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Nove dos dez deputados federais mais votados do país nesta eleição têm menos de 40 anos

Nove dos dez deputados federais mais votados do país nesta eleição têm menos de 40 anos

Levantamento da CBN mostra que, em 2022, a média de idade dos maiores puxadores de voto era de 39 anos; agora, ficou abaixo de 32. Apesar da mudança de perfil no topo da lista, a Câmara como um todo não rejuvenesceu.

Por Redação

10/10/2026 às 06:53

Plenário da Câmara dos Deputados durante votação

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A média de idade dos dez deputados federais eleitos com as maiores votações nas Eleições 2026 é de menos de 32 anos. O número despencou quase 20% em relação ao ranking de 2022, quando os parlamentares mais bem votados já eram jovens, com uma média de 39 anos de idade. Os dados foram levantados pela CBN na base da Justiça Eleitoral.

A única integrante do grupo com mais de 40 anos é Julia Zanatta, do PL de Santa Catarina, com 41. O mais votado, Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, tem 30 anos e bateu o recorde da história da Câmara, com mais de três milhões de votos. Logo atrás veio Lucas Pavanato, do PL de São Paulo, de 28 anos, que também passou dos três milhões. A mais jovem do grupo é Ana Elisa, do PT mineiro, que completou 21 anos em agosto, a idade mínima para o cargo.

Mas o rejuvenescimento ficou no topo da lista. A CBN cruzou a data de nascimento dos 513 deputados eleitos, e a média de idade da Câmara ficou em 49 anos e meio. Em 2022, era de 50 anos. Em 2018, de 49. Com isso, a distância entre os campeões de voto e o restante da Casa, que era de 11 anos, subiu para 18.

O analista político Deividi Lira explica que o fenômeno está concentrado nos chamados puxadores de voto.

"Não é necessariamente um rejuvenescimento da Câmara dos Deputados como um todo. Só que a gente enxerga um protagonismo nestas eleições de políticos que são mais jovens entre os grandes puxadores de voto, que a gente chama. Então, isso tem uma relação muito forte com a transformação da própria comunicação política e do formato de se fazer marketing político."

Ele destaca que esses parlamentares produzem conteúdo todos os dias, não só durante a campanha. E a presença digital aparece nos números. De acordo com a plataforma Plenário 2027, todos os dez mais votados têm mais de um milhão de seguidores no Instagram. Nikolas Ferreira, sozinho, soma 22 milhões. O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, diz que as redes mudaram o mapa da disputa.

"As redes sociais criaram também um novo tipo de território eleitoral. Antes, o candidato precisava conquistar município por município. Hoje, uma liderança digital consegue conversar simultaneamente com eleitores espalhados por todo o estado. Os partidos ficam mais dependentes dessas figuras mais novas, que têm forte poder de mobilização digital para conseguir sucesso nas urnas."

Essa dependência tem explicação no sistema eleitoral. Na eleição para deputado, os votos de cada candidato também contam para o partido. Quanto mais votos um campeão de urnas recebe, mais cadeiras a legenda conquista, e mais colegas ele ajuda a eleger. Deividi Lira avalia que uma votação recorde também dá peso dentro da Câmara.

"Ajuda, sim, com certeza, na composição de possíveis comissões na Câmara, porque é uma pessoa, é um político que todo mundo quer estar perto. Então, com certeza, isso também ajuda ele na articulação dentro da Câmara dos Deputados para ocupar aí a presidência ou até mesmo um outro cargo da mesa diretora de alguma comissão"

No topo da lista, a direita leva vantagem: PL, Novo e Missão somam seis dos dez mais votados, incluindo os dois primeiros. Esquerda e centro-esquerda têm quatro nomes, entre eles Erika Hilton, do Psol de São Paulo, terceira colocada. Na Câmara inteira, o retrato é outro. O PL tem o maior número de deputados jovens, mas porque é a maior bancada: a média de idade do partido é praticamente igual à da Casa. As bancadas mais jovens são a do Psol, com média abaixo de 40 anos, e a do Novo, com pouco mais de 41. O PT está entre as mais velhas, com quase 53. Murilo Medeiros chama atenção para essa coincidência entre partidos de polos opostos.

"Tanto a direita quanto a esquerda aprenderam a produzir lideranças digitais. E o curioso é que essa renovação vem de partidos com características ideológicas mais coesas, como o Novo, mais à direita, e o Psol, mais à esquerda. Os dois juntos conseguem replicar uma fórmula de sucesso nas redes sociais e formar grandes puxadores de votos."

As redes, no entanto, não são o único caminho dos mais jovens até Brasília. O deputado mais novo da próxima legislatura é Alvinho Lira, do PP de Alagoas, filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Ele tem 20 anos e só completa 21 em março. A candidatura foi possível por causa de uma lei de 2025, que permite verificar a idade mínima até 90 dias depois da eleição da Mesa Diretora, e não mais no dia da posse. Em 2022, o mais jovem eleito também era herdeiro político: Ícaro de Valmir, de Sergipe, filho de um ex-prefeito de Itabaiana. Entre os eleitos com até 30 anos neste ano, há outros filhos de políticos, da direita à esquerda, como Jair Renan Bolsonaro, do PL, e Diego Quaquá, do PT.

A lista de eleitos só fica definitiva com a diplomação, prevista para até 19 de dezembro, e pode mudar se alguma candidatura for cassada ou indeferida. Os novos deputados tomam posse em 1º de fevereiro.

Fonte: CBN

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