos anos, uma questão importante permanece: a segurança dos peixes para o consumo humano. Isso porque o próprio programa de monitoramento da Ufes não tem como objetivo avaliar os riscos à saúde de quem consome pescado da região.
Entre os resultados apresentados pela universidade estão análises de três peixes marinhos com deformidades externas, duas curvinas e um linguado. Os exemplares foram capturados por pescadores e encaminhados congelados para avaliação, a pedido do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os exames realizados pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte identificaram concentração de chumbo acima do limite permitido pela Anvisa em um dos exemplares, um linguado.
Ufes identifica deformidades em peixes após desastre de Mariana no Espírito Santo
Divulgação/Ufes
A concentração encontrada foi de 0,726 miligrama por quilo. O limite máximo tolerado é de 0,30 miligrama por quilo. As duas curvinas apresentaram concentrações dentro dos limites para os quatro metais regulamentados: arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo.
Mas uma delas tinha lesões na pele e uma massa nodular que se estendia da mandíbula até a cavidade oral. A universidade ressalta que esses resultados se referem apenas aos três animais examinados e não permitem caracterizar as condições gerais do pescado da região. Também não foram feitas investigações para determinar as causas das alterações e das mortes dos animais.
Pescadores que atuam em rios e no litoral capixaba também relataram o aparecimento de animais com deformidades e sinais de doenças. Entre os registros estão peixes com machucados, tartarugas com úlceras e ostras cobertas de lama.
Indicadores ambientais mostram melhora gradual
Sobre a qualidade ambiental, a Ufes informa que houve uma redução gradual dos índices de contaminação na água, nos sedimentos e nos peixes.
Nos últimos dois anos, as amostras de peixes marinhos, camarões de água doce e salgada e caranguejos analisadas pelo programa ficaram dentro dos limites da Anvisa para arsênio, cádmio, mercúrio e chumbo.
A exceção foi registrada em peixes de água doce, com amostras que apresentaram chumbo acima do limite em janeiro de 2025. O monitoramento também identificou deformidades em larvas, principalmente na região do trato digestório e da cabeça, além de uma proporção elevada de ovos inviáveis, especialmente no ambiente marinho.
A universidade observou, ainda, mudanças nos hábitos alimentares e na condição corporal de algumas espécies. Nos ambientes de água doce, houve redução de espécies nativas e aumento da presença de espécies introduzidas.
Outro ponto importante é que o programa ainda não é direcionado especificamente à captura de peixes de tamanho comercial ou destinados ao consumo humano. A Ufes informou que pretende incluir esses exemplares no próximo ciclo de monitoramento.
Consumo humano
A segurança do pescado também foi avaliada pela Anvisa, em uma nota técnica que embasou a retomada da pesca em um trecho do mar próximo à foz do Rio Doce, onde as atividades ficaram proibidas por mais de 10 anos. A avaliação identificou que amostras de pescado marinho e caranguejos de mangue estavam dentro dos limites para os contaminantes analisados.
Já entre os peixes de água doce, quatro amostras de acará e pacu apresentaram cádmio acima do limite permitido. Todas foram coletadas no mesmo ponto de monitoramento. A maior concentração foi de 0,063 miligrama por quilo.
Segundo a Anvisa, essas amostras não devem ser destinadas ao consumo humano.
O Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente foram procurados para esclarecer quais estudos avaliaram os possíveis riscos à saúde humana associados ao consumo de pescado da região e se existe acompanhamento da saúde das comunidades atingidas. Os dois ministérios citaram que essa análise está a cargo da Anvisa.
A agência informou, em nota, que analisou dados recentes do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA) para avaliar a presença de elementos químicos em pescados e suas implicações para a saúde da população.
Disse, ainda, que foram avaliados 11 elementos: arsênio, cádmio, chumbo, mercúrio, cobre, alumínio, cromo, ferro, níquel, manganês e zinco. A agência explicou que, para esta avaliação, utilizou dados laboratoriais e os limites definidos em normas nacionais e internacionais.
Essa análise teve o propósito de avaliar os níveis de elementos químicos em contraposição aos níveis seguros para a saúde humana, considerando o perfil de consumo.
Os níveis encontrados dos elementos monitorados nos pescados da região não indicaram, segundo a Anvisa, neste momento, preocupação para a saúde relacionada ao consumo dos pescados.
Samarco cita investimentos em monitoramento
A Samarco informou que o novo acordo do Rio Doce prevê monitoramento contínuo da água, dos sedimentos e da fauna aquática, além de estudos sobre a recomposição do ecossistema costeiro. A empresa também informou que já foram investidos cerca de R$ 800 milhões, desde 2018, em iniciativas de monitoramento da biodiversidade aquática na Bacia do Rio Doce e nos ambientes costeiros e marinhos.
Onze anos depois da tragédia, os dados mostram avanços em alguns indicadores ambientais, mas também apontam alterações que ainda precisam ser acompanhadas.
Fonte: CBN
Relacionadas
União apura rapidez em transferência de mansão em ilha de Angra para Willer Tomaz, que em disputa com Richarlison
05/11/2026 às 14:29
Por Redação
Defesa Civil confirma duas mortes devido aos temporais em Santa Catarina
05/11/2026 às 12:08
Por Redação
Governo gera 121 mil empregos formais em setembro; queda é de 43% em relação ao mesmo mês no ano passado
04/11/2026 às 19:31
Por Redação



