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Ronaldo Mansur nega 'dobradinha' de PSOL com PT e promete revogar portaria da aprovação automática na Bahia
Ronaldo Mansur nega 'dobradinha' de PSOL com PT e promete revogar portaria da aprovação automática na Bahia
Por Evilásio Júnior
01/09/2026 às 12:27

Foto: Evilásio Júnior
O candidato ao governo da Bahia pelo PSOL, Ronaldo Mansur, afirmou, em entrevista à CBN Salvador, que sua candidatura não representa uma linha auxiliar do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e criticou a tentativa de associar o partido a uma suposta dobradinha com o grupo governista.
De acordo com o postulante, a sigla mantém uma posição de oposição programática tanto ao governo estadual quanto à gestão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil).
“Nós somos oposição política programática ao governo do Estado, como também somos ao prefeito de Salvador”, assegurou.
O candidato lembrou que o partido declarou apoio a Jerônimo Rodrigues no segundo turno da eleição de 2022, mas ressaltou que não recebeu cargos no governo estadual.
“Nós não somos sócios. O PSOL não tem um único cargo no governo estadual”, disse.
Para Mansur, eventuais acordos políticos entre o governo e a oposição devem ser procurados em outros grupos. Ele citou a relação entre deputados ligados a ACM Neto e o Palácio de Ondina na Assembleia Legislativa da Bahia.
No entanto, caso seja eleito, o pessolista admitiu conversar com todos os grupos na Alba, uma vez que dificilmente o PSOL conquistará maioria na Casa.
“É verdade, o nosso governo será um governo de diálogo. Nós vamos dialogar com todos os deputados estaduais. Nós vamos aceitar todo o apoio que seja em favor da população baiana, agora nós não vamos ser um balcão de negócio”, advertiu.
Segurança pública: “É preciso combater o crime organizado”
Em relação à segurança pública, Mansur afirmou que as organizações criminosas já estão presentes em praticamente todo o território baiano e defendeu uma política integrada entre os governos estadual e federal.
O candidato criticou o que considera um processo histórico de sucateamento das polícias Civil, Militar e Técnica e afirmou que os governos petistas deram continuidade a uma política que, segundo ele, já havia no período do carlismo.
“A política de hoje de segurança pública é uma continuidade da política carlista, da política do grupo do ACM Neto, e que a burocracia petista deu continuidade”, criticou.
Ronaldo Mansur defendeu a realização de concursos públicos e afirmou que a Polícia Civil precisa ter seu efetivo triplicado. Ele também cobrou investimentos em inteligência e investigação financeira para atingir as estruturas econômicas das organizações criminosas.
“Você tem que investir na política de inteligência para a gente combater o crime antes que ele aconteça”, propôs.
O candidato também defendeu maior integração entre as polícias estaduais e federais para combater lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.
“Nós temos que ter um compartilhamento de informações nacionalizado com todas as polícias”, sugeriu.
Presídios: segurança máxima e fim dos celulares
Na área penitenciária, Mansur prometeu transformar as unidades em presídios de segurança máxima e impedir a entrada e utilização de celulares pelos detentos.
A proposta inclui a instalação de detectores de metais, utilização de telefones fixos e monitoramento das comunicações.
“No território onde existe presídio, não vai ter sinal de celular”, prometeu.
Ele também defendeu a participação do Ministério Público no gerenciamento das unidades e afirmou que as comunicações realizadas dentro dos presídios devem ser monitoradas.
O pessolista relacionou a superlotação dos presídios ao fortalecimento das organizações criminosas e defendeu uma articulação com o Poder Judiciário para reduzir o número de presos provisórios.
Desmilitarização da PM dependeria do Congresso
Questionado sobre a proposta de desmilitarização da Polícia Militar, o candidato reconheceu que uma mudança do tipo não poderia ser feita exclusivamente pelo governo estadual, pois seria necessária uma mudança constitucional aprovada pelo Congresso.
No entanto, Ronaldo Mansur afirmou que pretende abrir diálogo com a bancada federal para nacionalizar a discussão.
O candidato negou ainda ser contra a Polícia Militar e defendeu melhores salários, planos de carreira, assistência psicológica e política habitacional para os profissionais da segurança pública.
“Nós temos que ter cuidado com aquele que também cuida da nossa segurança”, salientou.
O postulante também afirmou que policiais militares vivem situações de vulnerabilidade por residirem, muitas vezes, nas mesmas áreas onde atuam contra criminosos.
Por isso, propôs a criação de uma política de habitação específica para trabalhadores do segmento.
PSOL promete revogar portaria sobre aprovação automática
Na educação, um dos principais compromissos apresentados por Mansur foi a revogação da Portaria 190, relacionada aos critérios de aprovação dos estudantes na rede estadual.
O candidato afirmou que o PSOL é contrário à chamada aprovação automática e criticou a declaração do governador Jerônimo Rodrigues de que uma escola que reprova seria uma escola que oprime.
“Nós somos contrários à aprovação automática e a derrubada dessa portaria é um compromisso do PSOL e da Rede”, garantiu.
Para ele, a medida também teria impacto sobre a hierarquia nas unidades de ensino: “Acaba tirando a autoridade política do professor na sala de aula.”
O candidato defendeu uma avaliação mais rigorosa dos estudantes, mas ponderou que alunos com poucas disciplinas pendentes poderiam ter mecanismos de recuperação.
Mansur relacionou ainda os problemas educacionais à necessidade de ampliar políticas de cultura, esporte e lazer, especialmente nos bairros periféricos.
Saúde: concurso público e crítica à terceirização
Na saúde, Mansur criticou a terceirização e a contratação de profissionais por meio de pessoas jurídicas.
Segundo o candidato, o último concurso público amplo para a área teria ocorrido em 2008 e, desde então, teria avançado no estado uma política de contratação por meio de empresas terceirizadas.
“Nós vamos fazer concursos públicos para a área da saúde”, comprometeu-se.
A proposta inclui seleções para médicos, enfermeiros e outros profissionais, além de maior valorização das carreiras.
Ele também prometeu transparência na regulação de pacientes e afirmou que é necessário combater a interferência política no sistema.
“Tendo transparência na regulação, a gente vai diminuir, não terminar, porque é impossível você terminar com a fila da regulação”, avaliou.
Empréstimos: “Não somos contra, mas devem ser transparentes”
O candidato também foi questionado sobre os sucessivos empréstimos contratados pelo governo da Bahia.
Mansur afirmou que não é contrário à contratação de crédito pelo Estado, desde que haja transparência e que os recursos sejam efetivamente aplicados em obras e investimentos que beneficiem a população.
Ele criticou a existência de obras paradas e questionou a destinação dos recursos obtidos pelo governo: “Nós não somos contra empréstimos. Agora, ele deve ser transparente. Esses empréstimos estão indo para onde?”
Mansur defendeu ainda investimentos em infraestrutura que tenham impacto direto sobre o desenvolvimento econômico e social dos municípios baianos.
Confira a entrevista na íntegra:
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