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Copa Feminina de 2027 terá sete jogos em Salvador e prevê ações contra violência de gênero
Copa Feminina de 2027 terá sete jogos em Salvador e prevê ações contra violência de gênero
Planejamento inclui espaços de acolhimento para mulheres, integração do transporte público e iniciativas para ampliar a participação feminina no futebol.
Por Redação
31/10/2026 às 13:03
Atualizado em 31/10/2026 às 13:03

Foto: Evilásio Júnior
A preparação da Bahia para a Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027 terá como uma das prioridades a construção de um legado voltado às mulheres, com ações de prevenção à violência de gênero, ampliação da participação feminina no esporte e melhorias na estrutura de acolhimento nos espaços esportivos.
A proposta foi apresentada pelo coordenador técnico do Grupo Executivo da Copa do Mundo Feminina no Brasil, Ney Campello, e pela coordenadora do Núcleo Mais Mulheres no Esporte da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), Juliana Camões, em entrevista à CBN Salvador.
Conforme Campello, Salvador receberá sete partidas do torneio e a Arena Fonte Nova já foi vistoriada pela Fifa. De acordo com ele, a entidade avaliou positivamente as condições do equipamento, que tem capacidade para 48 mil pessoas.
Diferentemente da Copa masculina de 2014, a preparação agora não deve ter como eixo principal grandes intervenções de infraestrutura, mas a transformação cultural e o fortalecimento do futebol feminino.
"Será a Copa da transformação cultural, que vai tratar da agenda da mulher", afirmou o coordenador.
Entre as medidas previstas está a criação de espaços permanentes de acolhimento às mulheres na Arena Fonte Nova e na estação de metrô do Campo da Pólvora, que dá acesso ao estádio.
A proposta é oferecer atendimento e suporte em situações relacionadas à violência de gênero, com a manutenção da estrutura mesmo após o encerramento da competição.
Plano prevê impedir acesso de agressores aos jogos
Uma das iniciativas em discussão pelo governo estadual é a criação de um sistema integrado entre a Fifa e a área de Segurança Pública para identificar pessoas submetidas a medidas protetivas ou restrições judiciais relacionadas à violência contra a mulher e impedir que elas tenham acesso aos jogos.
Campello explicou que a proposta considera o uso do reconhecimento biométrico na entrada dos estádios. A intenção é evitar que pessoas impedidas judicialmente de frequentar esses espaços consigam assistir às partidas.
O coordenador defendeu que a medida não fique restrita à Copa do Mundo e possa ser estendida a outros jogos de futebol. Ele também chamou atenção para a relação entre partidas esportivas e episódios de violência doméstica, ao destacar a necessidade de aproveitar a visibilidade do torneio para ampliar o enfrentamento ao problema.
Juliana Camões afirmou que o Núcleo Mais Mulheres no Esporte já mantém diálogo com diferentes secretarias e com a administração da Arena Fonte Nova para discutir medidas de acolhimento e segurança. Para ela, a Copa representa uma oportunidade de dar visibilidade a dificuldades enfrentadas pelas mulheres no esporte e de alcançar públicos que normalmente não participam dessas discussões.
Bahia quer atrair seleções e ampliar público da Copa
O planejamento também prevê ações para estimular a presença de torcedores nos estádios e ampliar o interesse pelo futebol feminino. Campello afirmou que a formação de público depende do fortalecimento da modalidade, com investimentos na base, criação de escolinhas, estrutura esportiva e qualificação de profissionais.
"É preciso estimular muito a formação de escolinhas de futebol feminino no interior do estado. É preciso criar complexos esportivos voltados ao futebol feminino", defendeu.
O coordenador citou iniciativas dos clubes baianos e afirmou que o Grupo Executivo pretende estimular a participação de equipes de diferentes regiões do estado. Também apontou a necessidade de ampliar a formação de árbitras, técnicas, gestoras e outras profissionais ligadas ao esporte.
Outra proposta é discutir com a Federação Bahiana de Futebol (FBF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mudanças nos horários das partidas. Campello criticou a realização de jogos do futebol feminino em horários considerados pouco acessíveis ao público, como partidas às 21h30 de uma segunda-feira.
Ele também sugeriu a realização de rodadas duplas, com partidas femininas antecedendo jogos dos times masculinos de Bahia e Vitória, como forma de aproveitar a presença de torcedores nos estádios.
A estratégia inclui ainda a tentativa de trazer a Seleção Brasileira Feminina para disputar pelo menos um amistoso na Bahia antes da Copa. Campello disse que o governo trabalha para atrair seleções de destaque internacional, mesmo que elas não sejam sorteadas para jogar em Salvador. A intenção é convencê-las a utilizar a estrutura baiana para períodos de aclimatação.
O sorteio final da competição está previsto para 11 de dezembro, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A equipe baiana pretende organizar uma transmissão em telão no Estádio de Pituaçu, durante um festival nacional de artesanato.
“Pela primeira vez, a Copa do Mundo Feminina acontece na América do Sul, e a gente consegue ter uma esperança de que esse cenário ajude, que a gente modifique muita coisa aqui”, salientou Juliana.
Mobilidade e interiorização estão entre as prioridades
Na área de infraestrutura, Campello destacou que Salvador terá uma integração entre metrô, VLT, aeroporto e nova rodoviária. Segundo ele, a Bahia será o único estado entre as oito sedes do Mundial com conexão por metrô entre o estádio, o aeroporto e a rodoviária.
A estrutura também será utilizada para facilitar o deslocamento de torcedores do interior. O coordenador defendeu que a Copa não fique restrita à capital e alcance os 417 municípios baianos.
O planejamento inclui ainda a preparação de centros de treinamento e aclimatação. Além da Arena Fonte Nova, os estádios de Pituaçu e do Barradão serão utilizados como centros de treinamento durante a competição. Campello também citou locais habilitados para receber delegações fora de Salvador, entre eles Mata de São João e Porto Seguro.
Na área de segurança, o Grupo Executivo mantém um núcleo temático que reúne representantes de diferentes secretarias e dialoga com a Fifa. A atuação deverá contemplar não apenas os estádios, mas também hotéis, centros de treinamento e demais espaços utilizados pelas delegações e pelos visitantes.
Workshop vai discutir metas concretas de legado
Um dos próximos passos será a realização de um workshop estadual sobre os legados da Copa, marcado para 2 de dezembro, no complexo que reúne o Sebrae e o Banco do Nordeste, no Costa Azul, em Salvador.
A proposta é reunir representantes do governo, do Sistema S, clubes, terceiro setor e comissões de esporte do Legislativo para transformar as diretrizes gerais em metas concretas. Entre os pontos a serem discutidos estão a quantidade de centros esportivos e escolinhas que poderão ser criados e o número de profissionais que deverão receber formação.
Juliana Camões também informou que o planejamento trabalha com uma estimativa de R$ 8,8 bilhões em investimentos e aproximadamente 73,7 mil empregos gerados em torno da Copa.
Outra iniciativa mencionada foi o envio de um pedido à Fifa para ofertar sete mil ingressos destinados a estudantes e professores, com a intenção de distribuir mil entradas por partida. A ideia busca estimular a presença de jovens, especialmente meninas, e ampliar o envolvimento da comunidade escolar com a competição.
“O esporte comunica muito. A linguagem do esporte dá acesso e visibilidade que, em outros momentos, a gente não consegue alcançar”, ressaltou a coordenadora.
Ela também ressaltou que a Copa deve ser aproveitada para fortalecer iniciativas que já estão em andamento na Bahia, a exemplo de competições de base e projetos de identificação de talentos no interior. A coordenadora citou torneios como a Copa Loreta Valadares e a Copa Rainha Marta como parte do esforço de ampliação da participação feminina no futebol.
Fonte: Blog do Vila
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